Tangos e Tragédias

Noite de quarta-feira e um dos espetáculos mais tradicionais do teatro gaúcho estréia mais uma vez na capital. Sim, estréia mais uma vez, pois nada mais tradicional no mês de janeiro do que a temporada de Tangos e Tragédias no Theatro São Pedro.

A abertura ficou a cargo de Norminha Duval, violonista que levou o prêmio Açorianos de melhor instrumentista em 2008. O detalhe pertinente é que Amelinha tem 70 anos e toca com técnica apurada e disposição juvenil. Apenas 15 minutos, mas bastaram para que a jovem senhora ganhasse fãs.

Menos de um minuto depois as luzes se apagam e entram em cena as estrelas da noite: Kraunus Sang (Hique Gomes – violino) e Maestro Pletzkaya (Nico Nicolaiewski – acordeon e piano) adentram o palco a abrem com “Desgrazzia ma non troppo”

“Eu gostaria de dedicar esse “xô”, como a gente sempre faz, a todos os artistas. Mas esse, especialmente, esse “xô” da estréia, aos portoalegrenses”, disse um sorridente Pletzkaya.

A partir dali, o repertório do show, que não muda nunca e é um sucesso há 26 anos, era o que menos importava. “O Drama de Angélica”, “O trágico amor de Marcelo por Roberta”, “Romance de uma Caveira” e “Ana Cristina” levantaram o teatro e ganharam o coro dos presentes.

Os dois clássicos folclóricos da Sbornia não poderiam faltar: “Aquarela da Sbornia” e “Copérnico”. Neste momento, este redator foi gentilmente convidado a dançar no palco do Theatro São Pedro. Relutante no primeiro momento, fui convencido por Kraunus.

Também houve espaço para releituras. Historicamente a dupla apresenta alguma peça do cenário pop na roupagem do Tangos. “Roxanne”, do Police, “Meu Erro”, dos Paralamas do Sucesso e “Minha Alma”, do Rappa, foram algumas obras escolhidas anteriormente. Na noite da estréia, a escolhida foi “Epitáfio”, dos Titãs. Encerraram com “Eleven’s Train”, versão tragicômica de “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, não sem antes, claro, sair até o hall de entrada do teatro, onde prontamente atenderam todos os fãs presentes.

Tangos e Tragédias é sucesso há 26 anos e será até que Hique e Nico decidam pendurar a gaita e o violino. Apesar de defenderem que seu sucesso deve-se a falta de memória do nosso povo, acho que é justo e necessário registrar que o principal motivo para tal ainda é a competência, a alegria e a paixão com que esses artistas nos brindam.

Se você não foi, vá. Se foi, vá de novo.

A gente recomenda.

Agredecimentos a Marilourdes e toda a equipe do Escritório de Produção.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

Theatro São Pedro | 07 de janeiro de 2009|

Publicações Relacionadas

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *