Porto Alegre em Cena – Poa – Montevideo, sin fronteiras

quatro-juntosUma das atrações musicais mais aguardadas do Porto Alegre em cena era o espetáculo “Poa – Montevideo, sin fronteiras”, pois reuniria quatro grandes talentos musicais dos dois países, e que carregam consigo similaridades musicais e culturais interessantes, fazendo com que fosse este um projeto digno de se levar fé.  Os quatro acima citados eram os brasileiros Vitor Ramil e Marcelo Delacroix, e os uruguaios Daniel Drexler e Ana Prada.

A temática do show não poderia ser outra, se não as obras mais marcantes dos quatro compositores, dando ênfase às composições em que mais se notavam os traços em comum e as suas singularidades.

O teatro do Bourbon Country não estava totalmente lotado, mas tinha um ótimo público para domingo às 21:00. Com um atraso de 20 minutos, dá-se início à celebração entre Porto Alegre e Montevidéu.

O show começa bem animado, com uma composição de Jorge Drexler, como o próprio sobrenome sugere, irmão de Daniel. A música é Frontera, com os quatro cantando junto e se mostrando muito animados com a reunião. Seguem com Ramilonga, de Vitor Ramil, que foi, como a primeira, acompanhada de todos os cantores. Acho que este tema era o primeiro que vinha a cabeça dos presentes quando tentavam imaginar qual seria o repertório da noite, pois a tradução que esta composição faz de Porto Alegre é única. Muitas músicas já falaram da cidade, normalmente descrevendo-a de maneira mais alegre, mas nenhuma conseguiu descrever o lado melancólico dessa cidade como Ramilonga.

A partir da terceira música do set, começaram as alternâncias em cima do palco, onde os músicos foram se revezando em duetos ou em trios, de acordo com o que cada música pedia. Alguns destaques foram a parceria entre Ana Prada e Marcelo Delacroix em uma faixa da compositora chamada Soy pecadora, que ficou muito bonita, e nem as excessivas microfonias tiraram o brilho desta canção.  A parceria entre Vitor e Ana também rendeu outro momento belíssimo, os dois cantaram uma música que originalmente foi gravada por Kátia B, mas que com um sotaque uruguaio ganhou um novo sabor, um tempero diferente. A música em questão é Que horas não são, do disco Satolep sambatown.

O palco era composto ainda por instrumentistas de alto nível, uruguaios e brasileiros, que conseguiram dar novos ares e imprimir um clima muito bacana a todas as canções executadas. Destacando-se a velha e sempre presente Estrela Estrela, que todo mundo já ouviu dezenas de vezes, mas em quase todas somente com a voz e o violão do Vitor.

O final da apresentação foi muito animado, fazendo todos os presentes, que até então estavam meio tímidos demais, levantarem da cadeira e se embalarem ao som do melhor estilo uruguaio.  Mas dentro do quesito dança, quem mais se sobressaiu foi Vitor Ramil, sendo este um momento marcante e muito esclarecedor: descobrimos o motivo de Vitor sempre tocar sentado.

Muitos dos que foram assistir essa apresentação tinham na cabeça que seria uma chance única de ver estes quatro talentos reunidos, e provavelmente estavam certos, portanto, quem não foi, perdeu, e dificilmente vai ter outra chance de vê-los juntos novamente. Mas as coisa não são tão ruins assim. Essa apresentação foi, em certo sentido, um símbolo da aproximação tardia entre os dois países e, logo logo, veremos Daniel e Ana, transitando com mais frequência por estas bandas.

Em suma, uma bela noite, com belas canções e a certeza de que temos muito mais em comum com nossos vizinhos do que normalmente percebemos.

Por: Ângelo Borba

Fotos: Cristine Rochol/PMPA


Publicações Relacionadas

1 comentário

  1. marcelo

    realmente valeu,, parabéns pela ótima percepção que tivesse destes dias que foram realmente especiais. Para mim, um tosco de Santa Rosa, foi uma grande honra ter estado em cima daquele palco!!!

    grande abraço

    marcelo corsetti

    [Responder]

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *