Oasis

O show do ano em Porto Alegre aconteceu na última terça-feira no Gigantinho. Uma das maiores bandas do mundo, o Oasis, se apresentou na capital dos gaúchos em uma noite memorável.

Prevista para as 19h45, o show de abertura atrasou 45 minutos. Por volta das 20h30 os gaúchos do Cachorro Grande subiram ao palco para esquentar os motores para o show do Oasis. E o fizeram com muita competência. A banda, considerada uma das maiores e melhores bandas de Rock do Brasil, mandou seu Rock and Roll curto, grosso e sem frescura. Abriram com “Lunático”, primeira faixa do primeiro disco, seguida de “Hey Amigo”. “É um grande prazer tocar aqui, pra nossa cidade, pra essa galera do Rock and Roll, e com a banda que a gente mais curte! Oasis! Oasis! Oasis!”, bradava o ensandecido Beto Bruno, que não cabia em si de tanta empolgação. Por diversas vezes a banda deixou claro o quanto era especial aquele momento, e mesmo com o som terrível ao qual foram submetidos, não deixaram a peteca cair e agitaram o máximo que puderam. Vale aqui também destacar “Sinceramente”, que foi cantada por todos os presentes, e o final destruidor com “Você Não Sabe o Que Perdeu”, “Sexperience”, hit que lançou a banda ao sucesso no Rio Grande do Sul e um ótimo cover de Beatles, com “Helter Skelter”. Enfrentaram o monstro e venceram.Após o curto show de 40 minutos do Cachorro Grande, a troca de palco. Demorou menos do que o anunciado. Pouco depois das 21h45, o Oasis entra em cena. Após a introdução “Fuckin’ In The Bushes” a música que abre a maioria dos shows do Oasis foi a primeira também em solo gaúcho: “Rock and Roll Star”, primeira faixa do primeiro álbum da banda. Logo depois, “Lyla”, outro hit. Aliás, hits não faltaram nesta apresentação dos ingleses. Desde o começo do show, foi possível perceber alguns aspectos que permearam a apresentação. Primeiramente, como Liam Gallagher mantém a pose. Talvez por arrogância, talvez por marketing, ele se mantém alheio as reações do público, as vezes até mesmo imóvel, de braços cruzados. Noel, por sua vez, mantém o semblante sério. Outro aspecto, bastante nítido: como Liam Gallagher deixa a desejar ao vivo. Por diversas vezes, em diversas músicas, Liam não alcança notas mais altas e até mesmo muda as linhas vocais para que a falha se torne menos gritante. Os fãs que acompanham a carreira da banda sabem que isso não é novidade nenhuma. Porém as pessoas que não acompanham o trabalho tão profundamente podem ter ficado um pouco frustradas com o desempenho do vocalista.

Após a maravilhosa “Cigarettes and Alcohol”, “The Meaning of Soul” e “To Be Where There’s Life”, Liam deixa o palco para “Waiting For The Rapture”. Com um breve “Obrigado Porto Alegre”, Noel assume os vocais. E isso, sim, serviu para confirmar o parágrafo anterior. Noel, ao contrário do irmão, é impecável. O principal compositor do Oasis é, curiosamente, o melhor vocalista da banda. Com ótima voz e com uma interpretação perfeita, a banda executa a belíssima “The Masterplan”.

As músicas do novo álbum não eram tão bem recebidas pelo público, bem ao contrário das que fizeram parte dos dois primeiros álbuns. As respostas para “Morning Glory” e “Supersonic”, demonstraram isso de forma bem clara. Além, é claro, da batida ,mas sempre bem vinda “Wonderwall”.

E foi sob esse mesmo efeito sonoro que Noel retorna, seguido do guitarrista Gem Archer. Começa, então, uma versão acústica de “Don’t Look Back In Anger”, cantada do começo ao fim pelo Gigantinho lotado. Com certeza o ponto mais alto da noite. Aqui também ficou claro como Noel é um guitarrista de personalidade e bom gosto. O característico solo desta música, executado por outro guitarrista, perdeu muito do seu brilho.

Um pequeno equívoco então, “Falling Down”, soou naquele momento como um leve balde de água fria na seqüência de sucessos para a qual enveredava o final do show. Rapidamente consertado com o final, com “Champagne Supernova”. Aqui, a banda se rendeu ao público gaúcho. Liam Gallagher aplaudiu, mandou beijos, e Noel até sorriu. Se tratando dos irmãos, isso tem que ser interpretado como um grande elogio.

Por fim, o previsível cover de “I Am The Walrus”, dos Beatles, e todos muito satisfeitos, apesar da ausência de grandes sucessos como “Don’t Go Away”, “Stand By Me” e, principalmente, “Live Forever”. Também ficou aquém da expectativa a performance de palco da banda. Nada especial. São cinco músicos sérios tocando suas músicas e nada mais. Também não há muita preocupação com seqüência de show. Paradas entre uma música e outra eram freqüentes e por algumas vezes Noel mesmo afinava a guitarra, tranquilamente. A maior estrela do show do Oasis é, sem dúvida, a grandiosidade de suas canções, que é incontestável. Por conta da qualidade dessas músicas é que a banda angariou um público tão fiel. E é por conta desse público fiel que o Oasis vai, sempre, lotar os locais por onde passa.

Oasis faz por merecer o seu lugar na história do Rock.

E que venha o próximo.

Gigantinho| 12 de maio de 2009|

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fábio Codevilla

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3 Comentários

  1. Daniel

    Bah, queria muito ter ido nesse show. Ainda bem que tem sempre a tua ótima descrição dos shows para pelo menos matar a curiosidade sobre como foi o show.

    Abraço Marcel!

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  2. Luísa Amaral

    Eu assino embaixo.
    Sou muito fã de Oasis e acho os caras geniais (nas composições mais antigas). No entanto, eu tive a nítida impressão de estar vendo “a banda que o meu irmão Noel tem pra que eu possa fazer algo na minha vida”. Não digo que o Liam seja totalmente incompetente, mas acredito que ele seja o menos comprometido com a banda em termos de shows.
    De qualquer maneira, Noel é quem, de fato, vale a pena e mostrou que tem uma voz maravilhosa e muito bom gosto.

    Só de poder ouvir eles tocando “Supersonic”, que é uma das minhas favoritas, bem do ladinho do palco, o show já tinha sido ganho.

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