Angra e Sepultura

Noite de temperatura amena em Porto Alegre e as duas maiores bandas do Metal nacional, Angra e Sepultura, se apresentam na Casa do Gaúcho, novo ponto de shows na capital. Aproximadamente 1600 pessoas compareceram para presenciar esse encontro histórico.
O evento começou com um atraso de aproximadamente 50 minutos, quando sobem ao palco os gaúchos do Tierramystica, banda que faz um Heavy Metal melódico com elementos de música andina. Se esse proposta lembra a já consolidada Toccata Magna, não é por acaso. A banda foi formada pelo ex-guitarrista da Toccata, Fabiano Muller, que recrutou outros músicos para seguir com proposta similar (inclusive o ex-vocalista Ricardo Chileno toca charango como músico convidado).

Banda que divide opiniões na cena Heavy Metal do Rio Grande do Sul, o Tierramystica cumpriu bem o seu papel, fazendo uma apresentação acima das espectativas da maioria e agradando principalmente nos covers bem escolhidos, “Run to the Hills”, do Iron Maiden”, e a surpreendente “Burn”, do Deep Purple.

Por volta das 21h50 quem entra em cena é o Angra. Com nova formação, que marca o retorno do baterista Ricardo Confessori à banda, e após árdua batalha judicial contra o ex-empresário (que tinha como questão central o uso do nome Angra e que tomou mais de 2 anos de atividades da banda), os paulistas mostraram muito bem por que voltaram.

As expectativas quanto ao Angra eram as mais variadas. Vídeos com performances ao vivo após o retorno pipocaram na internet, geralmente alvo de críticas ferrenhas, principalmente no que se refere ao desempenho vocal de Edu Falaschi. Críticas, muitas vezes, procedentes e justificadas. O mais polêmico, apresenta um Edu desafinado e incompetente, no programa “Altas Horas”, da Rede Globo. No entanto, o que se viu em Porto Alegre, foi exatamente o contrário.

A banda abre com “Carry On”, música que, apesar de ser o maior clássico do Angra, já deveria ter sido banida do set list da banda há muito tempo. A versão de “Carry On” apresentada aos gaúchos ficou realmente abaixo da linha, principalmente no quesito vocal. O Angra não precisa mais dessa música e estaria resolvendo dois problemas ao dispensá-la: pouparia Edu das críticas que recebe tentando cantar uma música que é feita para a voz de Andre Matos e, além disso, assumiria a postura de grande banda que é, não se apegando a um clichê.

A partir dali, o que se viu, foi o “velho Angra” de volta.

Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, grande dupla de guitarristas, continuam trabalhando muito bem juntos. Felipe Andriolli, baixista exímio. Ricardo Confessori, cumprindo com competência a ingrata tarefa de substituir Aquiles Priester, sem precisar valer-se do trunfo de ser o baterista original do Angra. E Edu, cantando muito bem. Um Edu Falaschi felicíssimo e desenvolto mostrou-se muito à vontade no palco e cantando muito, de forma que não lembrava nem um pouco aquele Edu do “Altas Horas”. É justo que as mesmas pessoas que o massacraram em fóruns e sites de relacionamento agora reconheçam o grande vocalista que Edu provou ser. Já foi melhor, é verdade. Mas ainda está em ótima forma.

O repertório também foi bem escolhido. Contou com “Nova Era”, “Rebirth”, “Make Believe” (que muitos desacreditaram, mas que foi executada de forma impecável), “Course of Nature” e “Nothing to Say”. Em 80 minutos de show, o Angra matou a saudade de seus fãs fiéis, que cantaram todas as músicas a plenos pulmões e ainda surpreendeu muitos de seus desafetos com um ótimo show.

Parte do público deixou o local com o fim do show do Angra.

Vinte minutos antes da meia noite o Sepultura sobe ao palco.

Com fãs muito fiéis, a banda chega com tudo. Ao contrário das duas bandas anteriores, não foram prejudicadas pelo som e isso também ajudou. Assim como o Angra, o Sepultura tem um baterista de missão igualmente ou ainda mais ingrata. Jean Dollabela, que substitui Igor Cavalera, também superou as expectativas e espancou a bateria com firmeza. Utilizou fones com metrônomo em algumas músicas, e isso chamou a atenção.

O primeiro ponto alto foi “What I do”, single do último álbum “A-Lex”. Mas em seguida vieram grandes clássicos que por pouco não botaram a Casa do Gaúcho abaixo.

As músicas da chamada “Era Max”, como “Refuse/Resist”, “Territory”, “Arise”, “Troops of Doom”, Inner Self” e até mesmo “Dead Embryonic Cells”, bem como músicas clássicas do período Derrick, “Nation”, “False” e “Convicted in Life”, foram muito bem recebidas pelo publico presente.

Mas o mais impressionante era, sem dúvida, a energia e força do Sepultura no palco. Isso justifica, com louvor, o fato de serem a maior banda brasileira de todos os tempos, bem recebida ao redor do mundo. Os 25 anos de estrada fizeram muito bem à banda, que mesmo com significativas mudanças de formação, mostra tranquilamente por que se mantém no topo.

