Roberto Carlos no Primeiro Show da Tour RC50 em Porto Alegre

Pré-estreia de alto nível em Porto Alegre. Roberto Carlos volta a capital dos gaúchos no projeto RC50 comemorando os 50 anos de carreira do Rei. Na noite do dia 12 a cidade recebeu o primeiro dos 5 shows de Roberto em Porto Alegre.

Antes do show, algumas surpresas: já do lado de fora era possível comprar todo tipo de lembrança do show, como camisetas, faixas e fotos. Além disso, binóculos também eram eRoberto Carlosncontrados com facilidade. E em tempos de pandemia, as máscaras e o álcool gel também estavam à venda. Vendeu bem, visto que foi possível observar diversas pessoas usando as tais máscaras. Chamou a atenção também a disposição de todo o aparato da Tour RC50. O palco não foi montado no local tradicional, de frente para o portão 1. Desta vez foi montado de frente para o Portão 6, cerca de 45 graus à esquerda. Um pouco estranho para quem está habituado aos shows naquele local. Além disso, não havia a tradicional “pista”. No centro do ginásio foi montado um belíssimo piso acarpetado, dividido em áreas.

Após um atraso de quase 40 minutos, que arrancou até algumas poucas vaias, apagaram-se as luzes. Após breve apresentação nos telões com momentos de Roberto Carlos Rede Globo, os músicos tomaram seus lugares. O maestro Eduardo Lage, então, tomou a palavra, apresentou-se e convidou: “A gente gostaria de começar esse show com vocês cantando”. Foi com a clássica “Como é Grande o Meu Amor Por Você” que o show começou, ainda sem o Rei.  A letra, cantada por todos de forma emocionada, ecoa por todo o Gigantinho. Houve ainda espaço para um pequeno interlúdio, que lembrou uma Opera Rock incluindo o refrão de “É Preciso Saber Viver” no meio da execução. Uma voz retumbante anuncia: “E agora com vocês: ROBERTO CARLOS!”.
O Rei entra em cena com o tradicional traje branco para “Emoções“. Após a introdução, uma pausa. Roberto sorri, suspira e começa “Quando eu estou aqui…“. Conforme previsto, foi ovacionado.

As pessoas se emocionam de maneira muito forte. A luz é impecável, com muito branco. Os efeitos luminosos são belíssimos e o som não deixa nada a desejar. O Gigantinho, famoso por proporcionar um som ruim à maioria dos shows, não influiu nesse aspecto. Eram  16 músicos da banda aliados a oito músicos da OSPA, especialmente convidados. Juntos proporcionaram um espetáculo sonoro de altíssima qualidade. Violinos, sopros, percussão, piano, guitarras, baixo, vocais…Não houve o que não pudesse ser apreciado com clareza. E a qualidade desses músicos é a qualidade que se espera de quem acompanha o Rei. Alguns deles, aliás, há algumas décadas.

“Que prazer…Rever vocês. Mais uma vez em Porto Alegre, ou Aeroporto Alegre, de tanto avião que tem por aqui. Mais uma vez, o Gigantinho. Já estou em casa aqui. Qualquer dia, moro aqui.” Após aplausos, o Show continua com “Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo” e “Além do Horizonte“, clássicas parcerias com Erasmo Carlos.

Um destaque dessa tour de aniversário é a interpretação intimista de “Detalhes“, onde RC toca violão. Com uma levada bastante sutil, flertando com a Bossa-Nova, essa versão é um dos momentos mais emocionantes da apresentação.

Roberto CarlosA partir dali, o Rei revisita todas as fases de sua carreira de sucesso. Desde a Jovem Guarda, com um medley que incluiu “É Proibido Fumar“, “Namoradinha de um Amigo Meu”, “E Por Isso Estou Aqui” e “Quando“, até as mais românticas como “Café da Manhã” e “Cavalgada“, sem esquecer de “Nossa Senhora” e “Mulher Pequena“. No início de cada nova canção, o ano de lançamento era estampado nos telões (Eram 3, um à esquerda, um à direita e um ao centro do palco, acima).
A escolha do repertório poderia ser, para alguns, mais acertada, visto que canções emblemáticas como “As Curvas da Estrada de Santos“, “Eu Sou Terrível” e “Todos Estão Surdos” ficaram de fora. No entanto a qualidade do espetáculo e a versatilidade do cantor e de seus músicos demonstrou que isto não foi fator determinante.

O show encaminha-se para o final com “Como é Grande o Meu Amor por Você” e “É preciso saber viver“, quando pessoas começam a tomar a frente do palco. Sabendo o que viria em seguida, a maioria das pessoas da “Área Azul” (mais próxima do palco) deixa seus assentos para o encerramento com “Jesus Cristo“. Uma versão extendida, de mais de 10 minutos, com a tradicional distribuição de rosas. Roberto é paciente, carismático e solícito. Mexe com alguns mais exaltados. Joga muitas rosas por toda a extensão do palco. Recolhe TODOS os presente que lhe são oferecidos, inclusive um quadro de seu iate “Lady Laura III”, oferecido por um senhor (que infelizmente não sabemos o nome). “Te espero no camarim”, diz Roberto, retribuindo o carinho.

Neste momento de contato direto com seus fãs, Roberto Carlos mostra que é não apenas um grande artista, mas um grande homem. Em nada lembra aquela arrogância tão clássica e tão patética que muitos artistas muito menores que ele insistem em ter.

Roberto Carlos é o rei. E sempre será. Pelo menos enquanto ele proporcionar espetáculos como este. E enquanto houver gente como nós para apreciá-lo.

Mais do que Rei, Roberto é merecedor dessa coroa. A gente agradece.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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