João Bosco

Uma das grandes atrações do 4° Festival de Inverno de Porto Alegre se apresentou no Teatro do Bourbon Country nesta noite de sexta-feira. João Bosco com seus quase 40 anos de carreira, fez uma apresentação contagiante e quente do início ao fim.

O show começou às 21:10min de forma embalada, mas um pouco contida, perto do que viria depois, a primeira da noite foi Holofotes seguida por um samba bem antigo e já regravado por dúzias de artistas, Incompatibilidade de gênios fez o público vibrar, tanto com sua levada, como com os solos dos músicos que acompanham João nesta turnê, e que são os mesmos do último CD/DVD lançado pelo artista, Obrigado, gente, que se tornou seu bordão ao término de cada música apresentada. Mas voltando aos seus companheiros de estrada, é incrível como estes caras tocam! São poucos os casos em que a platéia não fica entediada com solos virtuosíssimos, e este foi um desses poucos casos. Bom gosto e muita técnica não são tão fáceis assim de se juntarem. Vale citar o nome dessas feras: Nico Conceição no baixo, Nelson Faria nas guitarras e Kiko Freitas na bateria.

A terceira canção da noite foi Bala com Bala, grande sucesso de sua carreira, seguida de Odilê, Odilá e O ronco da cuíca, mantendo o pique do show, que contava com uma grande participação da platéia, ávida por ver no palco essa lenda da nossa música e que tem uma ligação muito íntima com nosso Estado, pelas parcerias com Elis Regina, que o próprio João fez questão de exaltar e relembrar algumas histórias e clássicos imortalizados na sua voz, como veremos adiante.

Neste trecho do show o clima dá uma acalmada, e as canções lentas tomam a tônica, começando por Tarde, de Milton Nascimento, seguida de Desenho de Giz e Lígia, de Tom e Chico, tanto a sua versão de Tarde e de Lígia ficaram muito bonitas, sendo acompanhadas pelo público que pareceu ter aprovado as duas versões.

Jade foi a escolhida para voltar a apresentação pro seu lado mais animado, e culminou em duas de suas músicas que  mais marcaram seu jeito de compor versátil, com aquele violão em um ritmo sem igual, foram elas: Nação e Coisa feita. Após essas duas, só vieram clássicos, a começar por Corsário, que preparou a platéia para o que viria depois…

Muitos artistas tem composições que não podem faltar nos shows, mas que se às vezes ficam de fora de uma apresentação, o público não sente tanta falta assim, por já estar cansado de ouvir. Mas com certeza este não é o caso de O bêbado e o equilibrista, que emocionou muito os presentes, fazendo alguns até chorarem. João cantou só a primeira frase da música, o resto ficou por nossa conta.

Terminada a apresentação o público queria mais, veio o já tradicional bis, que nesse caso surpreendeu, pelo número de músicas tocadas. Iniciou com Memória da pele, seguida de A paz e O trem azul, do antológico disco Clube da Esquina, que na época de seu lançamento, coincidia com o início da carreira de João Bosco, e que deu título ao último CD lançado por Elis Regina.

Papel machê, a exemplo de O bêbado e o equilibrista, foi outra cantada do início ao fim pela platéia. E pra terminar de vez o show, que chegou a exatas duas horas, Linha de passe encerrou de forma muito animada esta grande apresentação.

Ano que vem tem mais Festival de Inverno, se sua coordenação conseguir manter este nível, teremos mais uma semana de muita música e o que é melhor, de ótima qualidade

Por: Ângelo Borba

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