Kleiton e Kledir fazem show de estréia da tour Autorretrato em Porto Alegre

Estreias sempre valem a pena. E foi na estreia mundial da tour “Autorretrato”, de Kleiton & Kledir, que o POA Show compareceu nesta quarta-feira de temperatura amena na capital dos gaúchos.
kleiton e KledirAcompanhados de uma banda competente (inclusive dois deles, o baterista Adal Fonseca e o tecladista Caio Fonseca acompanham Paula Toller), subiram ao palco as 21h15min com a música que dá nome à tour. Com uma letra bem trabalhada e uma execução fiel e impecável, serviu para mostrar o tanto da qualidade com a qual nos depararíamos naquela noite. O público, formado principalmente por pessoas que viveram o auge da carreira da dupla nos anos 80, era permeado por poucos mais jovens que já aprenderam a apreciar o trabalho dos irmãos.
A qualidade do som estava, de fato, acima da média do TBC. Já elogiei o som do local aqui por diversas vezes, mas neste show foi realmente especial. Principalmente pela qualidade vocal de Kleiton e de Kledir.
A grande surpresa da noite foi a execução de “Paixão”, com o mesmo arranjo original, executado por toda a banda. Tradicionalmente executada apenas por Kledir no formato violão e voz, foi uma escolha acertada da parte da dupla.
“O Kleiton falou sobre sonhos agora há pouco…A gente, na década de 70, tinha cabelo na cintura, calça boca de sino e sonhava muito. Sonhava até ser prefeito de Porto Alegre”, numa clara referência ao amigo e parceiro José Fogaça, presente no show. Foi assim que iniciaram “Vento Negro”, grande sucesso dos Almôndegas na década de 70.
Em meio ao show, uma cena inusitada: “Só um minutinho, por favor, que a borrachinha do meu ‘in ear’* ficou dentro da minha orelha”. Kledir deixa o palco por 2 minutos. “To salvo, to salvo!”,  alivia-se, sob aplausos.
Houve espaço para tudo: os grandes hits, como “Maria Fumaça”, material do último CD/DVD, como “Estrela Cadente”, “Pelotas” e “Eva” e até mesmo para os hinos da dupla Gre-Nal. Kledir, colorado, foi o primeiro a cantar o hino do time do Beira-Rio. Em seguida, os tricolores foram homenageados pelo gremista Kleiton. Agradeceram ainda pela presença de todos e disseram-se muito gratos pelas homenagens que receberão: Cada um se tornará consul do seu time do coração, e receberão ainda o título cidadãos porto-alegrenses. “Finalmente poderemos dizer que somos de Porto Alegre”. O encerramento contou com “A Dança do Sol e da Lua”, antes do mais rápido intervalo para o bis já registrado na cidade: menos de um minuto.
A escolha do bis não poderia ser mais previsível: “Vira Virou”, do disco de estreia, e “Deu Pra Ti”, o maior hit da carreira da dupla.
Foi um show belíssimo, cheio de sutilezas, mas, principalmente, foi um show muito bem cantado. E isso é, certamente, o que mais impressiona. Sozinhos são ótimos. Mas quando as vozes de Kleiton e Kledir se encontram, complementam-se com perfeição. Talvez esse seja um dos segredos de uma parceria tão eficiente e duradoura. Certamente estão entre as mais belas vozes da música brasileira e merecem mais visibilidade. Qualidade para isso, é o que não falta. Talvez o que falte seja apenas, um pouco mais de atenção sobre o trabalho de Kleiton & Kledir.

*In ear é uma espécie de fone que os músicos usam no ouvido para que escutem o que está sendo executado.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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