Francis Hime e Geraldo Flach

Francis e GeraldoO Festival de Inverno deste ano nos proporcionou um momento muito especial e inédito: o encontro de dois talentosíssimos músicos nacionais, Francis Hime e Geraldo Flach. Os dois se conheceram anos atrás em uma apresentação que o pianista gaúcho fez no Rio de Janeiro, e que no seu repertório constava uma composição de Francis. Após o término da apresentação, por uma incrível coincidência, Geraldo descobriu que o compositor estava na platéia. Ali deu-se início a uma amizade que dura até hoje, e foi coroada com uma belíssima noite no teatro São Pedro, a qual vou tentar descrever para vocês.
A noite começara com Geraldo Flach ao piano sendo acompanhado por Fernando do Ó na percussão, fazendo um trabalho fantástico, imprimindo muita vivacidade às músicas que Geraldo apresentava. Foi um set curto, que serviu para apresentar seu trabalho para os mais desavisados, como este que vos escreve, e preparar o terreno para seu ilustre convidado.
Todos os presentes puderam admirar o talento deste compositor, que mostrou alguns números de sua autoria e  ainda desfilou, em formato de “pout-pourri”, músicas consagradas por grandes nomes da nossa música, como foi o caso de Capoeira, de Baden Powel.
Passados cerca de 30 minutos, sobe ao palco do teatro, este que é um dos mais consagrados compositores da música popular Brasileira: Francis Hime. O currículo deste homem é invejável, já teve músicas gravadas por praticamente todos o cantores/compositores de renome no cenário nacional, e vão desde Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Giberto Gil, Cartola, Roberto Carlos e mais uns 10, 20,30, sei lá, é de perder a conta. É daqueles artistas que todo mundo já ouviu uma música sua, mas muitas vezes nem sabe.
Francis se dirigiu ao piano ao som de Meu Caro Amigo, composta em parceria com Chico Buarque e que Geraldo tocava para receber este caro amigo, com o perdão do trocadilho, mas é que o intuito dos dois era este. Depois de uma rápida apresentação, voltam a toca-lá, só que agora com direito a letra, cantada por Francis. O segundo número ficou por conta de Trocando em miúdos, outra parceria com Chico e que emocinou os presentes com uma bela interpretação pelos dois pianistas.
Agora sozinho no palco com seu belo piano, Francis tocou várias composições suas em parceria com outros nomes de nossa música, e que estão no último disco do artista, Àlbum musical n° 2, que privilegia os “lados-b” de sua carreira. Destacaram-se deste repertório a parceria com Gilberto Gil em Carro de boi dourado, que no CD é interpretada por Lenine, e nesta noite ganhou uma versão muito bonita de Francis, que não é um exímio cantor, mas garante bem a voz nas suas composições. Outro destaque ficou com a primeira parceria entre Francis e Vinícius de Moraes em Saudade de amar, que como contou o compositor, foi selada há décadas, no ponto de encontro da boêmia músical carioca, o lendário bar do Antônio. Certa noite, Vinícius escreveu uma letra num guardanapo e deu de presente a Francis, para que musicasse. O resultado não poderia ser menos que belo. Esta foi outra que emocionou o público do teatro.
Sempre esbanjando simpatia e apresentando cada uma de suas músicas e sua respectiva história, Francis ainda nos presenteou com mais duas composições que tem histórias interessantes, como é o caso de Lindalva que foi composta na época da ditadura e como tantas outras foi proibida, mas neste caso, não foi por ter alguma mensagem politicamente subversiva, mas por conter o verso “nua em pelo”. Acabou que na gravação saiu sem esta “terrível” frase. Agora, anos mais tarde, foi regravada no seu recente álbum e cantada por seu também parceiro, Paulinho Moska. Ah, e com direito a temida frase, “nua em pelo”. O outro caso a que me referia foi o de uma composição sua e com letra de uma das mais queridas atrizes do nosso país, Viajante das almas traz  Fernanda Montenegro para o campo da música,  narrando as dificuldades e prazeres da profissão de artista.
Para o fim da apresentação os dois músicos se juntam a Francis e executam aquele que é o maior sucesso da carreira do compositor: Vai Passar anima os presentes com seu ritmo carnavalesco e sua bela letra.
Ao término do show todos saíram com a sensação de que a parceria entre estes dois conspícuos compositores demorou muito para acontecer, mas por sorte nossa ela se iniciou aqui. Agora só falta esta parceria se estender para a área da composição, aí sim, ficaria completa.

Por: Angelo Borba

Fotos: Camila Zuchetto

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