The Exploited no Manara

The Exploited


Noite de quarta-feira e aquela que pode ser considerada a maior banda punk em atividade se apresenta na capital dos gaúchos: The Exploited no Manara, um dos grandes eventos do estilo no ano.

A noite começou com um pequeno atraso, com as bandas convidadas. O esquenta ficou por conta das bandas gaúchas Real $ociedade e Unidos Pelo Ódio.

Apresentando um som agressivo que vai além do Hardcore, a Real $ociedade fez um show competente para poucas testemunhas. No início eram pouco mais de 25 pessoas e não conseguiram dobrar esse número. Reflexo, muito, da cultura porto-alegrense de não prestigiar as bandas de abertura. Apresentando-se como um trio, demonstraram pegada forte e letras de protesto. Encerraram com “Morte ao Bush”, que contou ainda com um discurso politizado do vocalista Alemão Nylton. Não é possível reproduzir aqui o que foi dito a respeito da governadora.

Em seguida, com a pista quase cheia, veio a Unidos Pelo Ódio. O Punk Rock da UPO, de qualidade ímpar e executado com precisão, abriu rodas impressionantes na pista do Manara. Mais: foi cantado pelos presentes, algo que muito dificilmente uma atração de abertura consegue obter sem ter que apelar para covers clássicos. A UPO tem fãs, e eles estavam presentes. E não é sem merecer: não ficam devendo em nada para referências do estilo como, por exemplo, os paulistas do Ratos de Porão.  A energia da banda no palco fez até mesmo com que fãs mais exaltados subissem ao palco e dessem algum trabalho aos seguranças. Uma banda com mais de 15 anos de estrada que, infelizmente, está em um patamar bem inferior ao que merece estar.

Pouco depois das 23h o Exploited sobe ao palco. Sem frescuras, sem introdução, sem entradas apoteóticas. Simples como o punk deve ser, mandam de cara “Let’s Start a War” e “Fightback”. Sofreram com alguns problemas técnicos, mais especificamente com o baixo, o que deu trabalho aos roadies durante toda a primeira metade da apresentação. No entanto, ninguém teve mais trabalho do que os seguranças: se no show anterior precisaram conter o público, com o Exploited no palco as coisas se tornaram mais difíceis. Chegaram a combinar “estratégias” antes que escoceses subissem, mas sem sucesso. Formaram apenas um cordão para impedir o acesso ao palco, contra o qual foram constantemente empurrados ao longo da noite.

O set-list agradou em cheio: contou, ainda na primeira metade do show, com “UK 82”, “Anarchy”, “Troops of Tomorrow” e “Never Sell Out”.

Se no início o problema foi com o baixo, do meio do show em diante foi o microfone do vocalista Wattie Buchan que começou a apresentar problemas. Buchan começou a levar choques, mas isso não interferiu em nada. As músicas continuavam como se nada estivesse acontecendo. Nada pode ser mais punk do que isso.

O público, por sua vez, proporcionou outro show: não parou um segundo, retribuindo à altura a dedicação da banda no palco. Rodas incríveis se formaram na pequena pista do Manara.

O show que já era ótimo, ficou ainda melhor no seu final, com a escolha, na seqüência, de “Fuck the System”, “Army Life”, “Porno Slut” e “Fuck the U.S.A.”. E com apenas um minuto para respirar, retornaram com o bis.

No retorno, o baixista Irish Rob permite que um fã tenha acesso ao palco. E é executando “Sex And Violence” com este mesmo fã no vocal que a banda retorna. Após o primeiro verso, Wattie Buchan assume o vocal. Fecharam com as clássicas “Punk’s Not Dead” e “Was It Me”, encerrando 70 minutos que serviram para provar que o Punk não está morto. A gente agradece.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine



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