O Rappa

Na última quinta-feira, no Bar Opinião, O Rappa, uma das maiores bandas do Brasil se apresentou com o show do novo disco, “7 Vezes”. O álbum, lançado em 2008, fechou um hiato de 5 anos desde “O Silêncio que Precede o Esporro”, de 2003.
De primeira, logo ao entrarmos no local, o que chama mais a atenção é o público, totalmente heterogêneo. Pessoas de diferentes idades, estilos, classes e etnias, unidos pela música e pela ideologia da banda. Enquanto o tempo passava, era um aspecto negativo que ia se sobressaindo: o atraso. Marcado para as 23h, o show foi atrasando 10, 20, 30, 60, 90, 110 minutos. A impaciência crescia junto, bem como o número de pessoas no bar, que atingiu sua lotação. A combinação do atraso de quase 2 horas com a inconveniência do bar lotado foi interpretada pelos presentes como uma coisa só: falta de respeito com o público. Houve vaias fortíssimas. Houve também bate boca na entrada do Opinião. Um grupo de aproximadamente 15 pessoas pedia seu dinheiro de volta, indignados. Uma pessoa, que parecia ser um dos responsáveis pelov bar, respondia, por sua vez, atribuindo a responsabilidade ao “senhor Falcão, que não quer subir ao palco”. E foi nesse clima de tensão e desconforto que a noite começou.Faltando poucos minutos para a 1h sobe o telão do Opinião. Duas pessoas, uma mulher e um homem, tentaram apresentar o show. Não foi possível entender o que diziam, pois as vaias eram muito altas. E a banda sobe ao palco.A partir daí, foi somente alegrias.
Falcão chama o coro de “O Rappa, O Rappa” e ganha a galera. Abrem com “Meu Mundo é o Barro” e, desde a primeira música, se mostram uma banda diferenciada. O somatório de talento, competência e experiência tem seu resultado exposto para quem quiser ver e ouvir. Em seguida, “Reza Vela” e “Mar de Gente”, obtêm a mesma resposta.
Enquanto a performance da banda era impecável, o som deixou muito a desejar. Bastante distorcido e com uma enorme saturação nos graves, não era possível compreender com clareza as letras e tampouco o que Falcão falava entre uma música e outra.
Ao longo de quase duas horas, foi um verdadeiro desfile de hits. Além das supra citadas,  “Homem Amarelo”, “Lado B, Lado A” e “Minha Alma”, foram apenas algumas das composições de sucesso da carreira da banda. Houve também espaço para participações especiais: Tonho Crocco, da Ultramen, cantou “Dívida” e Pit Passarell, guitarrista do Capital Inicial, tocou guitarra em “Hey Joe”. Para fechar, “O Salto”, que encerra um show marcado pela força da banda em superar as adversidades daquela noite, ganhando o aplauso sincero de todos. “Baita show, era o show que tava faltando em Porto Alegre.” Resume Evandro Moraes, que assistiu a banda pela primeira vez.
Ficam as certezas de que O Rappa merece o lugar de destaque que ocupa hoje no cenário nacional, e também de que não é mais viável fazer um show desse porte no Bar Opinião. Pepsi On Stage, que recebeu a banda da última vez em Porto Alegre, seria mais indicado para um espetáculo desse porte.

Bar Opinião|07 de Maio de 2009|

Por: Marcel Bittencourt

Foto: Gisele Picada

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