Júpiter Maçã faz show efervescente no Bar Opinião

Júpiter Maçã

Quinta-feira, 05 de Outubro, noite em que o Bar Opinião recebe uma das figuras mais clássicas, significativas e emblemáticas do Rock Gaúcho.  Júpiter Maçã, que já é hoje um dos maiores nomes do Underground nacional, fez um show recheado de exageros e superlativos.

A abertura ficou a cargo da Pata de Elefante, banda gaúcha vencedora do VMB 2009 categoria instrumental. Lançando seu novo disco, “Um olho no fósforo, outro na fagulha”, apresentaram músicas de todos os trabalhos, em um formato mais visceral. O show, curto, de apenas 35 minutos, foi separado em duas metades: A primeira com Daniel Mossmann na guitarra e Gabriel Guedes no baixo. Em seguida, inverteram-se as funções. Isso proporcionou maior clareza na diferença de estilo de cada um em seus instrumentos, tanto pelo timbre das guitarras (Gibson SG para Daniel e Fender Stratocaster para Gustavo), quanto pela maneira de tocar. O som, aliás, estava ótimo, salvo um problema no Jack do amplificador de guitarra, que por diversas vezes interferiu. Salvo este pequeno detalhe, mandaram muito bem, proporcionando uma abertura com cara de show grande. Destaque para “Soltaram!”, que fechou o show e chegou a ser “cantada” por muitos. Reafirmaram com maestria seu lugar entre as bandas mais bacanas do underground.

Pouco depois, Júpiter sobe ao palco com sua nova banda, formada por Dustan Gallas (guitarra), Felipe Maia(bateria), Astronauta Pingüim (teclados e sintetizadores) e, ainda, por Thunderbird (dos Devotos de Nossa Senhora Aparecida e ex-VJ da MTV Brasil) no baixo. Abriram com “Six Colours Frenesi”, música nova. Apesar do clima soturno, foi uma boa escolha para a abertura. Em seguida dois clássicos incontestáveis da carreira de Júpiter: “Mr. Frog vs. Querida Superhist” e “As Tortas e as Cucas”. Ali já era possível perceber que, apesar da devoção e fidelidade incondicional de seus fãs, seus maiores hits ainda são as músicas do disco “A Sétima Efervescência”. Cantadas a plenos pulmões, “Mr. Frog” e “As Tortas” encheram o Opinião. As letras, no entanto, eram de fácil compreensão muito mais pelo pleno conhecimento do público do que pelo próprio Júpiter, que foi exposto a um som bastante prejudicado.

Dirigindo-se a platéia freqüentemente, e sempre mesclando palavras em português e inglês, Júpiter é totalmente ovacionado. “Let me hear you say yeah? Oh, de novo, let me hear you say yeah?” e recebe prontamente o que pediu. Durante todo o show também chamou a atenção do operador de luz, ora pedindo mais luz, ora menos. Outro ponto que chamou a atenção foi a aparência saudável do cantor. Quem acompanha a trajetória de Júpiter e conhece sua história, marcada por excessos e suas conseqüências, sabe o quanto foi bom vê-lo neste show.

Dois destaques do set, além das músicas do álbum de estréia, foram “Síndrome de Pânico” e “Modern Kid”, música que concorreu ao VMB de melhor clip do ano.

Para encerrar, Júpiter canta “Essência Interior” e antes do último refrão ordena que o Bar Opinião fique totalmente no escuro. As luzes vão baixando pouco a pouco, mas ele insiste: “Escuro. Escuro. Dark, escuro”. Assim que o breu toma conta, a banda retorna com a continuidade de canção, num clima totalmente explosivo. Belíssimo.

Após a despedida, Júpiter cede aos apelos de seus fãs e retorna. Sozinho com uma guitarra elétrica anuncia uma bossa-nova. “Talentoso”, de autoria do próprio Júpiter, foi mal tocada e cantada de forma ainda mais sofrível. Ponto mais baixo do show, sem dúvida alguma. E mesmo tendo interrompido um bom show de Rock para apresentar isso, Júpiter foi aplaudidíssimo.

O encerramento contou com “Gregorian Fish” (B-Side do Single de “Modern Kid”) e, por fim, seu maior clássico “Um Lugar do Caralho”, encerrando esta grande noite.

Júpiter Maçã, ou Flávio Basso (líder dos Cascavelettes), está em um patamar diferenciado enquanto artista. Ele faz parte daquele reduzido grupo de artistas que podem produzir qualquer material, seguir qualquer estilo, dizer o que quiser ou fazer absolutamente qualquer coisa, que ainda assim, mediante a idolatria da qual é objeto, será sempre aclamado. Sua importância histórica é inegável, mas seu público o coloca em um nível um pouco acima do que lhe é devido. Para os fãs de Júpiter não importa sua performance ou se ele desafina ou não. O que importa, é a presença do, para eles, gênio, Júpiter Maçã.

Que venha o próximo.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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1 comentário

  1. Cláudia

    Foi muito bom ver o Flavio bem…de cara limpa.
    Ele iradia uma energia muito forte, foi possível sentir a paz e a alegria em seu coração.Foi uma noite memoravel ele é um ser divino,o mito.

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