Lenine

Eram exatamente 21h00min (no meu relógio), do dia 12 de dezembro de 2008, quando se ouviu nos alto-falantes a chamada para o tão aguardado show de Lenine na capital gaúcha. O público não lotou o Teatro do Bourbon Country, mas compareceu em grande número, se considerarmos os preços dos ingressos (R$60,00 o mais barato) e a pouca proximidade, pelo menos por enquanto, que o público gaúcho tem com o artista em questão. Mas longe de ser um problema, os presentes vibraram a cada música e responderam à altura ao prazer que Lenine demonstrava em cima do palco.

A apresentação se inicia com Martelo bigorna, música que abre o novo trabalho, Labiata, o qual estava sendo lançado pelo compositor e que foi executado na íntegra. O show continua com Lá e lô, uma composição antiga do cantor, do álbum Olho de Peixe de 1992. Deste mesmo disco ainda tocaria Acredite ou não em uma versão muito legal. Aliás, praticamente todas as músicas antigas foram modificadas para se adaptarem ao formato do novo show. Um bom exemplo de mudança ocorreu com a música nem o sol, nem a lua, nem eu, cuja nova versão ficou bem mais ritmada, até meio dançante, bem diferente da gravação original, do álbum Falange Canibal, anteriormente com um andamento bem mais devagar e introspectivo.

As músicas novas, bem mais cadenciadas e densas, dividiam o espaço no set list com obras que consagraram e representam muito bem o estilo de composição do Lenine, músicas que não estavam no repertório da última turnê, do cd/dvd acústico MTV, como o caso de A lavadeira do rio, O dia em que faremos contato e Do It, sendo esta trinca um dos grandes momentos do show. Esta primeira parte se encerra com a pesadíssima O Céu é muito, parceria mais recente com Arnaldo Antunes, do último trabalho. Neste momento Lenine apresenta a ótima banda que o acompanha há um bom tempo, e conta com Guila no baixo, Pantico Rocha na bateria e backing vocal e Jr Tostoi na guitarra e programação. Enquanto os músicos, um a um, vão se retirando do palco, e deixando-o acompanhado apenas da melodia tensa de Continuação, as luzes se voltam para ele dando um belo efeito para a música que de fato daria fim àquela parte da apresentação.

Como já era de se esperar, logo ele volta para o esperado bis, que neste show conta somente com músicas escolhidas, através do seu site, pelos fãs de cada região em que o compositor se apresenta, e foram elas: Jack Soul Brasileiro, um de seus maiores hits e cantada com muita energia pela platéia, Miedo na qual Lenine esquece a letra, mas logo se recupera, e finaliza com A rede. Confesso que me surpreendi com as duas últimas escolhas, esperava Paciência e Hoje eu quero sair só, que acabaram ficando de fora do show, para tristeza de muitos. A banda se despede, mais uma vez, mas diante dos gritos de “mais um, mais um” volta para fazer uma versão arrasadora de Alzira e a Torre, com direito a trechos de composições do Clube da Esquina, O Rappa e Raul Seixas, presentes entre um refrão e outro.

Foi com uma sensação de muita satisfação para público e artista que se encerrava a passagem de Lenine por terras gaúchas, e de muita honra para mim, por presenciar e escrever sobre um dos maiores artistas da atualidade, que permanece em plena forma criativa, em meio à pobreza que ronda a música popular brasileira. Isso hoje em dia é um feito para poucos.

Por: Angelo Borba

Fotos: Fabiana Menine

Teatro Bourbon Country |12 de dezembro 2008|

Publicações Relacionadas

2 Comentários

  1. Pedro Samuel

    Muito bacana o texto e as fotos, acho que pra quem não teve a oportunidade de conferir de perto, fica uma boa idéia do que aconteceu!

    [Responder]

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *