Gig Rock, o maior festival de rock do RS (Parte I)

Mallu e Camelo

O maior festival de Rock do RS, o GIG ROCK, produzido pelo Beco 203, teve sua sétima edição no último sábado, 07 de novembro. Reunindo 15 atrações, a festa teve um público razoável, abaixo do esperado.

Após um debate interessante sobre Rock com a presença de Vitor Lucas (Beco 203), Rafael Rossatto (Agência de Música), Marcela Machado (Oi FM/BH) e com a curadoria de Marcelo Ferla (diretor da Oi FM/Poa), a tarde começa com duas bandas escolhidas através do site “Oi Novo Som” (www.oinovosom.com.br). Procura-se Quem fez Isso(RS) e Sobrado 112(RJ) fizeram bons shows, cada um em seu estilo. Enquanto os gaúchos fazem um som com um quê de experimentalismo, os cariocas mesclam seu rock com outros estilos como ska e música brasileira. “Estamos muito felizes de tocar aqui pela primeira vez. É o nosso primeiro festival voltado para o Rock, nosso primeiro show em Porto Alegre e mesmo não fazendo um som Rock foi ótimo!”, disse Maurício Calmon, baterista da Sobrado 112. Mesmo tocando para um número de pessoas que poderia ser contado com facilidade, mandaram bem e deram seu recado.

Em seguida, duas bandas bastante conhecidas no cenário underground do RS. Gulivers e Valentinos: A Gulivers não se intimidou, subiu com personalidade no palco do GIG ROCK e mandou seu indie rock de qualidade para um público ainda muito pequeno. Tiveram problemas com a iluminação, que ia e voltava, mas seu som fez com que quase ninguém percebesse isso. Apesar do pouco tempo que lhes foi disponibilizado, conseguiram dar seu recado com competência. Da mesma forma, os Valentinos. Com um pouco mais de simpatizantes do que a Gulivers e uma influência pesadíssima de Oasis, a banda apresentou suas músicas próprias para o mesmo público.

Durante os quatro primeiros shows o som estava bastante prejudicado. Apesar da boa estrutura disponibilizada, não era possível ouvir tudo com clareza. Isso se deve à acústica do local e, principalmente, ao pouco público que compareceu ao evento.

Os uruguaios do Hablan Por La Espalda se apresentaram já com duas horas de atraso sobre o horário previsto. Mas a espera valeu muito à pena. Com um show cheio de energia e um som que evoluiu muito desde a última passagem da banda pela capital gaúcha, fizeram o melhor show da noite até ali. Lamentável foi a atitude do vocalista, que arremessou uma lata contra a fotógrafa do POA SHOW. Uma boa banda, capitaneada por um rapaz “não muito esperto”.

Se o Hablan fez o melhor show da noite até aquele momento, esse título não durou mais do que alguns minutos. Walverdes tomou a Casa do Gaúcho de assalto com seu show. Pesado, conciso e furioso. Esse é o Walverdes no palco. Apresentando seu novo guitarrista (Julio Porto, Ex-Ultramen), a banda fez o melhor show do festival. Com uma energia impressionante, ainda mandaram uma versão de “Sweet Leaf” do Black Sabbath. Contaram, também, com uma mãozinha do amigo Iuri Freiberger (Tom Bloch), que operou a mesa de som, proporcionando o melhor som do festival.

Logo depois, o duo eletro-rock porto-alegrense FENX se apresentou. Não poderia haver contraponto maior ao show do Walverdes. Apesar do trabalho bacana, esvaziaram parte da pista. Foi o show certo no momento errado.

Show errado foi o dos uruguaios do Dante Inferno. Se apresentando agora como um trio (sem baixista), a Dante fez um show do qual não é possível dizer nada de positivo. Tocando de maneira desconexa, com instrumentos desafinados e com longas pausas entre as músicas, causou dúvidas neste redator. Parecia uma passagem de som despretensiosa. Os finais das músicas eram totalmente caóticos e desencontrados. Acabou com um dos guitarristas deixando a guitarra no chão, fazendo ruído. Talvez show não seja a melhor definição para o que aconteceu. Realmente tenebroso.

Saindo um pouco da linha rock o ex-vocalista do Ultramen, Tonho Crocco, apresentou seu show solo, numa levada que mistura Rock, Samba-Rock, música brasileira e tudo mais que lhe vier à cabeça. Acompanhado de músicos competentes e mandando bem na guitarra (instrumento que não tocava em sua antiga banda), Tonho botou o público, já um pouco maior, para dançar. Desculpou-se por sair um pouco do estilo do festival e fechou com o maior sucesso da Ultramen: “Dívida”.

Já passava da meia noite quando chegou a hora das atrações principais se apresentarem. Primeiro, Mallu Magalhães. A maior revelação da internet brasileira trouxe de volta a Porto Alegre seu show e surpreendeu  muitos de seus críticos. Primeiramente, o próprio visual da cantora está mudado. Sem o estilo menininha, Mallu parece agora uma adolescente. No som, outra evolução. Desafinando bem menos e cantando com mais personalidade, Mallu demonstrou uma evolução que muitos não esperavam dela. O destaque foi a interpretação arrepiante de “House of the Rising Sun”. Seus sucessos, como “Tchubaruba”, “Vanguart” e “J1” também foram presença confirmada. Com a pista lotada, Mallu chama um convidado. Conforme anunciado, Marcelo Camelo, vocalista do Los Hermanos e namorado da cantora, sobe para uma breve participação.

“Janta”, parceria dos dois, emocionou os fãs da Mallu. Para os fãs de Camelo, “Mais Tarde”. E, por fim, um presente surpreendente aos saudosos fãs do Los Hermanos: “Além do Que Se vê” foi a música mais cantada da noite, dando a sensação de que a Casa do Gaúcho estava lotada de fãs da banda. E encerraram com um belo abraço fraterno.

Não deixe de conferir a segunda parte da cobertura.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine e Paulo Capiotti

Publicações Relacionadas

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *