The Wailers

Na noite de ontem e madrugada de hoje, 20 de março, a Casa do Gaúcho, localizada no Parque harmonia, em Porto Alegre, e anualmente reduto dos tradicionalistas durante a semana farroupilha tornou-se a “Casa do Reggae” por mais de sete horas. Desembarcando direto da Jamaica, na América Central, os Wailers fizeram uma apresentação memorável para o grande público que prestigiou as lendas vivas do reggae. A banda jamaicana é a origem do estilo musical e ficou conhecida mundialmente por ter acompanhado Bob Marley enquanto ele esteve vivo. No início, quando o ska predominava, chamava-se Wailing Wailers e, mais tarde, com o surgimento do reggae passou a chamar-se The Wailers. Entretanto, sempre esteve associada ao grande Bob Marley, desde a formação original, com o próprio vocalista mais Bunny Livingston e Winston Hubert McItosh, até os dias de hoje. Muitos músicos já integraram os Wailers, porém, na década de 70, quando o reggae atingiu o seu auge, tornado-se conhecido mundialmente, Aston Barret, no baixo, Al Anderson, na guitarra, e keith Sterling, no piano, estavam presentes no conjunto que acompanhava o rei do reggae.
No DVD “Bob Marley: The Legend Live”, um dos últimos registros de Bob Marley ao vivo, gravado na Califórnia, em novembro de 1979, lá estão no palco Aston Barret, Al Anderson e Earl Lindo à direita de Bob. Com isso, nos anos 70, eles ajudaram Bob Marley a tornar-se o primeiro “pop star” mundial vindo de um país de terceiro mundo.
Assim, os Wailers chegaram à capital gaúcha com a credencial de maior, e mais bem sucedida, banda de reggae do mundo. Afinal, desde o início até o dia de hoje são quase 50 anos de carreira, sempre na ativa, levando as mensagens e as críticas sociais de Bob Marley para todos os povos do mundo. Músicas feitas há mais de 30 anos e que permanecem atuais.
No entanto, a noite de reggae começou mais cedo, pouco depois das 20 horas, com a banda Sub Dub abrindo o Boss Sounds Reggae Festival, e teve, na sequência, Fabão e seu novo trabalho solo, e as bandas já tradicionais e consagradas do reggae roots “sulista” PureFelling, Motivos Óbvios, e Produto Nacional que antecedeu os jamaicanos do Wailers.
O público esperava ansioso à banda jamaicana quando surgiram as primeiras melodias no palco, pouco depois da 1h30mim. O primeiro a ingressar foi o tecladista Earl Lindo que, antes do show, assistiu a banda Produto Nacional sentado tranquilamente em uma mesinha de bar, ao lado do palco. Depois de Earl, surgiu o baixista Aston Barret, de óculos escuros e um chapéu verde que me lembrava a Oktoberfest.
Quando o relógio marcou 1h41min, os Wailers apareceram com Elan Attias nos vocais para delírio do público presente. Embora, fisicamente, o jovem vocalista, recém integrado à banda, não lembre em nada Bob Marley, bastou Attias cantar os primeiros versos para o público se render ao seu talento e carisma. Com boa presença de palco, e muita interação com o público, Attias interpretou os clássicos de “Bob Marley & The Wailers” com extrema competência. No repertório, “so much thing to say”, “punk reggae party”, “exodos”, “jamming”, “waiting in vain”, “one love”, entre outras, fizeram a alegria do público ao longo da apresentação. Enquanto isso, no fundo do palco, ditando o ritmo da bateria, Aston Barret dedilhava com maestria o seu baixo, “espremendo os graves” com a simplicidade de um gênio. Mesmo com a ausência de Al Anderson no show, bem substituído por outro jovem guitarrista, os Wailers demonstraram porque ainda seguem na ativa levando a mensagem de Bob Marley. Antes de Porto Alegre, em 2009, os Wailers passaram pela Rússia, Espanha, Irlanda, Peru, Chile e Estados Unidos.
Ao final da apresentação, quando já passavam das três da madruga, a banda jamaicana ainda teve fôlego, paciência e simpatia para atender aos fãs que esperavam para tirar fotos, autógrafos ou, apenas, para reverenciá-los.
Conforme o produtor da festa, Lucas Ricordi, a ideia do Boss Sound Festival Reggae nasceu com o programa Boss Sounds, apresentado na rádio Ipanema, aos sábados, das 15h00min às 17h00min, e contou com a promoção da rádio Ipanema, POA ingressos e Noize.
Com certeza, quem saiu satisfeito foi o grande público que compareceu ao Boss Sounds Reggae Festival, na Casa do Gaúcho, e presenciou um grande show de música. A música como ferramenta de transformação social, assim como pregava Bob Marley que, em “exodos”, cantou: “Nem as balas podem nos deter/ não imploraremos nem nos curvaremos/ não podemos ser comprados ou vendidos/ defenderemos nossos direitos”. Agora, cabe aos Wailers continuar essa história.

Por: Ary Nelson da Silva Júnior

Foto: Divulgação

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