Show do DVD “Luz Negra – Fernanda Takai ao Vivo”

Fernanda TakaiFernanda Takai veio a Porto Alegre ontem, no Teatro do Bourbon Country, apresentar o seu DVD “Luz Negra – Fernanda Takai ao Vivo”, que por sua vez é baseado no seu primeiro álbum solo, “Onde Brilhem os Olhos Seus”. Para quem não sabe, trata-se de um disco com canções do repertório de Nara Leão, mas com uma roupagem que mistura o pop rock do Pato Fu com um tempero de MPB.

O show é surpreendente, principalmente por dois motivos: a qualidade das canções ao vivo, com a riqueza dos seus arranjos e a interpretação da cantora, e o bom humor de suas intervenções entre as canções. Mas o que chamou a atenção, logo no início, foi que os integrantes foram entrando no palco escuro, um a um, posicionando-se nos seus devidos lugares, até entrar a Fernanda Takai, que se colocou à frente de todos, no microfone. Como estava escuro, ninguém teve coragem de aplaudir por não conseguir garantir que aquela era ela – até que uma alma corajosa puxou o coro dos aplausos e o show começou.

No quesito qualidade, as músicas tocadas no show não devem nada às versões do disco: tratam-se de ótimas releituras, todas com um ar “retrô-moderno” que as tornam únicas, juntamente com a voz ame-ou-odeie de Fernanda Takai. O show começou com “Canta, Maria”, seguida de um tímido boa noite para o público.

Depois veio “Luz Negra”, que dá nome ao DVD – cujo tema da capa estava reproduzido no fundo do palco – e “Diz que fui por aí”, com interessantes solos de guitarra de John, marido de Fernanda Takai e guitarrista do Pato Fu. Destaque, nessa última música, para o backing vocal da baterista Mariá Portugal. Mariá, aliás, é a responsável pela excelente condução de “Lindonéia”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, a quarta canção do show.

Até então, Fernanda Takai cantava estática em frente ao microfone, de forma tímida. Porém, quando a banda começou a tocar “Com Açúcar, Com Afeto”, música que Chico Buarque fez sob encomenda para Nara Leão, numa versão muito mais alegre do que a original, Takai tirou o microfone do pedestal e até arriscou uma dancinha. Com John nos backing vocals desta vez, a música ainda contou com um ótimo uso da luz no seu final – aliás, destaque para a iluminação ao longo da apresentação, muito bem utilizada.

There Must Be an Angel” (dos Eurythmics) foi a primeira música que não é do disco a ser tocada, com John deixando a guitarra e tocando violão. Em seguida, mais músicas de Onde Brilhem os Olhos Seus, com “Insensatez” (novamente, ótima composição da luz, deixando o microfone sozinho no final da música), “Odeon” (na qual Fernanda Takai arriscou mais dancinhas), “Seja o Meu Céu” (com Mariá tocando zabumba) e “Trevo de Quatro Folhas” (com ajuda da plateia).

Antes de começar a próxima música, Fernanda começou o primeiro de muitos diálogos inspirados que faria ao longo da apresentação, arrancando gargalhadas do público e provando que poderia muito bem se arriscar no stand-up comedy, gênero em alta aqui no Brasil: ao dizer que foi “esquecida” por Roberto Carlos na sua seleção de cantoras para a homenagem aos seus 50 anos de carreira, disse que ia dedicar a ele a próxima canção: “Você Já Me Esqueceu”, de autoria do próprio Rei. Aliás, uma curiosidade: originalmente, ela queria cantar outra música do mesmo álbum (“O Divã”), mas Roberto Carlos não permitiu, provavelmente porque ela supostamente fala do acidente em que ele perdeu a perna.

A esta altura a cantora já havia ganhado a plateia. “Estrada do Sol” (com solo do tecladista Lulu Camargo), uma improvável cover de Duran Duran (“Ordinary World”, com direito a mais stand-up comedy) e “Descansa Coração” fizeram o público, que não lotava o teatro – seria por causa do show do Seu Jorge, no mesmo horário? – vibrar. Em seguida, a cantora arriscou “O Barquinho” em… japonês! E não é que ficou legal? Ótimos teclados, lembrando muito a banda japonesa Pizzicato Five – cuja vocalista, aliás, vai gravar um EP com Fernanda Takai num futuro próximo.

As novidades continuaram com “Ben”, música gravada por Michael Jackson em 1972, e “5 discos”, composição de Fernanda Takai e John, gravada por Pedro Mariano em 2001, e que nunca entrou no Pato Fu porque, segundo a cantora, a banda sempre faz uma votação para ver que músicas vão entrar nos álbuns, e sempre só ela votava nessa. Ela complementou a história com um “provavelmente vocês vão considerá-la a pior do show”, seguido por mais gargalhadas do público.

Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos” fechou o espetáculo, com direito a coro da plateia que, além de pedir a volta para o bis, ajudou nos assovios em “O Ritmo da Chuva” – cuja versão com Rodrigo Amarante é muito bonita. Em seguida, Fernada Takai falou sobre a sua campanha “Vamos salvar a Amy Winehouse”, solicitando que todo mundo tome uma taça de vinho para que sobre menos vinho no mundo para Amy beber, e assim fazer com que ela sobreviva por mais tempo e lance mais álbuns. Então, a banda começou a tocar “Rehab”, em um ritmo ora bem dançante, ora bem rock. Para encerrar, o carimbó “Sinhá Pureza”, que fez o público levantar das cadeiras – e algumas pessoas até arriscaram uma dança meio tosca por ali mesmo.

Com todos os integrantes de preto (além dos já citados, Thiago Braga no baixo), a banda fez um bom show. É impressionante como essas músicas funcionam bem ao vivo e como o carisma da tímida, porém animada Fernanda Takai, conspira para tornar a apresentação divertida. Enfim, uma ótima pedida aos fãs de Fernanda Takai, do Pato Fu, de Nara Leão ou, simplesmente, de boa música.

Por: Valter Júnior

Fotos: Karina Kohl

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