The Sisters of Mercy

Um frio causticante tomava conta de Porto Alegre na noite de 3 junho de 2009…  clima perfeito para o show de um dos ícones do . Sendo essa primeira apresentação do The Sisters of Mercy em terras gaúchas, havia muita expectativa em relação ao que se veria naquela noite.

Devidamente à caráter, grande parte dos fãs presentes não escondiam a empolgação de tornar real o sonho de ver e ouvir “ao vivo”, aquela que é considerada por muitos, uma das mais influentes bandas do estilo. Por volta de meia hora antes do horário previsto para o início do show, uma pequena e animada roda se formou ao lado do bar inferior do Opinião para conversar e tirar fotos com um dos integrantes da banda (o guitarrista Ben Christo), que fazia questão de atender a todos com desenvoltura, fazendo com que atraso de quase um hora passasse quase despercebido, pelo menos por estes.

Sendo hoje acompanhado por apenas dois guitarrista no palco, juntamente com alguma encarnação moderna da outrora inovadora Doktor Avalanche(máquina de ritmos utilizada em lugar de um baterista), a Irmandade de Andrew Eldritch(vocalista e único membro da formação original) finalmente surgiu em meio à luzes e muita fumaça, era chegada a hora de conferir o que a atual encarnação do Sisters tinha para apresentar.O set iniciou com a explosiva e empolgante(apesar de nova), “Crash & Burn”, fazendo todos se aproximarem do palco, acreditando que logo seriam recompensados pela fé que os moveu até ali…  a apresentação seguiu na mesma pegada com “Ribbons” e “Detonation Boulevard”, ambas do segundo álbum Floodland. Veio o clássico “Alice” e esse foi início do fim… não do show, mas do sonho.

A reação do público ao show que vinha sendo apresentado e ao que se seguiria, causava estranheza a todos que não estivessem comprometidos com a versão 2009 do The Sisters of Mercy. O comprometimento da banda com seu público fiel também era posto prova, visto que não havia uma boa resposta aos estímulos da apresentação, e saber quando e como gerenciar as expectativas do espetáculo e do público é uma das coisas mais importantes em um show como aquele. A banda poderia ter sentido isso e encarrilhado mais alguns hinos tidos como certos – “Walk Away”, “No Time To Cry”, “More”, “Doctor Jeep” ficaram de fora – ou mesmo lados B mais empolgantes. O cuidado na escolha do repertório de apenas 01:20hs não  ocorreu, e aliado a deficiências na equalização da casa(ou da banda?!) deixaram o resto noite entre altos e baixos. Não que estivesse ruim, bem pelo contrário, mas os inúmeros re-trabalhos nas músicas clássicas e timbragens de guitarra incompátiveis com as mesmas, fizeram com que os olhares de muitos desviassem do palco se perguntando: Porquê soavam tão diferentes aquelas canções? Talvez a dupla de guitarras se esforçasse em demasia para acrecentar entusiasmo ao público com sua performance inquieta e deixasse de lado as melodias e texturas que são marca registrada das “Irmãs”, assim como a inexistência de um baixo que foi deixado por conta de um programador-tecladista, afetando de maneira muito séria a essência do Sisters… o vocal de Andrew soava bem, mas somente quando se podia ouvi-lo com clareza em meio a parede de guitarras em que ele se cercou nesse últimos tempos.

Seguiram “Flood I”, “Floorshow”, “Anaconda”, “Marian” que acabou ressuscitando o público para ser morto em seguida por “We Are The Same Suzanne” e “Arms”. O restante do show seguiu neste caminho entre algum êxtase e muitas quedas. Mesmo clássicos como “First and Last and Always”, “This Corrosion” e “Lucretia My Reflection” ficaram muito estranhas com suas novas texturas e abreviações a ponto de perder o seu lugar no ápice deste encontro um tanto robotizado entre entidade desfigurada e seus seguidores. Tivemos ainda duas(!!) dramáticas pausas antes de um final com “Temple of Love”!
Claro que devíamos todos ter revisto nossas preces antes de comungar no templo, e não somente após a apresentação lamentar pelo templo estar ruindo.

Por: Aurélio Rockfelle

Fotos: Paulo Capiotti

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2 Comments

  1. tomazprz

    Bom, pra mim o show foi excelente, sou fã do Sisters e acho genial esse toque “novo” na banda, faltou ressaltar Dominion, a melhor música em relação público/banda.

    [Responder]

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