Faith No More faz show memorável em Porto Alegre

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Na última terça-feira, dia 03 de novembro, uma das bandas mais emblemáticas dos anos 90 se apresentou pela segunda vez em Porto Alegre. Em sua badalada tour de reunião, Mike Patton (vocal), Billy Gould (baixo), Roddy Bottun (teclados), Mike Bordin (bateria) e Jon Hudson (guitarra), proporcionaram um show incrível, que pode ser considerado o melhor do ano na cidade.

No horário previsto, as 21h30, os porto-alegrenses da Véspera subiram ao palco. “É uma grande honra pra nós abrir o show de uma das bandas mais importantes e criativas dos anos 90” disse o vocalista Lucidio Gontan. Apesar da excelente oportunidade que tinham nas mãos, os gaúchos dividiram opiniões. Com uma performance um pouco tímida e permeando sua apresentação com três covers (Placebo, Prince e Beatles), só levantaram de fato o público com a excelente versão de “Come Together”. Falamos de uma banda competente, mas que talvez não estivesse abrindo o show mais adequado para o seu estilo de música.

Pouco antes das 23h as luzes do Pepsi On Stage se apagam para o Faith No More. Com cortinas e luzes vermelhas o palco recebe os americanos. Mike Patton então começa a tocar uma escaleta para o tema instrumental “Midnight Cowboy”. Com um clima sombrio, serviu de prelúdio para o show que viria em seguida. Emendaram então “From Out of Nowhere”, sucesso do clássico álbum “The Real Thing”, que levou a banda ao estrelato. O chão do Pepsi On Stage tremeu, literalmente. O som estava perfeito, tanto em equalização (era possível ouvir todos os instrumentos, além da voz, com muita clareza) quanto em timbres. E isto precisa ser ressaltado: o excelente gosto do Faith No More para timbres. Guitarra, baixo, bateria e teclado soavam muito, muito bem.

“Land of Sunshine” manteve o pique. A performance da banda emana energia pura, especialmente por Mike Patton ser um frontman extremamente performático. Sua movimentação no palco e suas caras e bocas proporcionam um show à parte (como pode ser observado nas fotos).  Seguindo a trilha de clássicos, “Caffeine”, “Evidence” e a destruidora “Surprise, You’re Dead”.

Carismáticos e bastante simpáticos, Roddy e Mike (os únicos a se dirigirem ao público) saúdam a platéia a todo o momento com palavras em português bem pronunciado. A banda toda era pura alegria no palco.

Se “Easy”, hit dos Commodores que se tornou um dos maiores sucessos da carreira do Faith No More, fez os fãs cantarem em coro, em nada pode ser comparada com o que viria logo depois: “Midlife Crisis” foi um dos pontos altos do show, com destaque para a parada repentina onde a banda permitiu que o público cantasse um refrão inteiro. Espetacular.

Mas nem só de “The Real Thing” e “Angel Dust” (dois álbuns de maior sucesso) vive a banda. “King For a Day, Fool For a Lifetime” foi bem representado por “Ricochet”, “The Gentle Art of Making Enemies”, “King For a Day” e “Caralho Voador”, música com um trecho em português. Já “Álbum of the Year” foi lembrado em “Last Cup of Sorrow” e “Ashes to Ashes”.

Na última música da primeira parte do show, “Just a Man”, a grande surpresa da noite: Mike Patton se joga na platéia com o microfone. Era um microfone com fio. Deu trabalho aos seguranças que demoraram um pouco para retirá-lo.

Para o bis a banda preparou “Stripsearch” e “As the Worm Turns”. O público, que se recusava a deixar o local, clamou pela banda, até que esta retornou com um inusitado cover de Burt Bacharatt: “The Guy’s In Love With You”. Uma canção calma para fechar uma noite de música nervosa.

Quando tudo parecia acabado, inclusive com som mecânico e equipamentos desligados pela equipe, a banda retorna para um terceiro bis. “Nós ouvimos e voltamos só porque gostamos de vocês”disse Button. O encerramento definitivo foi com “We Care a Lot”, do primeiro álbum da banda, ainda com o vocalista Chuck Moseley. Como todo o resto do show, perfeito.

O show do Faith No More foi excelente. Foi incrível. Sem sombra de dúvida o melhor do ano. Qualquer tentativa de transcrever em palavras a energia e a competência da banda no palco é, por si só, um fracasso. Depois de presenciar o que esses cinco caras fazem juntos, fica bastante difícil rotular sua tour de reunião como um mero “caça-níquel”. São cinco caras tocando o som que acreditam e fazem muito bem.

Se você está lendo essa resenha em no Rio, em São Paulo ou Belo Horizonte, não pense duas vezes, compre um ingresso para o show do Faith No More.

E se você, gaúcho, por algum motivo, perdeu o show do Faith No More, vá ao próximo.

Quem foi, com certeza irá.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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