Almir Sater

Apesar da dificuldade da produtora do evento para acomodar o público, causando, assim, um atraso de 30 minutos para o início do show, o mato-grossense Almir Sater soube, logo na entrada, contornar a impaciência do público (que praticamente vaiou o responsável pela abertura do evento, bem como pela apresentação de Almir, antes deste entrar no palco) com bom humor.

Chapéu de abas curtas, botas, e viola na mão. Assim que, pouco antes das 21h30min, entrou no palco Almir, anunciado como um dos maiores violeiros da atualidade. Uma rápida passagem de som entre os músicos da banda e Almir passa ao público, em poucos segundos, uma rápida idéia da atmosfera pantaneira que iria acompanhá-los durante a noite inteira. A banda era formada por Marcelus Anderson (acordeon), Cristiano Kotlinski (violão), Papette (percussão), Tonho Porto (baixo), Carlão de Souza (violão de 12 cordas) e Gisele Sater (vocal).O show começa com “Um violeiro toca”, musica composta em parceria com Renato Teixeira. Melodia suave, perfeitamente executada; a platéia, concentrada, observava a execução da música quase sem respirar. A próxima música, “Brasil Poeira”, anunciada por Almir como “uma música para se tocar nos fundos do quintal de casa” (também composta em parceria com Renato Teixeira), arrancou aplausos ao ser iniciada.
A partir deste ponto, problemas de som começam a aparecer, como algumas microfonias, que rapidamente eram cessadas pelos operadores da mesa de som. A seguir, Almir e banda iniciaram uma música improvisada – algo típico entre violeiros -, um pouco mais animada do que as anteriores. Em seguida, em “Cavaleiro da Lua” – música que Almir Sater compôs para o filho, em parceria com João Bá), com uma levada semelhante às levadas de blues, Almir, durante seu solo de viola, arranca aplausos fervorosos da platéia. Ao final da música, Almir conta piadas e brinca com o público, acerca das diferenças climáticas entre as regiões do país.
Após executar a música instrumental “O Ganso”, um fato que se repetiria durante boa parte do show: Almir afinando sua viola. “Um violeiro passa metade da sua vida afinando a viola; a outra metade ele toca desafinado mesmo!” – brinca com a platéia. Executam, então mais uma música instrumental, que ele chamou por “Música de Viola”.
A próxima música, “Tocando em Frente”, certamente era uma das músicas esperadas na noite, a julgar pelo alvoroço da platéia, quando começa a cantá-la. Durante a execução desta música, outro fato interess

ante: Almir, para interagir com a platéia, estimula todos a cantarem o refrão; quando o público está cantando em uníssono – a banda parada, apenas vozes -, Almir começa a afinar novamente sua viola. Quando  termina de afinar, ele brinca: “Ta afinado!”. Todos riem e aplaudem.

Ao final da música “É Necessário”, na qual o público ouve mais silencioso e concentrado, enquanto, mais uma vez, Almir afina sua viola (segundo ele, a primeira viola que ele comprou, na qual sempre acompanha ele), algumas fãs começam a gritar “Te amo!”. Almir, tocado pelo gesto, exclama: “Esse é o combustível para compor! O resto é pagar conta!” – conclui ele, para risada de todos. Após “Peão”, o percussionista Papette inicia um solo de berimbau, que logo é seguido por Almir e banda, e finalizado – entre muitos aplausos – com uma espécie de duelo de cordas entre Almir e o violonista Carlão de Souza. A execução de “Trem do Pantanal”, música pacífica e profunda, certamente foi um momento intenso do show, que calou todos os presentes em grande concentração. Ao fim dessa música, Almir apresenta o acordeonista Marcelus Anderson, e o convida para tocar “Bailão Pantaneiro”, música que, do início ao fim, foi acompanhada por batidas de palmas cadenciadas de todos os presentes, animados.
Para tocar “Irmãos da Lua”, Almir chama novamente ao palco e apresenta sua irmã, Gisele Sater, para liderar os vocais. Ao final, muitos aplausos da platéia.
Em sequência, tocam “Comitiva Esperança” e “Toque de violão”, sendo essa última, também, uma música instrumental.
A música mais esperada do show, “Chalana”, é executada perfeitamente, em parceria com o público, que canta do início ao fim a música. Enquanto a música ainda era executada pelos membros da banda, Almir se despede: “Vou levar esse show para muito longe. Muito bom tocar pra vocês.” Quando Almir está deixando o palco, o público – até então comportado nas cadeiras – avança pra frente do palco, na tentativa de pegar autógrafos e de tentar pegar a mão do violeiro.
Após pedidos de ‘bis’, Almir retorna ao palco para executar “Maneira Simples”, belíssima música que finalizava a noite. Ao final do show, ainda, foram distribuídos brindes para o público.
Encerrava, então, em clima de muita admiração, a breve visita do pantaneiro de Campo Grande à capital dos gaúchos.

Por: Thiago Santos

Fotos: Juliana Amador

Teatro da PUC | 25 de abril de 2009|

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