Living Colour retorna a Porto Alegre para apresentação no Bar Opinião

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Após  cinco anos, os americanos do Living Colour retornam a Porto Alegre para apresentação no Bar Opinião. Apesar da pouca divulgação (a data foi anunciada a apenas nove dias do show), um bom público se fez presente para conferir o trabalho da banda.

Anunciada para as 22h, a noite começou com um pequeno atraso. Apenas 32 minutos depois o Living Colour sobe ao palco do Opinião para “Whick Way to America” e “Time’s Up”. Um bom início que demonstrou a perfeita mistura de peso e swing que compõe a identidade musical da banda.

Em bom português, o vocalista Corey Glover grita “Boa Noite Porto Alegre”. Foi mais que perfeito para um gringo.

Continuaram com “Auslander” e “Sacred Ground”. Nestas, se evidenciaram as competências individuais de cada musico. Nenhum em especial, pois o nível de todos (o guitarrista Vernon Reid, o baixista Doug Wimbish e o baterista Will Calhoun) é o mesmo, nivelado, surpreendentemente, por cima.

O baixista Doug Wimbish (que já gravou com gente grande como Rolling Stones e Joe Satriani) não para um minuto, cruzando frequentemente de um lado para outro do palco e chegando bem perto do público a todo o momento. O timbre de seu baixo também é espetacular. Fanático por pedais, Doug utiliza mais de 15. Seria um número impressionante, se o guitarrista Vernon Reid não utilizasse ainda mais e ainda operasse um laptop com as programações eletrônicas.

O repertório foi bem escolhido, contando com clássicos como “Open Letter (to a LandLord)”, e “Glamour Boys” e ainda com material do álbum mais recente, “The Chair in the Doorway”, que respondeu por 9 das 21 músicas do Set. Dentre elas, destaque para a ótima “Young Man”.

Durante a execução de “Bi” Doug Wimbish desce do palco e fica tocando em meio ao público. E o mais impressionante: não erra, faz solo e chega a tocar baixo com os dentes. Após “Bi”, o baterista Will Calhoun executa 12 minutos de solo de bateria, com baquetas luminosas. Os pequenos leds, em azul, vermelho e verde, proporcionam um momento visualmente bonito, mas que durou um pouco mais do que deveria.

Depois de “Elvis is Dead” e “Desperate People”, a banda fecha duas horas de apresentação com um de seus maiores clássicos, “Cult Of Personality”, recentemente popularizada pelo game “Guitar Hero III”. Foi a música de melhor resposta do público.

Mesmo após um show tão longo, ainda tiverem fôlego de sobra para um Bis que contou com “Love Rears the Ugly Head” e uma versão totalmente LivingColouriana para “Should I Stay or Should I Go?”, do Clash. Pesada e intensa, foi a cereja do bolo para uma apresentação impecável, abrilhantando ainda mais o que já estava perfeito. Após duas horas e vinte minutos de som, a banda se despede, cumprimenta os fãs e ainda autografam na saída do Opinião, demonstrando grandeza, não apenas como músicos.

O Living Colour é uma banda nota 10. Uma banda que tem um ótimo vocalista, instrumentistas de primeira linha, composições que passeiam da Black Music ao Metal, carisma, respeito ao público, manda 140 minutos de som com a mesma energia depois de 21 anos e ainda serviu de fonte para bandas do calibre de Rage Against the Machine e Faith No More não merece uma nota menor do que esta.

Não foi a toa que abriram uma Tour dos Rolling Stones a pedido dos próprios.

Um dos melhores shows de 2009.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine


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1 comentário

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