Caetano passa pelo RS outra vez para divulgação do último álbum, Zii Zie.

caetanoA turnê  de Zii Zie, mais recente lançamento de Caetano Veloso, passou pelo RS uma segunda vez este ano. Na primeira, quando tocou em Porto Alegre, a equipe do site POASHOW acabou não conseguindo fazer a cobertura para vocês, mas desta vez foi diferente. Fomos até Caxias do Sul com o intuito de cobrir o show deste que ainda é um dos maiores compositores da música brasileira.

A noite fria de sexta-feira não intimidou os presentes que se dirigiam a sociedade campestre “Recreio da juventude”. O show estava marcado para as 22h, e com um atraso de 20 minutos foi dado o início da apresentação de Caetano.

A banda CÊ, composta por Pedro Sá, Marcello Callado e Ricardo Dias Gomes, que acompanha o compositor nesta turnê, e que foi responsável por grande parte da criação do seu novo álbum, entra no palco que estava ornamentado com uma asa delta atrás da bateria. Logo Caetano se junta a eles para dar início à apresentação com Tem que ser viola, de Fantasmão, compositor do estilo africano muito popular hoje em dia chamado de Kuduro. Assim como aconteceu com quase todas as músicas apresentadas aquela noite, esta ganhou uma versão bem ao estilo “transambas” que Caetano usa para definir os arranjos de suas novas composições. Seguiram com Sem cais, música do último disco e primeira de muitas outras que viriam a serem apresentadas nesta noite.

Misturando o seu repertório novo com clássicos de sua carreira, foi a vez de uma de suas mais bonitas composições, Trem das cores fez com que os presentes se transportassem para um universo que só as músicas de Caetano conseguem criar.

É interessante ressaltar que o repertório desta turnê é baseado, em muitos casos, de sugestões dadas pelos fãs via blog “Obra em progresso”. Isso explica a inclusão de músicas há muito tempo não tocadas, como foi o caso de Maria Bethânia e Irene. O legal das apresentações de Caetano é que elas conseguem transmitir um clima único. Seus discos, apesar de não serem conceituais no sentido estrito da palavra, possuem uma certa aura, que é perfeitamente transportada para os shows. Pelo fato de possuir um repertório imenso de canções, Caetano dificilmente repete temas de uma turnê para outra, como é o caso de Eu sou neguinha ?, que ficou meio esquecida durante um bom tempo, mas que foi um dos destaques da apresentação.

Depois de sermos presenteados com uma versão elétrica de Carlos Gardel, e seu clássico tema de Volver, foi a vez de Caetano fazer seu momento voz e violão, que contou com apenas uma música: Aquele frevo axé introduziu a bem elétrica Tarado ni você, que reanimou o show outra vez, e o manteve assim até o seu final.

O público reagia muito bem ao final de cada canção, mesmo tendo ficado muito mal distribuído pelo ginásio, sendo que o local da apresentação era bem amplo e com capacidade para abrigar o dobro de gente que o ocupava aquela noite. Foram colocadas muitas cadeiras ao longo do local, deixado uma parcela do público bem longe, nas arquibancadas, ao fundo do ginásio. Claro que muitos daqueles que estavam enxergando quase nada lá de trás, vieram para as laterais do palco que estavam vazias, por opção da organização do show que curiosamente preferiu deixar vago este espaço.

Do meio para o final da apresentação, foram selecionados temas mais novos, com ênfase no último disco. Destaque para Base de Guantânamo que contou com um jogo de luzes bem denso, ao estilo da composição, e bonita música de Kassin, Água. Caetano se apóia nessa nova geração de compositores e músicos (como é o caso da banda Cê) como uma forma de constante renovação. Na minha opinião, isso vem dando muito certo.

Chegando ao término da apresentação, tivemos ainda de bis uma versão para Uma força estranha, gravada por Roberto Carlos. E finalizando de maneira muito especial, um clássico também esquecido nos shows de Caetano, Manjar de reis literalmente levantou o público que se portava de maneira muito “comportada” até então.

Caetano é  um compositor musicalmente muito versátil, no bom sentido da palavra, e que vem se atualizando, também no bom sentido, e é curioso ver que o seu público mais jovem conhece e convive muito bem com suas composições antigas e as mais novas, que foram apresentas muito antes do recente álbum ser lançado, via blog do compositir. Este público cantava e participava ativamente do show. O mesmo não acontece com seu público mais velho, que observava com certo estranhamento algumas canções executadas e que continham em sua estrutura um papel importante da guitarra elétrica com distorção, às vezes bastante distorção, diga-se de passagem. É, de fato, a geração internet está mudando a forma de se relacionar e consumir música, e Caetano que não é bobo nem nada, está atento a essa silenciosa, ou diria, destorcida, revolução.

Set List:
Tem que ser viola (Fantasmão)
Sem cais
Trem das cores
Perdeu
Por quem?
Lobão tem razão
Maria Bethânia
Irene
Volver (Carlos Gardel)
Aquele frevo axé
Tarado ni você
Menina da ria
Não identificado
Odeio
Falso leblom
Base de Guantânamo
Lapa
Água (Kassin)
A cor amarela
Eu sou neguinha?
Uma força estranha (bis – Roberto Carlos)
Manjar de reis (bis – Jorge Mautner)

Por: Ângelo Borba

Fotos: Íkaro de Campos

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