Gilberto Gil

Noite de Sábado e um dos maiores nomes da MPB se apresenta em Porto Alegre: Gilberto Gil volta ao Teatro do Sesi para única apresentação na Capital. Logo na chegada somos surpreendidos com a boa notícia de que podemos fotografar o show inteiro (N. do R: normalmente as fotos são limitadas às três primeiras músicas), por conta da temática da tour, onde as pessoas são influenciadas a registrarem os shows em fotos e vídeos com suas câmeras e celulares.

O show inicia, antes das 21h10, com “Banda Larga Cordel”, que dá nome a tour e também ao último disco de Gil e fala sobre modernidade e tecnologia. Destacamos, aqui, também, a beleza e grandiosidade do cenário do show, bem de acordo com as cores e a arte do álbum. Em seguida, dois clássicos: “Tempo Rei” e “A Novidade”. Um público bastante contido apreciava as canções quase em silêncio. “Muito boa noite, Porto Alegre. Obrigado pela presença, sempre simpática, sempre querida, sempre cheia desse entusiasmo gaúcho, naturalmente apreciado por todos nós do resto do Brasil, essa terra brasileira. Como Caetano já dizia… os gaúchos são mais baianos que os baianos…” com aquele tom pausado e tranquilo que lhe é peculiar.

“Essa é uma canção do álbum novo, Banda Larga Cordel, assim como a que abrimos o show, que dá nome ao disco. Se chama ‘Os Pais’ e é uma parceria minha com Jorge Mautner”. Aqui temos um ponto muito interessante: apesar de fazer parte do trabalho mais recente e, por isso mesmo, as pessoas não conhecerem a música tanto assim, agradou muito. E com justiça, visto que a música é ótima e a letra, magnífica. Digna da parceria de dois mestres. Vale conferir.

Os covers/versões de Bob Marley, que renderam o disco “Kaya N’Gan Daya”, fizeram-se presentes com a dobradinha “No Woman No Cry / Não Chores Mais” e “Is This Love”, totalmente incorporadas ao estilo de Gilberto Gil.

Anunciou então três “flertes” com o que até hoje é chamado de Rock Nacional. As canções bastante baseadas em riffs “Rock do Segurança”, “Luar” e “Punk da Periferia”, com direito a dedo médio e demais gestos obscenos no refrão (“aqui pra vocês”). Causou risos.

“Eu fiz três rocks, agora vou fazer três canções mais suaves”. A trinca, dessa vez, contou com a belíssima “A Paz”, “Não Tenho Medo da Morte”, música nova, composta em Sevilha, que deixou muito a desejar quanto à composição, principalmente no que se refere a sua letra (idéia interessante, porém mal trabalhada) e uma versão “misturando um pouquinho com o Reggae” de Something, dos Beatles.

“Beatles… Quem dera eu ter qualidade para imitá-los…” (aplausos) “Por isso que eu fiz essa mistura, botando um pouco de Reggae… daí fica um pouquinho mais fácil… coisa de negro” (risos) “Se bem que Beatles também, é coisa de negro… Eric Clapton, Mick Jaegger… todos queriam imitar a música negra americana… Imitar Chuck Berry, Little Richards, Bo Deedley… Os próprios Beatles… Mas, como ninguém imita nada impunemente… viraram os Beatles…”

Após “Esperando na Janela”, tema do filme “Eu, Tu, Eles”, coisas estranhas aconteceram: Primeiro, Gil agradece a Porto Alegre e a “Praia de Viamão”. Ninguém entendeu, principalmente pelo fato de não existir praia alguma em Viamão. Não bastasse isso, o solo do baixista Fábio Lessa foi executado de forma muito imprecisa. Varias notas “mastigadas”, que causaram constrangimento no músico, que chegou a balançar a cabeça negativamente enquanto olhava para Gil. No entanto, esse tipo de coisa, normalmente, passa despercebido pelo público em geral, sendo notado normalmente apenas por músicos. E com a banda, não foi diferente. Lessa  trocou olhares de cumplicidade com os colegas e chegou a ganhar um debochado aplauso do colega Gustavo de Dalva, na percussão. Quem prestou atenção, riu muito.

O encerramento contou com “Palco”, “Realce” e “Nos Barracos da Cidade”. Já o bis, com todos de pé e muita gente em frente ao palco, “Vamos Fugir” e “Toda Menina Baiana”. Aqui Gil ainda ganhou um bilhete de uma senhora. E leu “há anos eu viajei com você e nunca me esqueci…” E completou: “Eu não vou ler todo aqui pra não atrapalhar, mas pode saber que eu também nunca vou esquecer de você”.

Com exatas duas horas de show, Gilberto Gil e a Banda Larga deixaram o palco. E deixaram também o público gaúcho com a sensação de que um ingresso de Gilberto Gil vale cada centavo. Foi uma ótima noite. E, sim, ele não tocou “Aquele Abraço”.

Teatro do Sesi|16 de maio de 2009|

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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