Projeto “Eu Faço Cultura” com Zeca Baleiro

Zeca Baleiro

O projeto “Eu Faço Cultura”, iniciativa conjunta do MCPC (Movimento Cultural do Pessoal da Caixa) e da Caixa Seguros, chega pela terceira vez a Porto Alegre. Depois das apresentações de Nando Reis e Vanessa da Mata, no último domingo foi a vez do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro apresentar sua música ao público gaúcho.

No horário marcado, 20h, começa o show de abertura. O violinista francês radicado no Brasil Nicolas Krassik apresenta um repertório com muito samba e música brasileira, mas também claramente influenciado pelo jazz. Acompanhado de um baterista e um violonista competentíssimos, agradou ao pequeno público que o assistia.

Pouco depois das 21h15 Zeca Baleiro sobe ao palco com “Meu Amor, Minha Flor, Minha Menina”, do disco “Baladas do Asfalto e Outros Blues”. Em seguida, outro sucesso “Eu Despedi o Meu Patrão”. Aparentemente contrariado com algo, Zeca manteve o semblante sério durante as primeiras canções do set. Foi assim também em “Salão de Beleza” e “Proibida pra Mim”, onde Baleiro incluiu um trecho de “Zóio d’Lula”, outro sucesso do Charlie Brown Jr..

Zeca Baleiro foi então até o fundo do palco para deixar a guitarra. Retornou de costas para o público, com uma dancinha. Foi ali que o cantor se mostrou sorridente pela primeira vez. Felizmente seu ânimo, a partir daquele momento, mudou da água para o vinho. Antes de “Bola Dividida”, Zeca pediu desculpas por sua voz, e então foi possível perceber que o cantor estava bastante congestionado. Talvez fosse esse o motivo do desconforto.

O clima que já era light ficou ainda mais tranqüilo com o set acústico preparado pela banda. “Essa música não é minha. Mas é minha também.” Veio então um dos destaques da noite, a execução com três violões (um terceiro foi assumido pelo baixista Fernando Nunes) de “Bicho de Sete Cabeças”, de Geraldo Azevedo. Um dos momentos mais emocionantes da apresentação. Ao final, Fernando deixa o palco para que apenas Zeca e o guitarrista Tuco Marcondes mandassem “Vapor Barato” e “A Flor da Pele”.

Como de costume, alguém gritou “Toca Raul”. Obviamente uma provocação bem humorada ao compositor que escreveu exatamente sobre este bordão na música que leva este título. Zeca, simpático, canta um trecho de “A Maçã” e conclui: “É… acho que vou fazer…”. Deixou a expectativa de uma possível versão.

O repertório contou ainda com clássicos como “Babylon”, “Telegrama”, “Ópio”, “Quase Nada” e “A Alma Não Tem Cor”, mas também houve ausências significativas como “Piercing” e “Lenha”, que ficaram de fora.

Para encerrar, mandou “Toca Raul”, homenagem ao grande Raulzito que acabou se tornando carro chefe de seu último disco, “O Coração do Homem Bomba”.

Para o bis, a já tradicional junção de “Detesto Coca Light” e “Heavy Metal do Senhor”, em uma versão explosiva e cheia de energia, como o Heavy Metal deve ser. “Heavy Metal do Senhor” levantou o público de forma que nenhuma outra canção o fez até ali e provou que ainda é, sim, o maior hit de Zeca.

Um bom show, com um resultado estético bacana.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine


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