The Skatalites

Porto Alegre, 7 de junho de 2009. Para muitos gaúchos está data ficará na memória como o dia da MPJ (Música Popular Jamaicana) no Bar Opinião. Um grande show de virtuosismo dos Skatalites, uma banda onde um cantor seria mero coadjuvante.

Contudo, a história do Skatalites começa nos anos 60, em Kingston, Jamaica, quando o Studio One lança a banda e outros artistas como Bob Marley, Peter Tosh e Jimmy Cliff. Assim, em 1964,nascia o movimento da música popular jamaicana. Mais do que isso, surgia com o disco denominado “Foundation ska” um novo ritmo musical: o ska. Nesse disco, há canções com participação de Peter Tosh e de Bob Marley que, mais adiante, se popularizariam com outro ritmo jamaicano: o reggae, também proveniente do ska.

Mas voltando para o show de Porto Alegre, a noite de domingo estava fria e, nas redondezas da Rua José do Patrocínio com Venâncio Aires, a temperatura registrava 11 graus. Todavia, no Bar Opinião, o clima era quente e um público seleto já preenchia as dependências da casa quando, às 21h50min, os Skatalites surgiram no palco. O primeiro a aparecer, andando calmamente, com o auxílio de uma bengala, foi o baixista Val Douglas. Depois, venho o guitarrista Devon James e logo, um a um, apareceram os outros seis integrantes para delírio dos presentes.

Entre os músicos, dois carismáticos senhores estavam desde a formação original dos Skatalites em 1964: o baterista Lloyd Knibbs e o simplório saxofonista alto Lester Sterling que, na verdade, fisicamente, tem a estatura do Romário.

Entretanto, bastou os primeiros acordes musicais para o trompetista Kevin Batchelor, ex- Steel Pulse, sentir-se em casa. Com seu jeito hiperativo, o músico pulava, tocava, gesticulava e regia a platéia que ia ao delírio em cada solo de trompete, sax ou trombone dos músicos jamaicanos. E, entre eles, havia um convidado especial: o saxofonista baixo Cedric “IM” Brooks, um senhor risonho que só ficava sério quando fazia seu saxofone falar. E como falava. Além disso, entre um solo e outro, o jovem senhor dava aulas de dança caribenha ao público presente.

No repertório do show, os sucessos estiveram presentes. A primeira música foi “freedon sound” e, na sequência, teve “James Bond theme” , “Latin goes ska” e “Eastern Standart Time”. Mais adiante, os jamaicanos ainda mostraram que o reggae corre nas veias literalmente em “Rock fort rock”, “real rock” e finalizando, antes do bis, com “Rivers of Babylon”.

Entretanto, em “Guns of Navarro”, outro sucesso da banda, a platéia foi ao êxtase, o ápice da alegria, e a pista do Bar Opinião parecia uma panela de pressão. O público cantarolava, pulava, dançava, se abraçava, e algumas pessoas “flutuavam”, erguidas nos braços da galera, de tal modo que o saxofonista alto, Lester Sterling, chegou a ganhar um beijo carinhoso na bochecha de um fã flutuante que aterrisou no palco.

Para completar a apresentação memorável, a presença de uma convidada com pompa e circunstância: Doreen Schaffer que cantou cinco músicas. Ela é considerada a primeira dama do ska e, também, assim como Lester e Lloyd, faz parte da semente original dos Skatalites. Doreen entrou tímida no palco, talvez, pelo frio e ficou no canto à esquerda de quem olhava. No entanto, bastou começar a cantar a primeira música para ter o público aos seus pés. Com sua voz doce, a primeira dama do ska cantou, entre outras, “sugar sugar” e “simmer down”, está última gravada originalmente pelos Skatalites, no disco “foundation ska”, com vocal de Bob Marley. Após a quinta música, Doreen saiu aclamada e reverenciada pelo público.

Assim, com músicos de grande competência, no ramo da excelência musical, os Skatalites fizeram do show, na domingueira do Bar Opinião, uma grande festa popular jamaicana regada à ska, improvisos musicais e alegria geral da nação. Uma festa de música instrumental da melhor qualidade.

Mas como tudo que é bom acaba, às 23h44min, depois de quase duas horas de um show eletrizante, incluindo o bis, os Skatalites encerraram sua apresentação para os privilegiados que estiveram no Bar Opinião, dia 7 de junho de 2009. Essa data ficará na história como o dia em que a capital gaúcha recebeu, no seu templo sagrado, os criadores do ska e do reggae. Contudo, a sorte foi dos fiéis que, por devoção, enfrentaram o frio e, como recompensa, dançaram e se divertiram até quase segunda-feira. Um show que foi a mistura da magia jamaicana com a farra brasileira, no melhor sentido da palavra.

Bar Opinião|07 de junho de 2009|

Por: Silva Júnior

Fotos: Felipe Grahl

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3 Comentários

  1. Renatinha

    Muito boa a matéria…E realmente temos que valorizar também o Opinião que, desde 1983, abre espaço para as bandas locais, internacionais, que estão ou não na mídia..Parabéns Opinião!!

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