Após 15 anos o Bar Opinião volta a receber Arnaldo Antunes

Arnaldo-1-26Quinta-feira, 1º de outubro. Após 15 anos o Bar Opinião volta a receber Arnaldo Antunes, lançando seu novo disco “Iê Iê Iê”. O projeto faz parte do programa Natura Musical, que desde 2005 apoia iniciativas culturais ligadas à música. No palco, Arnaldo canta ao lado dos músicos Betão Aguiar (baixo e voz), Chico Salem (violão e voz), Marcelo Jeneci (teclados e voz) e Curumin (bateria e voz), além do conhecido guitarrista como Edgard Scandurra (guitarra e voz),  ex-IRA!. O figurino é do estilista Marcelo Sommer, que ao lado de Márcia Xavier também assina o cenário.

Figurino e cenário que, aliás, são um show a parte. A banda sobe ao palco pouco antes da meia noite, vestindo elegantes ternos e calçando tenis All Star em couro. O cenário, por sua vez, é formado por diversas camisetas estendidas ao fundo, com as mais variadas estampas: há espaço para frases de efeito (“Eu voltei, agora pra ficar” e “Clapton is God!”), referências à música (Beatles, Rolling Stones, Black Sabbath e Luiz Gonzaga), ao cinema (“A Noite dos Mortos-Vivos” e “O Poderoso Chefão”) e até mesmo para a universidade gaúcha PUCRS. A idéia curiosa proporcionou um efeito estético lindíssimo e bastante colorido. Não houve quem não apreciasse.

Abriram o show com a faixa título do novo álbum, seguida de “Vem Cá”, do mesmo trabalho. Na sequência, “Essa Mulher”, do disco “Paradeiro”. Muito performático, Arnaldo é puro carisma e conquista seu público sem grandes esforços. O som, um pouco prejudicado, não permitia que se ouvisse o vocal com clareza até ali, mas foi sendo corrigido ao longo da apresentação.

“Boa noite, Porto Alegre! É muito bom estar aqui de novo, de volta…”

Após uma bebericada tímida na cerveja que estava colocada cuidadosamente a sua disposição ao lado do tecladista Marcelo Jeneci, a banda manda “A Casa é Sua”. O set-list, que já estava disponível ao público através de um bonito folder explicativo produzido pela empresa patrocinadora, contou com o novo disco na íntegra. Além disso, apenas seis canções, entre elas “Consumado”, parceria com os Tribalistas Marisa Monte e Carlinhos Brown e “Pra aquietar”, de Luiz Melodia. Um pouco cansativo para quem ainda não ouviu o último trabalho do cantor.

Em “Meu Coração”, o momento mais impressionante: Arnaldo Antunes desce do palco e canta boa parte da canção na pista do Bar Opinião, com seus fãs a sua volta. Todos muito respeitosos, tiram fotos e abraçam o cantor, mas não de forma que atrapalhe o andamento da música. Foi algo sem precedentes em Porto Alegre. Bonita atitude de um artista que quis, mesmo que por uma canção, estar bem ao lado, bem de frente, no mesmo nível de seu público. Euforia e alegria geral. O encerramento de seu com uma versão bem ao estilo de Arnaldo para “Vou Festejar”, do sambista Jorge Aragão, e ainda “O Que Você Quiser”.

Retornaram ao palco por duas vezes, na primeira para “Socorro”, uma das mais aguardadas. Após breve pausa, “Cabelo”, parceria com Jorge Ben Jor que ficou bastante popular na voz de Gal Costa, e, por fim, “Judiaria”, releitura para o clássico de Lupicínio Rodrigues, executada com muita energia e cantada em coro.

Após pouco mais de uma hora e 40 minutos de show, e ainda com a ausência de clássicos como “Poder” e “Fora de Si”, a banda se despede definitivamente. Também não houve espaço para nenhuma canção dos Titãs. Mas isso, realmente, não desabonou em nada este espetáculo tão intenso e intimista. A intensidade, conforme previsto, veio da presença performática e da mistura musical ímpar que Arnaldo Antunes desenvolve há quase 30 anos. Já o clima intimista, foi um casamento interessante entre a postura de Arnaldo no palco (carismática, humilde e simpática) e o público pequeno que compareceu (era possível transitar com facilidade pela pista do Bar Opinião). Um grande show, que poucos tiverem o prazer de testemunhar.

Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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  1. Pingback: Arnaldo Antunes | POA SHOW

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