Seu Jorge transforma o Pepsi On Stage em uma grande roda de samba

Seu JorgeNoite de verão em pleno inverno gaúcho: num sábado de temperaturas elevadas no Rio Grande do Sul, Seu Jorge, um dos maiores nomes da música brasileira atual traz a Porto Alegre seu show “América Brasil“, transformando o Pepsi On Stage em uma grande roda de samba.

Os trabalho começaram com um atraso de uma hora e quinze minutos: Eram 0h14min quando Seu Jorge subiu ao palco para “Trabalhador”. O som, embora potente, não era claro. A luz, em compensação, não deixou nada a desejar. Surpreendentemente, Seu Jorge começou o show apenas cantando. Ele, que é, no geral, responsável pelo violão e guitarra em seus shows, acabou por cantar duas músicas sem estes instrumentos. Na primeira, o violão foi assumido por um de seus percussionistas. Na música seguinte, uma inédita*, não houve violão. O início do show se completa com “Hágua“, canção que fala de ecologia, água e aquecimento global. Nesta, o cantor assume a guitarra, uma Fender Telecaster de timbre excelente.

Estas três primeiras músicas foram, todas elas, estendidas, ocupando 27 minutos da apresentação. Seja em longos trechos instrumentais ou na inclusão de outras músicas em sua execução (como “A Carne” em “Hágua“), a banda não se preocupou em como o público reagiria diante da longa duração das músicas.

Seu Jorge faz parte daquela gama de artistas com duas facções de fãs: a que conhece apenas os grandes sucessos do rádio e a que aprecia seu trabalho mais a fundo, conhecendo de fato a obra do artista. Isso começou a ficar claro em “Carolina”, primeiro grande hit de Seu Jorge no Brasil e em “É Isso Aí“, versão de “The Blower’s Daughter“, de Damien Rice, originalmente gravada no DVD “Ana & Jorge“, em parceria com a cantora Ana Carolina. Entre essas duas canções, o público ganhou de presente uma “batalha de pandeiros”, entre três dos músicos que acompanham Seu Jorge. Foram sete minutos de batucada.

Um dos pontos altos do show foi a belíssima “Zé do Caroço“, onde Seu Jorge, tradicionalmente, emenda “Negro Drama” dos Racionais MCs. Após essa concatenação de músicas tão diferentes, mas que são unidas por falarem de forma tão intensa sobre a realidade do povo negro no Brasil, Seu Jorge surpreende com um discurso cheio de conteúdo e de verdade sobre a educação no país: “A gente vive em um país que cresce muito, cresce em população, cresce economicamente, a gente tem todo esse potencial de crescimento, mas a gente vive em um país muito carente de educação… Então…Eu quero deixar aqui um recado pra você: Você que tem uma família, que tem um pai, uma mãe, que se preocupam com você, que te bancam, que querem um futuro bacana pra você… Meu…Não joga isso fora. Não joga isso fora. Ta legal? É sério. Não joga isso fora. Porque eu quis ter isso. E não pude ter. Então, se liga”.

Aplausos tomaram o Pepsi On Stage de forma estrondosa. Mas ainda assim, menos do que o merecido.

Encaminhando-se para o fim,  “Pretinha”, “Burguesinha”, “Tive Razão” e “Mina do Condomínio“. Essas quatro respondem pelo trecho do show que mais levantou o Pepsi On Stage, fazendo com que mais pessoas cantassem e dançassem ao som do samba. Os aplausos mais fortes também vieram daqui.

Para o bis, Seu Jorge retorna com dois covers: “Mas Que Nada“, de Jorge Ben Jor e “Sossego”, de Tim Maia. A execução dessas duas canções clássicas aumentou ainda mais o clima de festa da noite. Para encerrar definitivamente os trabalhos, “Mangueira” foi a escolhida. Ao final de duas horas, apenas 15 canções foram executadas. Uma média de cerca de 7 minutos e meio por música. Os improvisos, danças e os longos trechos instrumentais permearam toda a apresentação que acabou por se tornar cansativa para alguns. No entanto, de modo geral, acabou por agradar a maioria.

“Valeu Porto Alegre. Até a próxima!”, encerrou o carioca, de forma grata e sorridente.

Que venha o próximo.

*Infelizmente, devido a falta de clareza do microfone nas primeiras músicas, não será possível citar o nome desta composição.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine


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2 Comments

  1. Thiago

    Poxa, eu fui a um show ano passado aqui em Brasília e foi excelente, porém foi a mesma coisa com direito a discurso, nego drama e o duelo da galera do pandeiro, com diferenças em alguns detalhes, mas no mais é igualzinho.

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