Os Paralamas do Sucesso vieram tocar na capital

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Após um pequeno atraso de 15 minutos, a banda sobe ao palco com “Sem Mais Adeus” do álbum mais recente, e não obtêm grande repercussão. Na seqüência, a primeira surpresa: “Dos Margaritas” que levantou o público. Desde o início é possível constatar a qualidade e o entrosamento da banda. Seus músicos, de talento individual notável, se complementam muito bem. Os músicos contratados, no teclado, trombone e sax, dão uma identidade especial aos arranjos do trio, o que também pode ser observado na terceira canção do set: “Pólvora”. Fica clara, ainda, a excelente performance vocal de Herbert Vianna. O vocalista, que já foi alvo de diversas críticas no que se refere à sua voz, está, talvez, em sua melhor fase.

Após as tradicionais saudações, a banda agradece a presença e continua com “Ela Disse Adeus” e “Cuide Bem do Seu Amor”. Nesta, inseriram uma conveniente pausa para que o público cantasse o primeiro verso do refrão. Abrilhantou a música, que já era bela.

Houve também espaço para um pequeno set acústico, onde Bi Ribeiro e João Barone trocaram de lado no palco (a bateria ficou a direita e o baixo a esquerda, enquanto que durante o acústico Bi tocou baixo acústico na direita e Barone um set composto apenas de bumbo e caixa a esquerda do público). Aqui, destacou-se o talento do baterista. Com apenas caixa e bumbo, Barone desfilou puro talento e muita técnica variando nas levadas e criando um clima especial às canções com apenas duas peças. Para este formato, a banda escolheu “Mormaço”, “O Rio Severino”, “Caleidoscópio” e “Expresso do Oriente”.

Durante a execução de “O Calibre”, arrebentou uma das peles da bateria, mas foi rapidamente consertado.

A grande surpresa da noite foi o inusitado cover de Los Hermanos, “O Vencedor”, com João Barone nos vocais. “A gente vai tocar uma música agora, de uma banda que a gente gosta muito, e quem souber pode cantar junto”, anunciou o baterista. A versão, trazida para o estilo dos Paralamas, contou inclusive com um solo de guitarra, algo que não existe na versão original. Certamente, um dos pontos altos da apresentação. Houve ainda espaço para os grandes hits como “Meu Erro” e “Alagados” bem como músicas do novo álbum, “Meu Sonho” e “A Lhe Esperar”.

O bis contou com cinco canções: retornaram com “Lanterna dos Afogados”. NE seqüência, outro cover, desta vez dos Titãs,  “Sonífera Ilha”. Os Paralamas, que já fizeram duas tours com os paulistas, representaram os companheiros muito melhor do que os Titãs com “Loirinha Bombril” (música que os Titãs incluíram em seu setlist). A versão foi competente muito bem arranjada. Para encerrar, a trinca “Cinema Mudo”, “Óculos”, onde Herbert fez uma referência a sua condição de cadeirante substituindo o verso “atrás dessas lentes também bate um coração” por “em cima dessas rodas também bate um coração”. Ganhou aplausos cheios de admiração e solidariedade. Em “Vital e sua Moto”, Herbert ganhou a galera do emendar em “Os Paralamas do Sucesso vem tocar na capital” o adendo “do Rio Grande do Sul”.

Após 1h40min de apresentação, reforçou-se a certeza de que os Paralamas do Sucesso continuam sendo uma das melhores bandas do cenário nacional. Estão, infelizmente, longe de serem a maior. Mas estão, certamente, entre as melhores. Não estamos aqui abrindo espaço para exposição de gosto pessoal do redator, e sim fazendo justiça a um trio onde todos são excelentes instrumentistas, que contrata sidemen de primeira linha, que sabe arranjar suas canções com perfeição e que continua, há quase 30 anos, fazendo o som que acreditam, sem ceder a modismos ou fórmulas de sucesso pré-fabricadas.

É recomendável que se conheça o trabalho dessa banda. Abrir os olhos para as bandas clássicas nunca é demais. E os Paralamas são uma das provas viva desta teoria.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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