Rita Lee

Na última sexta-feira a cantora Rita Lee veio a Porto Alegre para apresentar, pela segunda vez, seu mais recente show, Pic Nic. Acompanhada de seu filho Beto Lee e do marido, Roberto de Carvalho nas guitarras, além dos músicos de apoio, Rita desfilou um vasto repertório baseado em hits e comentários novelísticos ao longo de duas horas de show.

Com um pequeno atraso de 15 minutos, A banda começa com “Flagra”, “Nem Luxo, Nem Lixo” e “Saúde”. Uma bela trinca de sucessos que levantaram, logo de cara, o público presente. Público esse que, a partir daí, mostrou-se um pouco comedido, mas sem deixar de demonstrar carinho pela cantora.

“Já faz mais de um ano que eu não venho aqui nesse teatro… nesse meio tempo tanta coisa aconteceu… lá fora ainda era o Bush, aquele babaca, aquele imbecil… que mais? Ah, roubaram nosso caminhão com nossos equipamentos… mas não foi aqui não… mas, enfim… a Dercy não tinha feito 100 anos… aliás, tinha, a Hebe que não tinha feito 80!”.

Aqui, claro, risos. Risos que, aliás, permearam toda a apresentação. O talento de Rita Lee para a comédia é impressionante e, aliado a sua simpatia e carisma, arranca gargalhadas até dos fãs mais sérios.

“Agora vamos fazer duas músicas para as mulheres”. Vieram, então, “Cor de Rosa Choque” e “Todas as Mulheres do Mundo”. Ainda adaptou “Bwana” para “Obama”, em uma clara homenagem a quem chamou de “Negrão bonito, tesudo”, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Rita então lembrou: “Ah, teve mais uma coisa: nesse meio tempo fui operada as pressas de hérnia de disco… esse negócio de envelhecer tem disso, sabe… agora não posso mais pular no palco… não posso segurar a guitarra, que pesa, só um violãozinho… mas um dos criadores do Rock and Roll, o Chuck Berry, está com 81 anos e fazendo show… eu com 62 acho que ainda chego lá…”.

E foi exatamente com Berry que Rita Lee começou uma breve seqüência de covers: a ótima versão de “Roll Over Beethoven”, foi, com toda a certeza, um dos pontos altos do show. Também se fizeram presentes uma versão de “Vingativa”, das Frenéticas, com vocais divididos com as backing vocals Rita Kfouri e Débora Reis e, ainda, “O Bode e a Cabra”, versão de “I Wanna Hold Your Hand”, dos Beatles.

Sim, você leu exatamente isso. “I Wanna Hold Your Hand” foi transformada num “forrock” com uma letra que realmente estranhíssima. A letra pode ser encontrada na internet, bem como vídeos no Youtube. Convido-o a fazer seu próprio julgamento sobre o que alguns acham hilário e outros bizarro.

Antes de “Tão”, música com uma letra inteligente e bem sacada, tivemos a oportunidade de assistir uma rápida demonstração de grosseria de Roberto de Carvalho, que gritou “aumenta o click, porra!!!!” com alguém da equipe. Causou breve constrangimento em quem estava prestando atenção.

Rita Lee então veste uma peruca de cabelos rebeldes para uma canção dos Mutantes, que foram lembrados com “Baby”. Rita erra a letra, mas poucos percebem. Aliás, desde o começo do show chamou a atenção o fato de a cantora ter uma estante de partitura com as letras das canções a sua frente. Mesmo com tantos anos de carreira, ela ainda prefere a segurança da pastinha.

O público volta a se manifestar mais fortemente no encerramento do show, com “Doce Vampiro”, que ganhou uma vocalização final que se transformou em uma declaração de amor ao… Internacional! Os colorados presentes foram à loucura com frases como “dormir e sonhar com o meu Internacional” e “Nilmar, aquele safadinho que fez aquele golaço contra o Corinthians”. E do Grêmio, nada.

A banda encerra com “Ovelha Negra” e “Agora Só Falta Você”.

Rita então volta para o bis vestindo uma camisa do Internacional, com o numero 100, em referência ao centenário do clube, comemorado esse ano e ainda com seu nome nas costas. Obviamente causou euforia nos colorados e ganhou vaias dos gremistas. “Que que eu posso fazer, gente? É meu coração…”. Perdeu pontos com os tricolores.

O final previsível contou com “Mania de Você”, “Erva Venenosa”, que Rita Lee cantou com uma falsa cobra no pescoço e, logicamente, “Lança Perfume”.

Foram duas horas de show em que a jovem senhora de 62 anos mostrou que ainda está em plena forma.

Rita Lee e a Novela

Durante o show, Rita Lee fala muito. Conversa de forma eloqüente entre uma canção e outra. Nesse show, especialmente, a cantora fez muitas referências à novela “Caminho das Índias”, da Rede Globo. Seguem abaixo alguns dos comentários televisivos de Rita Lee:

“Agora apresento a vocês, a banda dos Dhalits” – Ao apresentar a banda.

“Vou fazer uma tradução livre do ‘tic’. ‘Tic’ pra mim é o hum-hum. Aquela concordância. Já o ‘hare baba’ é aquele lance, você usa em várias situações… espanto: ‘hare baba’. Raiva: ‘hare baba’. Então o ‘hare baba’ seria ‘puta que pariu!’” – Fazendo análise da expressão mais famosa da novela.

“Na guitarra, o meu Chankar, Roberto de Carvalho” – Em referência ao personagem de Lima Duarte.

“Ao invés de arrastar o sare pelo mercado… nos backing vocals…” – Apresentando as backing vocals com analogia as mulheres da novela.

Rita Lee mostrou que, além de comandar os “negócios da família” no palco, ainda tem tempo de ver novela. Impressionante.

Teatro do Bourbon Country | 29 de maio de 2009 |

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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