“Dois Barcos”. Foi assim que começou o show neste domingo. Sem dar um “olá” para a platéia, violão e voz, Marcelo Camelo começou a tocar esta que é a primeira faixa, do último álbum realizado pelos Los Hermanos. Já nessa primeira música Camelo convida os olhares atônitos do público a lhe acompanhar nos seus sussurros.
A
banda Hurtmold entra no palco, Camelo deixa o violão de lado, e são tocadas três músicas do álbum SOU: “Téo e a Gaivota”, “Tudo Passa” e “Menina Bordada”. Deixando a timidez de lado, Marcelo Camelo brinca, explicando que dessa vez o show era em pé mesmo, para que todo mundo pudesse dançar (referente ao show do ano passado, quando a banda resolveu deixar as cadeiras na pista do teatro).
Outra diferença em relação ao show do ano passado, outubro pra ser mais preciso, foi a iluminação. No show de 2008 a Hurtmold ficava escondida numa penumbra enquanto holofotes fortes demais cegavam Camelo. Dessa vez a iluminação estava impecável, bem distribuída, e balanceada até nas cores, o mesmo pode-se dizer do som (tirando alguns breves momentos em que o microfone do trompete não funcionou).
Num clima mais descontraído, são tocadas as músicas “Mais Tarde”, a conhecida “Janta”, e “Doce Solidão”, que foi acompanhada por todo o público em cada assobio. Voltando ao violão, Camelo toca “Pois é”, também do último disco dos Los Hermanos, seguida de “Liberdade”.
Nessa altura do show já estava estampada a qualidade dos músicos da Hurtmold, sempre atentos para que não falte nenhum detalhe do que foi gravado no disco.
Muito agradecido pelo carinho de todos, Camelo diz que a próxima música não foi muito ensaiada, mas está se sentindo tão a vontade que irá toca-lá. Ele erra na primeira, mas na segunda todos puderam escutar a versão “guitarra elétrica” da recente parceria que ele fez com Ivete Sangalo, na música “Teus Olhos”.
O show segue com “Morena”, “Vida Doce” e “Despedida”. É quando Marcelo Camelo sai do palco, e a banda Hurtmold fica tocando sozinha, sob uma iluminação amarela belíssima. Nesse momento a banda explora em sua performance, instrumentos como o clarinete-baixo e o pandeiro.
Quando Camelo volta, uma surpresa, toca “A Outra”, música do terceiro álbum dos Los Hermanos, seguida de “Santa Chuva” e uma versão animadíssima de “Copacabana”, com direito a percussão de carnaval e cavaquinho no final da música.
É de se reparar o modo como a banda estava organizada neste show, seus integrantes formavam um meio círculo, e Camelo ficava no meio, como um maestro, a reger de costas seus companheiros de estrada.
Seria um belo final pro show esse, mas mas eles ainda tinham uma carta na manga, e sem deixar o público suplicar muito tempo por um bis, todos voltam ao palco. Mais uma surpresa, tocam “Além do que se vê”, recheada de acompanhamentos que deram muito brilho a música. Nesse momento até os mais introspectivos se viram obrigados a cantar junto e soltar o grito de guerra que a letra possui.
Os músicos foram saindo um a um, sem parar de executar os acordes da música, o primeiro foi Camelo, depois um de cada lado do meio círculo, até que ficasse só o trompetista e o baterista, que finalizaram a música auxiliados pela voz do público.
Um espetáculo sonoro e visual, reverenciado por toda turma que gritou: “Assim é que se faz”!
Por: Samuel Nervo
Fotos: Paulo Capiotti





22 julho, 2009as 2:07
Samuel, adorei teu texto. O show, como descreveste, foi recheado de boas surpresas! Na saída o povo todo foi saindo do Teatro sussurrando… “lá, lárara, lárara, lárara… lárá!” LINDO!!
23 julho, 2009as 10:02
Também gostei do texto, e ao ler me arrependi muito por não ter ao show, mas terei outras oportunidades.
23 julho, 2009as 9:53
Seu Camelo é um cara repentino.
Inicia sem um cumprimento politicamente correto.
E há cumprimento melhor, vindo de um artista, senão a legítima demonstração artística?
Depois de velejar, o pessoal admirou – voou/sonhou/viajou – (com) a excêntrica e bonita carreira solo do Camelo.
Poisé, essa coisa de cegar o artista no proscênio (intensidade da luz) é criar uma quarta parede; válida somente no intuito de uma divisória entre a ficção e a audiência; tal como no teatro realista. Pois derrubem-na! Concordo com Bertolt Brecht em encorajar a platéia a assistir o que quer que esteja sendo apresentado de forma mais crítica, e consequentemente humana. Afinal, a integridade de qualquer concerto/show/peça reside na união platéia-palco.
Depois da descontração dada por “Janta” e afins, que bela escolha para voltar ao saudoso tempo de Los Hermanos: “Pois É”.
O empenho da Hurtmold deve ter proporcionado grande contentamento!
“Copacabana” deve ter desconcertado toda e qualquer vivalma do teatro, tirando suspiros e muitos, mas muitos sorrisos. O que dizer da última música…
Parabéns pelo texto, Samuel!
Ou melhor: “Assim é que se faz”!
23 julho, 2009as 11:44
O show foi sensacional mesmo. Não foi apenas uma execução de uma sequência de músicas, parecia uma peça teatral em alguns momentos, com a entrada e saída dos músicos durante as canções e o jogo d luzes.
27 julho, 2009as 11:40
Lindo texto Samuel. Pela tua clareza e tantos detalhes pude sentir ou no mínimo imaginar, um pouco da beleza do show.
Certamente um belo espetáculo pra quem gosta do moço Camelo e esteve lá.
Abraços
11 agosto, 2009as 12:48
O texto ficou muito bom, Samuel.
Meus parabéns!
Espero que logo tenhamos mais um show incrível como o esse!
30 setembro, 2009as 3:03
Poxa que legal que muitas pessoas gostaram do show e fizeram comentarios sobre a iluminaçao…
sempre fazemos o maximo para agradar o publico e a banda…
abraços a todos Marcos iluminador