Down By Law + Dead Fish

Depois de dez anos sem pisar na cidade, os californianos do Down By Law finalmente desembarcaram por essas bandas. Melhor do que rever um dos mais influentes grupos do hardcore da Califa foi saber que a abertura ficaria por conta dos capixabas do Dead Fish, que mostrariam os clássicos e as músicas do cd mais recente, Contra Todos.

O lado ruim é que parece que os produtores deste tipo de show querem, a todo custo, testar a paciência do público. Só isso explica o fato de quatro (sim, quatro!!) bandas locais serem escaladas pra tocar na mesma noite. Te todas que subiram ao palco, apenas uma tinha condições de realmente fazê-lo. Era a Mundano, que fazia um HC direto e rápido, sem cair em clichês e sem descuidar dos arranjos de cada música.Muito depois do horário previsto e já ultrapassando qualquer atraso tolerável, Rodrigo e sua trupe entraram em ação. A espera valeu a pena.

O Manara estava lotado quando soaram os primeiros acordes de Venceremos, petardo contido no  álbum Contra Todos, lançado no começo do ano. Sem amaciar, a banda emendou Old Boy, do disco Um Homem Só, a clássica Cidadão Padrão (berrada em uníssono pela platéia) e Asfalto, essa última também do mais recente trabalho.

O som do lugar contribuiu, o entrosamento do DF era perfeito e a nova formação deu um gás novo às performances ao vivo. Na batera, Marcos, que toca no Ação Direta e substituiu Nô, da formação original, se mostrava seguro e perfeito. Phillipe (guitarra) e Alyand (baixo) completavam o time e deixavam Rodrigo à vontade para sua louca performance no pequeno palco. No meio do show, o vocalista lembra de perguntar quem estava na apresentação da banda durante o Fórum Social Mundial de 2004, no Anfiteatro Pôr do Sol. Na ocasião, um mega-tumulto envolvendo a polícia e uma minúscula parte do público atrapalhou todos que queriam pogar em paz.

Mas o clima agora é de harmonia e a banda solta mais uma rajada com as canções Sonhos Colonizados, Siga, Iceberg e Molotov. Entre elas, Tupac Amaru.O legal é que os caras rechearam o set com os clássicos que todo mundo quer ouvir, sem esquecer de apresentar os trampos mais novos como Autonomia, Shark Attack e Descartáveis.  Pra fechar o concerto, Dialética e Contra Todos, que batiza o disco lançado no começo do ano, foram as escolhidas. Show perfeito, que mostrou a sintonia que o Dead Fish tem com o público da cidade.

Já no meio da madrugada de sábado o Down By Law tomou seu posto no palco do local. Antes de começar a apresentação, o vocalista Dave Smalley olhou para o relógio e perguntou: “São 3h da manhã. Vocês ainda agüentam um pouco mais de rock?” A platéia, formada por menos da metade das pessoas que estavam vendo os capixabas do Dead Fish, respondeu que sim e teve como presente Independence Day, do disco All Scrached Up. Right Or Wrong, Punk As Fuck e Burning Heart vieram na sequência.

Tudo corria bem até que um retardado mental, bêbado como o cão, decidiu subir no palco pra simplesmente tentar roubar o boné de Dave. Levou um safanão e a promessa de que se repetisse o ato imbecil, levaria um “kick in the ass”. Pra mim, um sujeito desse deveria ser condenado a passar o resto da vida assistindo a shows de celebridades internacionais como o Oasis, sendo separado da banda por uma barricada de metal e mais 40 seguranças psicopatas.

O legal é que o DBL não se intimidou, e engatou a quinta marcha. Gruesome Gary, foi executada com maestria, sem antes receber uma intro de Smaley: “Essa música fala que não importa se você é fraco, forte, alto, baixo, magro ou gordo. O que importa é que se traz por dentro”. A cada música tocada, o público diminuía, o que fazia a apresentação dos caras ficar mais fria. Outra vez, um figura perturbou a performance da banda, subindo ao palco e, em vez de dar o clássico mosh, ficou tentando tocar a guitarra de Dave. Mais uma vez o cara reclamou do comportamento da galera: “Meu, façam o que é normal em todos os shows de punk rock. Subam no palco, pulem, dêem o mosh. Deixa que eu toco a porra da minha guitarra, ok?”. Constrangedor, né?

Mas mesmo com poucas pessoas na pista e em horário avançado, os caras seguiram em frente, mostrando respeito pelos que esperaram quase uma década para ver a banda novamente na cidade. No Equalizer foi tocada com emoção, como se não houvesse amanhã. Nenhum dos clássicos ficou de fora e o quarteto tocou os “hits”All American, 500 miles e a linda Radio Ragga, música que fala sobre viver em uma cidade onde não há grandes opções de lazer. Lembra algo pra você?

Os californianos foram tão generosos que, apesar do horário esdrúxulo (o show acabou às 4h de sábado), ainda fecharam com Values Here, clássico do Dag Nasty. Espero que os caras não demorem mais 10 anos pra aparecer por aqui e, quando voltarem, o público dê o valor que eles merecem.

Manara| 15 de maio de 2009

Por: Felipe de Souza

Fotos: Waldomiro Aita

Nota da Produção: Em nota ao PoaShow, a Infinnity Produções esclarece que o atraso aconteceu em função da atração principal, o Down By Law, que levou duas horas para deixar o hotel. O produtor responsável pela banda impediu que a passagem de som do Dead Fish ocorresse antes da passagem do Down By Law, ocasionando o atraso.

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