Simple Plan

Os fãs do Simple Plan estão cobertos de razão quando dizem que a banda é uma das melhores senão a melhor do mundo. Para eles, trata-se exatamente disso: o Simple Plan é uma das melhores bandas de rock do planeta. É de se imaginar então o modo como o grupo foi recebido na noite de 18 de março em Porto Alegre, quando iniciou a turnê brasileira que irá passar ainda por outras seis capitais (Curitiba, Recife, Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte). Embora não estivesse lotado (longe disso, afinal, no máximo, um terço do espaço do Pepsi On Stage estava ocupado), cerca de três mil pessoas correram ao local do show para recebê-los aos gritos de “Simple Plan! Simple Plan!”, numa demonstração muito intensa, quase histérica, de empolgação, idolatria e identificação com os cinco rapazes de Montreal. Mal chegava as 22h, um bom número de fãs já se agrupava na frente do palco, ávidos para vê-los ao vivo, mais de perto.
Uma hora antes dos canadenses aparecerem, o público já esquentava as turbinas ao som da banda Área Restrita, que adiantava já o estilo, a atitude, as preocupações e a sonoridade daqueles que viriam logo em seguida. Embora o público já estivesse entrando no clima, era evidente que os músicos estavam mais animados até do que o próprio público. Lucas Falaschi, o vocalista da banda gaúcha, não economizava referências aos membros da banda principal da noite, tratando-os como amigos e investindo-se de todo o orgulho possível por estar ali, e mais do que isso, por estar ali dividindo o backstage com os “brothers” do Simple Plan. O show de abertura foi correto e animado, foi um bom aperitivo, com direito ao principal hit da banda, pedidos insistentes de que o público ligasse para as rádios, para todas as rádios, pedindo a tal canção – “Garota dos meus sonhos”. “Assim vamos dominar o mundo”, disse Falaschi. Ao final, o grupo lascou uma cover de “Sweet Child O’ Mine”, a própria. Estava dada a senha para o que viria em seguida.

