Bebeto Alves

Dia de Domingo, levantar às 7h para ver um show do Bebeto Alves que estava marcado para às 11h em Porto Alegre, tem preço: 1 kg de alimento não perecível. Claro que este é um valor simbólico, ainda mais se considerarmos que estamos falando de um dos artistas mais talentosos da musica gaúcha, que tem seu lugar garantido na história da musica brasileira, mas que não é proporcionalmente revertido em destaque na cena atual. Como tantos outros artistas de sua época. Mas “a gente vai levando” e Bebeto também, e muito bem, diga-se de passagem.

O show foi uma pequena mostra de faixas do novo CD, Devoragem e marcava o fim da edição 2008 dos concertos populares promovidos pelo Theatro São Pedro e sua Orquestra de Câmara, que reúne artistas de diferentes vertentes da nossa musica, ganhando versões orquestradas de suas obras, uma bela iniciativa, por sinal.

Soa a campainha, músicos à postos, da-se inicio a apresentação com uma composição de Edu Martins: sem parar (sinfonia em dó menor), que serviu de introdução para o espetáculo. Vale a pena ressaltar que Edu é um artista Paulista em “retiro” por Porto Alegre, para a composição de dois álbuns, um de musica instrumental e outro de canções, a ser lançado em breve. Terminado o ato, entra em cena Bebeto, que inicia seu set com a musica Canos, acompanhado pela orquestra. Logo após emenda Milonga de paus do disco homônimo, e que já tinha ganhado uma versão para cordas da Orquestra Unisinos, no trabalho Paralelo Trinta: Ontem e Hoje, assim como a terceira musica do espetáculo, Que se passa. Nesta ele traz ao palco o parceiro e arranjador Vagner Cunha, para acompanha-lo ao violino.

O espetáculo segue com uma porção de musicas de todos os períodos da carreira de Bebeto como, Ruas, parceria com Totonho Villeroy e Mais uma canção, feita por ele e Fernando Corona e gravada no disco que reuniu Bebeto Alves, Totonho, Nelson Coelho de Castro e Gelson Oliveira. Já que a apresentação era mais uma “celebração das amizades”, nas palavras de Bebeto, nada mais normal do que chamar ao palco a banda que o acompanhou no disco Blackbagualnogovéio, para a execução de Por lá frontera, e que depois permaneceriam no palco até o fim da celebração.

Um dos momentos mais bonitos do show foi quando subiu ao palco Nelson Coelho de Castro para dividir voz e violão em uma canção de sua escolha, do primeiro disco de Bebeto Alves, chamada Raiar, e que foi muito ovacionada pelo publico presente. Do disco novo ainda tivemos a presença de Globalizacíon, tchau! e O demolidor. Todas mostrando em grande estilo o vigor criativo de Bebeto, que não adormeceu com o tempo, pelo contrário, foi se reinventando sem perder um décimo de sua habitual qualidade. E para terminar, não poderiam ficar de fora dois de seus maiores sucessos, Depois da chuva e Pegadas, em versões com muita energia.

Muito importante ressaltar que esta apresentação estava sendo gravada para um futuro DVD, por causa disso 4 músicas do roteiro que tinham apresentado problemas técnicos em suas execuções foram tocadas novamente, e o que muita gente pode não saber, mas trata-se de um artifício muito recorrente na gravação de materiais ao vivo. Foi bonito ver a grande maioria do público permanecendo em seus lugares, mesmo com o avançado da hora, e de estômago vazio.

Agora é esperar para ver o resultado deste registro, mais do que merecido por este grande artista e esperado por seus admiradores.

Por: Ângelo Borba

Teatro São Pedro |14 de dezembro de 2008|

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