W.O.A. – Metal Battle

Que o Wacken Open Air – conhecido também apenas como W.O.A. – é o maior festival de Metal da Europa, isso não é nenhuma novidade. E tocar na pequena cidade de Wacken é o sonho de muitas bandas de metal em busca de um pouco de notoriedade perante a cena. Afinal de contas, quem não gostaria de tocar, mesmo que em palco separado, em um festival por onde já passaram bandas como: Blind Guardian, In Extremo, Tankard, Black Label Society e Cannibal Corpse (sendo essas apenas algumas das bandas que já passaram pelo evento)?
Pois é isso que o W.O.A. Metal Battle propõe: levar uma banda talentosa para a Alemanha na esperança de agradar os ouvidos criticos de jornalistas e especialistas em metal. Para isso acontecem seletivas em várias cidades do Brasil onde as vencedoras disputam uma vaga em outra seletiva em São Paulo. Um verdadeiro pente-fino antes de embarcar para a Alemanha.
Porto Alegre teve mais uma vez sua edição realizada no Manara bar, no dia 10 de abril. Disputando a vaga: Swampy, Symphony Draconis, Disrupted Inc., Scelerata e Predator. Como banda convidada, Rosa Tattooada (N. do R: apenas para show de encerramento).
Subestimei o festival, confesso. Em todas as outras edições ouvi reclamações de atrasos nos shows, etc. Pensei em ser espertalhão e ir também um pouquinho atrasado. Resultado: me ferrei. Perdi o show da Swampy, fiz perguntas aos que tinham visto o show, suas opiniões… Os comentários foram os mais variados possíveis, já que o evento é amplo dentro do metal. Bandas de Death, Black, Melódico e até Metalcore. Então não ouvi respostas uniformes do público. A banda que abriu é de Santa Maria (interior do Rio Grande do Sul) formada por Bruno Ramos Vaz (voz/baixo), Mauricio da Silveira (guitarra), Tiago Oliveira (guitarra) e Alberto Lautenchlager (bateria).
No show seguinte a Symphony Draconis sobe no palco e mostra qualidade e segurança no que fazem. Fazendo uma linha diferente do black metal tradicional impressionou os desavisados adoradores do estilo. Os guturais de Herr Amoth fazem um conjunto bom com as guitarras de Thiernox e Aym, Helrier Berzerker usa bastante da velocidade e da troca de ritmo, junto também com Flowsthayngrof que toca baixo. No conjunto a Symphony Draconis agrada, faz algo diferente do que se vê no Black metal, as trocas de ritmos me agradam demais também. A banda em si é bem entrosada, por causa do tempo de atuação e qualidade individual, estão juntos desde 2006 e em 2008 lançaram o primeiro EP. O público que vai a shows de black metal pode não ser numeroso, mas são fieis ao estilo e aos artistas. No show da Symphony Draconis bateram cabeça, gritaram e urraram ao início das músicas, mostrando o respeito pela banda.
Na seqüência da batalha, Disrupted Inc. , banda de metalcore formada por Alan Galantin nos vocais, Marcos 3.6.e no baixo, Max Arriera guitarra e vocais, Rafa guitarra e Dio na bateria. Foi certamente a que mais agradou a maioria dos presentes, a mistura melódica e agressiva caracteristica do metalcore vem ganhando muitos fãs no brasil e a Disrupted Inc.agrupa bem essas influências no palco, além da boa presença de palco, a banda que abre seu show com um bom numero de público, mesmo sendo a banda mais destoante dessa etapa regional. Um principio de roda punk chega a se formar durante determinado momento do show. A qualidade tecnica dos músicos é boa, guitarras com distorção e uma rapida bateria, vocal rasgado e gutural também chamam a atenção quando usados ao lado dos vocais limpos, como em “Ominous Sea”.
Um lado mais técnico e melódico surge no show da banda Scelerata, o quarto da noite. A banda, que toca metal melódico, é formada por Magnus Wichmann (guitarra), Renato Osório (guitarra), Gustavo Strapazon (baixo) e Francis Cassol (bateria), acompanhados ainda pelo vocalista convidado Victor Wichmann. Fizeram um bom show, com muita energia e vibração. Os músicos, de qualdiade como o estilo necessita, vieram com tudo e querendo ir para a alemanha, porém não foram unânimes quanto a questão de quem via, apesar de terem seus fãs, inclusive alguns com camisetas, não superaram espectativas. Foi um bom show, sem dúvida, mas senti que faltava algo para a banda ir para a Alemanha.
Encerrando a participação das bandas concorrentes do Metal Battle, Predator. Banda de Death Metal que vem atuando desde 1996, contendo no curriculum shows internacionais como Argentina, Uruguai e Paraguai. Além de uma longa excursão pelos estados do Brasil. Mas parece que as coisas em Porto Alegre foram diferentes para a Predator, que é de Caxias do Sul. Não ouve empolgação nem um grande apreço dos presentes, o show em si não teve muito a ser visto. Fora as poses e caretas do baixista Luciano Hoffmann, a bateria forte de Roberto Ceccato, a guitarra pessada e as letras de Jener que passam mensagens de guerra e violência. O povo olhou com ar de indiferênça o show da Predator, mas deixo a dica para quem curte Death Metal.
Para encerrar de vez o evento, show da banda convidada Rosa Tattooada. Era fácil perceber que a maioria estava lá justamente por esse show. Rosa Tattooada é uma das clássicas bandas gaúchas do inícios dos anos 90. Todo o povo que ficou na parte do fundo foi até a frente para ver a banda. Um dos detalhes é a diferença entre essa e as outras bandas. O tempo de banda e a experiência de vários shows fazem com que a banda seja muito atrativa, o som era redondo e a presença de palco idem. No bis do show duas músicas do Kiss: Detroit Rock City e Rock n’ Roll all Nite.
No Final do show foi anunciada a banda vencedora da noite, Disrupted Inc. De fato o show deles foi um dos melhores. No dia 24 de maio haverá a final no Rio de Janeiro, contra as outras finalistas, de outros estados.

Por: Douglas Fanny Webber

Fotos: Bárbara Sudbrack

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