Maria Rita

Foi com a alegria típica do samba que Porto Alegre recebeu pela quinta vez Maria Rita, grande revelação da nova MPB e filha da lendária Elis Regina. Um público apenas razoável (cerca de metade da capacidade do local) e predominantemente feminino aguardava pela apresentação.

Maria RitaVestindo uma mini blusa rosa e uma saia longa, com a barriga a mostra, Maria Rita sobe ao palco com um atraso ainda tolerável de 20 minutos (o que é demais no TBC). Abre com “Samba Meu”, que dá nome à tour e, na sequencia “O Homem Falou” e “Tá Perdoado”. Foi ovacionada. Maria se mostra bastante desenvolta, extremamente à vontade no palco. Movimenta-se muito, anda de um lado para outro, dando muito trabalho aos fotógrafos. O palco, belíssimo, também chama muito a atenção. Com animações no telão ao fundo de transparências em tecido, causando um efeito no mínimo interessante. E, finalmente, sua música, que não deixou por menos. Samba de primeira linha, cantado com prazer e executado por uma banda muito competente e bem ensaiada, que transformou o TBC em uma verdadeira festa.

Simpática, mas com certa dificuldade com as palavras, Maria Rita agradece a todos, aos que vieram pela primeira vez e aos que retornaram, e disse ainda que quando iniciou a tour Samba Meu, sua única preocupação era levar esse show a Porto Alegre. Ganhou o público. Seus fãs, bastante devotos e conhecedores de seu trabalho, cantavam todas as letras a cada nova canção. Foi assim com “Maria do Socorro”, “Caminho das Águas” e “Muito Pouco”. Esta última, especialmente, um dos pontos altos do show. Com seu andamento inicialmente tranquilo, emociona pela intensidade e emoção com que é interpretada, além de ser recheada pela participação constante dos fãs presentes.

A banda fecha a primeira parte da apresentação com “A Festa”, música que lançou Maria Rita ao sucesso.

Maria RitaMaria Rita deixa o palco e, após longo trecho instrumental, retorna com um vestido curto e brilhante para o final de “A Festa”.

A partir daí, ainda mais samba: “Num Corpo Só”, “Maltratar Não É Direito” e “Conta Outra” botaram o público pra sambar, o que foi outro ponto interessante e singular desse show: pessoas dançavam. Sozinhas ou acompanhadas, sabendo ou não, não importava. O fato é que as pessoas se deixavam levar pela cadência do samba e pela voz belíssima de Maria Rita.

O bis contou com o clássico do samba “Não Deixe o Samba Morrer”, outro destaque, e ainda a repetição desnecessária de “O Homem Falou”, encerrando essa grande noite de samba e MPB em Porto alegre.

Maria Rita mostrou muito bem a que veio. Cantou muito bem, interpretou muito bem e, acima de tudo: mostrou personalidade. Maria Rita não é mais, e nem pode ser, a “filha da Elis”. Isso seria injusto com ela. Deixou de lado a gesticulação peculiar e a postura que geravam essas comparações. O timbre de voz é semelhante, é verdade. Mas todas as outras qualidades que fazem uma grande cantora Maria Rita tem por méritos próprios. E ainda nos traz, de presente, toda a alegria do samba.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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1 comentário

  1. Adriana

    Não sei se tu estavas no mesmo show que eu, pois dizer que foi composto apenas por um público razoável é, no mínimo, inverdade. Concordo quando dizes que não estava com lotação máxima, mas só a metade???? Nem pensar. E te digo isso, pois me informei com uma menina da Opus antes do show. Todos os ingressos foram vendidos ainda no domingo anterior (o show foi 4a feira). De resto, concordo contigo. Foi um show maravilhoso! 😉

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