McFly

Conceito de “Boy Band”: 4 ou 5 caras bonitos (ou pelo menos vendidos como tal) cantando músicas compostas por compositores contratados, dançando coreografias criadas por coreógrafos contratados em apresentações onde são acompanhados por músicos contratados.

Em música, quando se pensa em fenômenos teens, logo pensamos nas “Boy Bands”. Mas o que acontece quando uma boy band compõe, toca e canta bem?

Foi o que o McFly veio mostrar nesta terça, em Porto Alegre.

Essa foi, sem dúvida, uma noite especial. Começou com tudo o que envolveu o pré-show. Fãs com mais, digamos, tempo livre, armaram acampamento desde o domingo no Shopping Bourbon. Chamou a atenção também o público, predominantemente feminino e adolescente. Nossa equipe fazia parte das poucas pessoas maiores de idade que não estavam lá com os filhos.

Quase que pontualmente, começa o show. Enquanto Tom Fletcher (Vocal / Guitarra), Danny Jones (Vocal / Guitarra), Dougie Poynter (Vocal / Baixo), e Harry Judd (Bateria) subiam ao palco, mais um destaque: os gritos mais altos que se teve notícia em Porto Alegre. Esqueça Pearl Jam, Nightwish ou mesmo o Iron Maiden. O público do McFly é, disparadamente, o mais barulhento. Para superar toda essa animação, o som não deixou por menos. Além da qualidade habitual do Teatro do Bourbon Country, o volume seria exagerado, não fosse a única forma de ouvir as canções do grupo com nitidez. O volume por vezes se tornava desconfortável, atingindo um patamar comparável ao do Sepultura. Diria até mesmo que apenas um decibelímetro (medidor de decibéis, aquele aparelho utilizado por pessoas chatas para prejudicar bandas de Rock) poderia sanar a dúvida.

Logo na abertura, com “One for the Radio”, o lugar foi tomado por gritos. Muitos gritos. Felizes, e muito carismáticos, ganharam o público que já estava ganho. Emendaram mais dois sucessos, “Everybody Knows” e “Do Ya”. A performance da banda, perfeitamente condizente com as gravações, mostra que apesar da pouca idade os garotos sabem muito bem o que estão fazendo e o fazem com competência.

“Hey Porto Alegre!!! Esse é nosso melhor show no Brasil”. O que parecia precipitado, era compreensível diante da reação insana do público da banda frente a eles.

Também arriscaram alguma comunicação com o público. Enquanto o baixista Dougie Poynter levantava a galera com gritos por vezes incompreensíveis, Danny Jones foi mais delicado e arranhou o português com muito sotaque que soou como “Eutch Amo” e “Vosse eh bom nita” . Logicamente as meninas foram à loucura. Dougie então preferiu a sinceridade de um arroto e causou risos.

Houve também espaço para baladas como a bela “Down Goes Another One” e o hit radiofônico “Falling In Love”, um dos pontos altos.

Após cerca de 1h10 de show, a banda deixa o palco, para aquele velho intervalo. Retornam com os hits que faltavam, “Lies”, talvez a única que tenha perdido o brilho ao vivo e “Five Colours in Her Hair”. Jogaram água na galera, distribuíram palhetas, baquetas e sorrisos, apertaram algumas mãos e ergueram uma bandeira do Brasil. Saíram da mesma forma que entraram: completamente ovacionados. Prometeram ainda, voltar em breve, criando um novo sonho nas meninas que já viviam um. E foi assim que a banda que divide o título de fenômeno do momento com os Jonas Brothers deixou o palco e muitas saudades em seus fãs fiéis.

Os Records do McFly

McFly é o Michael Phelps da música Pop. Segue abaixo alguns dos records batidos pelos meninos em Porto Alegre:

– Maior numero de gritos histéricos

– Maior número de câmeras fotográficas / celulares apontados para o palco

– Maior número de pais esperando no final do show

– Maior número de decibéis no Teatro do Bourbon Country

– Maior número de menores de idade em um show internacional

– Maior número de pais aborrecidos dentro do show

– Mais lágrimas

– Maior número de pessoas socorridas durante o show (mais de 30)

Justiça seja feita

É compreensível, e até natural, que fenômenos como o McFly sejam encarados com desconfiança e preconceito. Nosso colaborador Angelo Borba diria que não é preconceito, é pós-conceito, dada a pouca qualidade que, normalmente, esses artistas apresentam. Mas com o McFly, é diferente. Os quatro rapazes tocam bem. Os três cantores cantam bem, tanto separadamente quanto em harmonia. As composições são excelentes na sua proposta, que é a de serem hits radiofônicos. Seus refrões pegajosos e suas linhas vocais grudam na cabeça, só que sem causar o incômodo do Funk. O carisma da banda é contagiante e a postura é segura, visto que se comportam como Rockstars, seja levantando a galera, clamando pelo grito, seja pisando no terreno do Hard Rock com sua presença de palco ou, até mesmo, lambendo a guitarra.

Quando você quiser ouvir um som pop, vale a pena dedicar alguns minutos ao trabalho dos meninos.

Teatro do Bourbon Country||02 de Junho de 2009|

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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12 Comentários

  1. Fanny Webber

    Depois que me disseram que o show do Paramore era bom, acabei mais tolerante a invasão da década. Isso inclui o McFly.

    Bom texto, boas fotos. Parabéns Marcel e Fabiana =)

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  2. Cristine F.

    O texto definiu McFLY de uma forma incrível: a forma que eles realmente são, sem preconceito algum.Sem dúvida, os meninos arrasam! *-*

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  3. Laura Bastos

    oi, sou fã e fui no show. o show foi realmente memoravel, simplesmente fantástico, adorei teu texto, apenas trocasse o nome do danny com o tom, pois o que falou “Tom Fletcher foi mais delicado e arranhou o português com muito sotaque que soou como “Eutch Amo” e “Vosse eh bom nita” esse foi o Danny Jones, o que falou em portugues…o Tom era o loiro do canto esquerdo de quem vê. 😀

    as fotos estão linda 😀

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  4. Karolyne

    Olha, ficou tri bom o texto e as fotos. Eu fui no show e ele foi épico! Nunca voiu me esquecer desse dia e gosto dos guris desde o começo, e isso que já não sou tão novinha e nem precisei de companhia de responsáveis pra ir ao show! E podem ter certeza que todos esses “recordes” obtidos no show de Porto Alegre são verdadeiros, pois eu saí de lá surda, sem voz e seca de tanto chorar! 🙂

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  5. Júlia Fletcher

    gente, infelizmente não deu pra eu iir, mais minha amiga que foi flou que foi PERFEITO !! e tipo, ela tirou super-fotos, né ? oou seja, fiqei babando legaaal 😀
    maais ano que vem se Deus quiser eeu vou .. :DD
    beeijones ;*

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