O encerramento, destruidor, contou com “Roots Bloody Roots”, com a já clássica introdução vociferada por Green: “Sepultura, do Brasil!!!”.

Para encerrar a noite que já tinha sido perfeita, veio a jam que já era esperada.

O que não foi o esperado, foi o repertório: “Immigrant Song”, do Led Zeppelin, cantada de forma constrangedora pelos vocalistas que não sabiam a letra, “The Number Of The Beast, do Iron Maiden, gol certo. A grande surpresa da noite, tocada pela primeira vez nessa tour: “Back In Black”, do AC/DC, muito bem cantada pelo baterista do Angra, Ricardo Confessori, e, por fim, Paranoid, do Black Sabbath, muito bem cantada com vocal limpo por Derrick Green.

E foi com essa grande celebração que foi encerrada esta marcante reunião do Metal Nacional em Porto Alegre. Quem não foi, perdeu. Muito.

Casa do Gaúcho | 24 de maio de 2009|

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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9 Comments

  1. Marcus Rovere

    Muito bom o texto, só discordo quanto a carry on, mesmo q seja manjada e tudo o mais, qdo ela é tocada eh sempre MUITO afude, n da pra imaginar show do angra sem ela, seria o mesmo que sepultura sem roots, mas mto bom o texto e o site, mais uma alternativa para otimos reviews daqui… abraço!

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  2. Gustavo

    Sepultura estava muito bom!!!

    Estou meio surdo e com os ouvidos zunindo até agora…

    Os caras tocaram muito alto e muito bem, o Dollabela bateu
    forte na batera, me impressionei, não esperava tanto dele.

    “We are Sepultura from Brazil; um, dois três…”

    []s.

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  3. Karina Kohl

    “Um Edu Falaschi felicíssimo e desenvolto”
    Sabem que senti exatamente isso??? E não só do Falaschi! Kiko e Rafael também pareciam estar exalando a alegria de voltar aos palcos… e foi uma grata surpresa, tive um pouco de receio desse hiato de 2 anos, mas foi fantástico!!!
    Abs!

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  4. Gian Couto

    O Sepultura foi de uma grandeza incrível, excelente presença de palco, agitando muito o público.
    O Angra foi bem, mas deixou a desejar. Foi muito prejudicado pelo som péssimo, aliás o som do Sepultura foi magnifico, a bateria fazia o chão tremer.
    Parabens ao Sepultura, que fez um grande set list abrangindo todas as fases da banda.
    APENAS UMA PERGUNTA, POR FAVOR QUEM PUDER RESPONDA, QUAL FOI O SET LIST COMPLETO DO SEPULTURA??? ME LEMBRO DAS MÚSICAS MAS NÃO A ORDEM NAS QUAIS FORAM TOCADAS.
    SE ALGUEM PUDER ME AJUDE.

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  5. Badalotti

    gostei do show do Angra…o som nao tava muito bom mas mesmo assim deu pra curti…já o Sepultura foi destruidor..segundo show que eu vo…cada vez melhor…tive a impressao de que tinha mais do que essas 1600 pessoas….quanto a casa do gaucho tbm achei muito bom lugar pra esses shows

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  6. Pedro ( Barre)

    muito bom os 2 shows. não posso falar do primeiro, pois não sei se foi por causa da ( des )organização do evento ou oque eu entrei e a primeira banda ja estava no fim do show. Uma pena pois pelo que ouvi de fora parecia bom.
    Angra mto bom,se não tocassem carry on os fãs iam ficar decepcionados. Sepultura melhor ainda, ótimo set!

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  7. Fábio

    Mto bom nao conhecia o site, e sou de SP assisti o show do angra e sepultura aqui em jaú um dia antes da apresentação no altas horas, primeiro sou fã da banda, e as criticas dos orkuts foruns da vida foram mto válidas para a apresentação que fizeram aqui em minha cidade, tanto com relação ao Edu como em relação a integração entre baterista e guitarristas que me vários momentos principalmente nos solos se perdiam no tempo da música. Fico feliz de saber que essas apresentações estão fazendo bem pra banda que está melhorando.
    Quanto ao Sepultura literalmente eles estão provando que realmente são a melhor banda do Brasil sem dúvida, show impecável o jean mandando muito bem agora sepultura com o igor era foda demais!!!.
    Grande abraço a todos!!

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  8. Lucas

    Cara o show do angra tava incrível (tirando a acústica que era pobre e um tanto quanto débil) bleeding heart foi linda, rebirth, enfim todas as músicas tavam ótimas, foi aquilo, o show do angra foi pra mente, e o do sepultura foi pro corpo, na territory e convicted in life bati cabeça até dizer chega, to com dor no pescoço até hoje…o show do sepultura tava destruidor…fico pensando..quando será que os caras voltam??? Loco pra ir num show desses denovo
    (OBS: immigrant song fico fraca….)

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