Bajofondo

Na noite do último domingo, a data na agenda do Teatro do Bourbon Country foi reservada para o talento e criatividade do grupo Bajofondo. Formado por músicos da Argentina e do Uruguai, o grupo apresenta uma mistura musical no mínimo interessante, mesclando basicamente tango, milonga e música eletrônica.
O início deu-se pontualmente às 20h, com o violinista Javier Casalla, executando um tema instrumental. Em seguida, todos os oito músicos ao palco para “No Pergunto Quantos Son”. Enquanto imagens aleatórias de fenômenos naturais e cinema antigo eram projetadas no telão pela VJ Veronica Loza, a banda apresentava suas músicas, basicamente instrumentais, mas com uma ou outra inserção vocal. Este foi o único aspecto que jogou contra a banda naquela noite. Apesar de serem muito bons no que fazem e de mostrarem um trabalho que é sucesso de crítica, o Bajofondo acabou tendo que enfrentar o fato de que nós, brasileiros (para não dizer ocidentais) estamos muito habituados a música essencialmente cantada. E isso acaba tornando o show cansativo em determinados momentos, sem que a banda tenha culpa.Após um breve agradecimento a banda sai de cena. Gustavo Santaolalla, guitarrista e também fundador do Bajofondo, fica só ao palco para um momento mais intimista. “Essa é a hora que conversamos um pouco, que posso falar um pouco sobre o Bajofondo, para quem conhece e para quem está conhecendo agora. Somos do Plata, um rio que dizem que nos separa, argentinos e uruguaios, mas que nos une, a todos. Moramos cada um em um lugar diferente, Montevideo, Buenos Aires, Bariloche, Los Angeles. Todos temos outros trabalhos. Eu tive oportunidade de trabalhar com cinema, inclusive com um grande brasileiro, Walter Salles. Essa música fez parte da trilha de ‘Diários de Motocicleta'”. E apresentou a belíssima “De Ushuaia a La Quiaca”. Um dos pontos altos do show.
Mas o maior destaque foi, previsivelmente, “P’bailar”, tema de abertura da novela global “A Favorita”, que tornou a banda conhecida em todo o Brasil. Foi a que recebeu, sem dúvida, mais aplausos.
Para o bis, “La Cumbalsita” e, novamente, “P’bailar”, com a banda convidando todos a subirem ao palco. E foi assim, dividindo o palco com seu público, que a banda encerrou uma hora e quarenta minutos de show, onde o tradicional e o inovador caminharam juntos, demonstrando que o antigo e o moderno casaram-se e tiveram um belo filho: o Bajofondo.

|Teatro do Bourbon Country|10 de maio de 2009|

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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