Graforréia Xilarmônica

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Noite de segunda-feira em Porto Alegre e o tradicional projeto Segunda Maluca, da Rei Magro Produções, proporciona mais uma noite de muita diversão. Os gaúchos do Graforréia Xilarmônica foram incumbidos desta edição do projeto.rep Graforréia Xilarmônica

Como é de praxe, a Rei Magro dá oportunidade a bandas independentes. Desta vez foram duas. Osmarmotta, de Porto Alegre abriram os trabalhos. Em seguida, os catarinenses do Repolho. Vinda de Chapecó e fãs de carteirinha do Graforréia, a banda chamou bastante a atenção, por vários motivos: visual estranho, música bizarra, escracho e até mesmo macumba no palco. Foi nota dez. Para esse redator, que imaginou nunca ter a oportunidade de ver um show dos caras, foi um excelente espetáculo de abertura.

Pouco depois da meia noite sobem ao palco Alemão (Bateria), Carlo Pianta (Guitarra) e Frank Jorge (Baixo e Vocal). Abrem com o clássico “Literatura Brasileira”, que abre o álbum “Coisa de Louco II”. Em seguida, do mesmo álbum, “Bagaceiro Chinelão”. Bastou que os gaúchos começassem a tocar para que a pista do Opinião lotasse. Impressionante o público que a banda reuniu em uma noite de segunda. Não menos impressionante foi a receptividade do público com todas as canções.gx Graforréia Xilarmônica

Algumas figuras conhecidas da cena local se encontravam na platéia, como Iuri Freiberger (Tom Bloch), Tonho Croco (Ultramen) e Marcelo Birck (guitarrista fundador da própria Graforréia).

Após uma fileira de clássicos como “Nunca Diga”, “Benga Minueto”, “Grito de Tarzan” e “Chapolin”, o momento mais estranho do show: Alemão sai de trás da bateria com uma enorme bandeira do Internacional (N. do R.: Os três, Alemão, Pianta e Frank, são colorados) e a galera responde com gritos. O que inicialmente parecia aprovação, foi ganhando força e se condensando em uma imensa vaia. Estranhamente, a maioria naquela noite era gremista. Normalmente as torcidas se equiparam nesse tipo de evento.

Então foi hora de alguns discursos jocosos referentes ao vice campeonato do Grêmio e mais alguns se vangloriando pela conquista da Copa Sul Americana pelo Inter. Mais vaias e jogaram até cerveja na banda. Mas tudo sem violência, em um clima totalmente cordial e divertido.

A piada da noite foi que o Banrisul retiraria o patrocínio do Grêmio, pois “quem tem Banrisul, tem tudo.”

Voltando a música, seguiram com um clássico em cima do outro. “Amigo Punk”, “Colégio Interno”, “Empregada”, “Fulvio Silas”, “Twist”, “Eu Gostaria de Matar os Dois”, entre outros.

fg Graforréia XilarmônicaE na finaleira, três momentos imprevisíveis: Uma releitura de Musical JM. Isso mesmo, Musical JM. Além disso, em “Rancho”, o palco foi tomado pelas 3 bandas, com direito a uma aula de aeróbica da Repolho, que o publico em frente ao palco não se fez de rogado e acompanhou cada “exercício”. E, por fim, “Feira da Fruta”, cujo autor desconheço, mas se tornou bastante popular na Internet com o famosíssimo “Filme do Bátema” (aquela redublagem de um episódio do Batman da antiga série de TV).

Após quase trinta canções, Graforréia prova por A + B que ainda é uma das maiores bandas do chamado “Rock Gaúcho”. Prova também que ainda estão em plena forma, mantendo a energia ao longo de todo o show. E prova, ainda, que não existem fórmulas para o sucesso. Seu estilo bizarro, dissonante, fora de todo e qualquer padrão, conquista a cada dia mais fãs. E é por isso, exatamente por isso, que é tão satisfatório assistir a um show dos caras. A gente recomenda.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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