A malemolência da vagarosa em um espetáculo de Céu.

CéuNascida em abril de 1980, Maria do Céu Whitaker Poças é filha de um maestro com uma artista plástica, mostrando que o seu universo, desde o berço, sempre foi rodeado de muita criatividade. Criada em São Paulo, decidiu, ainda na adolescência, que iria seguir o caminho da música.

Ao completar 18 anos, embarcou para Nova Iorque e, a partir disso, o mundo começou a conhecer a cantora Céu. Ao natural, foi ganhando destaque no cenário musical internacional e embarcou, definitivamente, na estrada da música.  Voltando ao Brasil, mais precisamente em 2005, lançou seu primeiro disco, denominado “Céu”, onde participou da composição da maioria das letras.

Seu primeiro cd foi distribuído para América Latina, América do Norte e Europa. Na levada do reconhecimento, mostrando que está na dimensão das estrelas brasileiras, a cantora Céu apresentou as músicas do seu novo disco, “vagarosa”, ao público que compareceu em bom número nas dependências do Bar Opinião. Não lotou, mas isso não fez a menor diferença.

A noite estava agradável em Porto Alegre, um prenuncio da primavera, e os presentes no Bar Opinião souberam ocupar os espaços livres para dançar no swing da carismática cantora.

Antes de falar sobre o show, cabe mencionar que será difícil não fazer algum trocadilho com o nome da cantora.

Com um pé musical na Jamaica, outro na malemolência e diversidade musical brasileira, agregada com o charme de sua voz manhosa, dengosa, na dose certa, Céu com seu riso, por vezes, tímido, mas, sempre cativante, é uma daquelas cantoras que quando abre a boca hipnotiza os presentes, transferindo-os para um universo particular, único.

No lançamento oficial da turnê, a cantora esteve acompanhada de sua banda que é tão criativa e original quanto ela, e possui no guitarrista, o tecladista e também o gaiteiro, tudo na mesma pessoa.

Céu é responsável pela direção musical e tem na sua “constelação celeste” os músicos Guilherme Ribeiro na guitarra, teclados e acordeon, Lucas Martins, no baixo, Bruno Buarque, na batera, e o DJ Marco nas pick up`s e afins, como ela mesmo se referiu.

Uma banda que acompanha, com maestria, a estrela maior: Céu. O show começou, contrariando a lógica do Opinião, um pouco antes das 23h00min,com a paulista subindo ao palco com uma blusa florida, uma saia marrom ou verde escuro, exaltando suas pernas, e uma sandália rasteirinha vermelha. Assim, começou cantando os sucessos do primeiro cd, como “malemolência”.

Carismática ao extremo, sentindo-se em casa, começou a mostrar ao público as músicas do cd “vagarosa”, um repertório autêntico, com algumas parcerias, pautado na ginga, no beats, na batida e na levada, como a canção “visgo de jaca”, um samba gravado, anteriormente, por Martinho da Vila.

Na continuação, cantou “cangote”, um reggae cadenciado, mostrando que ela transita, facilmente, em vários ritmos. O som da banda me lembrou, diversas vezes, o funk norte-americano, swingado,encorpado, dançante, contagiante.

Céu seguiu a apresentação com “ponteiro”, música que fez ao imaginar uma conversa entre uma pessoa e um relógio. Na música, Guilherme Ribeiro largou a guitarra e pegou o acordeon. Nessa altura, Céu, livre, leve e solta, dançava loucamente, como se estivesse incorporando alguma entidade africana no corpo. O público, formado por muitas mulheres, talvez, mais do que homens, interagia com a dança da paulista.

Depois ela cantou “cordão da insônia” e, logo em seguida, “sonâmbulo”, música em que a cantora alerta: “é bom desconfiar dos bons elementos..”  Mais uma vez, Ribeiro pegou  o acordeon e tocou, intercalando com o teclado, mostrando que o virtuosismo permeia a banda toda. E também me fazendo imaginar que estava escutando um “tango-forrozado” à brasileira.

Em “ave cruz”, do primeiro cd, outra parceria com Alec Haiat, assim como “malemolência”, a cantora mostra o bom humor ao cantar: “não tenho jacuzzi, nem chuveiro a vapor…Ave Cruz, Virgim Crispim, não tem dó de mim..”

Com um repertório fantástico, original, criativo, Céu ainda cantou “bubuia”, outra do novo cd, e uma música do Ray Charles, confidenciando aos presentes que o escutava muito na sua adolescência. Com aproximadamente 80 minutos de show, pouco depois da meia-noite, a jovem e talentosa cantora encerrou sua visita a Porto Alegre com “rainha”, também do primeiro cd.

Confirmando a máxima que a beleza está na simplicidade, Céu apresentou a banda um por um, lembrando, inclusive, do técnico de áudio, de iluminação, o baterista Gigante Brazil, falecido recentemente, que gravou no álbum “vagarosa”, e, por último, agradecendo também ao seu fiel ajudante: o rold.

No bis, todos os músicos, menos o DJ, diga-se de passagem, baita DJ, foram para a bateria e introduziram uma roda de samba onde ela, com sua graciosidade, manteve a essência na cadencia do samba.

Céu encerrou o lançamento oficial da turnê do cd vagarosa com uma música que não me recordo o nome, mas que diz mais ou menos assim: “A lua te leva…”

A cantora paulista mistura reggae, samba, funk, rap, e tudo que for bom, na ginga brasileira, com pitadas até de tango, forró e barulhos da natureza. Tudo com grande competência.

Assim, com um clima envolvente, com uma voz sedutora, a lua que iluminou à noite de Porto Alegre na madrugada desta sexta foi testemunha de um grande show.  A malemolência da vagarosa em um espetáculo de Céu.

Por: Silva Júnior

Fotos: Paulo Capiotti

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1 comentário

  1. Silva Júnior

    Queria fazer uma pequena correção:

    Depois de rever a Céu no programa Altas Horas, da rede Globo, me dei conta que a música que ela encerrou o show da turnê do novo CD, em Porto Alegre, a última do bis, chama-se “comadi”. O “A lua te leva” foi uma viagem delirante da minha cabeça.. foi uma licença poética que fiz, sem saber, e que não existe na letra da música. De todo modo, certamente, a lua seguirá levando, e iluminando, Céu.

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