Pouco depois das 22h, os cinco canadenses surgiram, já com o público nas mãos. A platéia, é bom dizer, é um espetáculo à parte: era enorme a quantidade de meninos e meninas na faixa dos quinze (tudo bem, vá lá, talvez 18) anos na platéia, sempre as mesmas franjas caindo sobre os olhos, os olhos pintados, em alguns casos, os jeans muito justos, de cintura baixa, os tênis incorrigíveis (All Star Converse, de preferência), a underwearaparecendo sob as camisetas curtas e justas. Tudo exatamente como os próprios membros da banda, aliás. Estava pronto então o terreno para uma identificação imediata e explosiva. Pode-se não gostar da afetação dos caras (e de seu público junto). Pode-se achar aquilo tudo muito risível. Pode-se achar até mesmo que não há nada de novo vindo dali (e, de fato, a sonoridade da banda não é muito mais do que Green Day e Blink 182 já fizeram há alguns anos, soando parecido até mesmo com as baladas e as melodias muito açucaradas que Bon Jovi já vem fazendo há décadas; além disso, há ali uma atitude que lembra os Chilli Peppers dos anos 80 ou então a fúria hormonal da linda e travessa Avril Lavigne, mais recentemente; ou seja: de fato, não há nada de novo ali). Entretanto, há um tipo de identificação instantânea, uma capacidade de comunicação, uma combinação específica, que, ao não acrescentar novidade alguma, soa familiar, soa como algo convidativo e animador – puro frescor! – para quem começa a informar-se sobre rock, consumir música pop e divertir-se como pode (em alguns casos, sem beber uma gota sequer de álcool) nos poucos shows internacionais que nos têm aparecido.Vamos então ao Simple Plan. Fundamentalmente, a banda destaca-se pela sua adrenalina infanto-juvenil. E não deixa de ser curioso ver caras na faixa dos trinta tocando para um público de 15 (tá, tudo bem, deixamos por 18) anos. Há um bom guitarrista, Jeff Stinco, que se responsabiliza pelos principais solos e arranjos de guitarra. O resto da banda são músicos normais, não mais do que medianos. O baterista Chuck Comeau, por exemplo, vestia uma camiseta vermelha estampada com a foice e o martelo. O baixista David Desrosiers usava um elegante chapéu. Há algumas (poucas, na verdade) bases pré-gravadas. Há uma certa alternância nos vocais. Por vezes, é bom e muito presente o apoio dos backing vocals (do baixista, sobretudo).
Mas voltemos ao público. Era impressionante a catarse dos adolescentes. Quase todos (eu era uma das poucas exceções) pareciam estar diante de uma das maiores bandas de rock do mundo. Gritavam, jogavam coisas no palco, escabelavam-se. Além disso, pulavam o tempo inteiro, sabiam as músicas todas, praticamente de cor, na ponta da língua. E assim o show transcorria. Gurizada enlouquecida. Punk pop na veia. Na frente do palco, praticamente cada pessoa tinha uma máquina fotográfica nas mãos. Era um batalhão dos fotógrafos espontâneos, um ininterrupto e intenso piscar de visores e flashs das câmeras fotográficas, registrando cada momento, cada piscadela, cada trejeito dos canadenses no palco. Além disso, de uma hora para outra, assim de repente, começam a aparecer balões brancos que rapidamente se espalham pelas proximidades do palco, em cima do palco, por todos os lados, dando um efeito visual interessante.
Ao todo, foram cerca de 20 músicas, mais quatro canções no bis, dentre elas destacaram-se “Addicted”, do álbum “No Pads, No Helmets… Just Balls”, de 2002, “Welcome do my life” e “Jump”, ambas do álbum “Still Not Getting Any”, de 2004, e ainda “Your love is a lie”, “When I’m gone” e “Save you”, incluídas no cd “Simple Plan”, lançado no ano passado. Curiosa também, além de simpática, foi uma pequena jam que fizeram, brincando com o nome da cidade. “We love you Porto Alegre” era o refrão em meio aos acordes improvisados (talvez nem tão improvisados assim).
Uma nota ruim foi o falecimento, na manhã daquele mesmo dia, de um dos técnicos que estava encarregado da montagem do palco, da estrutura física do palco e da colocação da iluminação no cenário. O rapaz, de dezenove anos, estava instalando um canhão de luz no teto do galpão do Pepsi On Stage quando caiu, vindo a falecer. À noite, no final do show, no intervalo entre uma música e outra, o vocalista informou a todos sobre o incidente, lamentou muito o ocorrido e pediu um minuto de silêncio em respeito e homenagem ao morto. Logicamente, foi atendido.
De fato, ao menos para seus fãs, o Simple Plan é a melhor banda do mundo. Contudo, o gosto (o simples “gosto” ou “não gosto”) não é o único critério; assim como as pessoas não se mantém sempre as mesmas. Além disso, os fãs do Simple Plan não estavam (e, por certo, não estarão) em todos os lugares.

Por: Fabrício Silveira

Foto: Divulgação

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4 Comentários

  1. Miila

    concordo com TUDO que tu disse, eu tava no show e posso dizer que tava perfeito, eles tocaram MUITA música, comparando com algumas bandas que vem para cá e mal tocam 10, mas então, foi muito bom, a vibe positiva tava demais, todo mundo cantando junto e tirando foto, uns até chorando. SAGOIGSJAOI foi demais, espero que se repita sempre! simple plan rocks!

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  2. Rosy

    EU AMO O PIERRE…ESTOU TORCENDO QUE ELES VOLTEM PARA PORTO ALEGRE
    TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO SIMPLE PLAN TE AMO …….SOU CAPAZ DE QUALQUER COISA PARA FICAR PERTO DE VCS……..I LOVE YOU DAVID…I LOVE YOU PIERRE.. I LOVE YOU CHUCK …I LOVE YOU SEBASTIEN…I LOVE YOU JEFF…..I LOVE YOU SIMPLE PLAN!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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