Erasmo Carlos faz tremer o Teatro do Bourbon Country

Erasmo Carlos

No telão, imagens de uma pessoa oculta por sombras e com voz distorcida. O clima era de depoimento anônimo de um viciado. A “pessoa” dizia que tudo começou muito cedo, a família não aceitava, mas ele insistiu. “Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando… Mas eu não tenho vergonha de dizer que sou um viciado em Rock and Roll”. O depoimento é de Erasmo Carlos, o “Tremendão”, e é assim que o show “Rock and Roll” tem início.

“Jogo sujo” é a música do novo CD que abre os trabalhos. Impossível não reparar no palco repleto de músicos: são três guitarristas (Dadi Carvalho, Billy Brandão e Luiz Lopes), um baixista (Pedro Dias), o tecladista José Lourenço e Alan Fontenele na bateria. Luiz, Pedro e Alan formam a banda “Os Filhos de Judith”, que segundo Erasmo, não são filhos dele.
Como não podia deixar de ser, um clássico dá continuidade: “Sou uma criança não entendo nada”, seguida de “Mesmo que seja eu” (que me remeteu mais do que imediatamente a Marina Lima) e “Mulher”/”Minha Superstar”. Claramente um tributo às mulheres. Na sequência, mais uma do novo CD: Chuva Ácida.
Uma grata surpresa quando “Negro Gato” é tocada. Erasmo soube intercalar muito bem as músicas do novo CD e seus clássicos, conseguindo um bom equilíbrio. Nesse momento, toca “Noturno Carioca”… Uma das novas.
Erasmo introduz a próxima a canção, dizendo que muitos vão ao show para escutá-la e então puxa “Gatinha Manhosa”. Nessa hora, me recordo da minha infância, essa música na voz de Léo Jaime.

O “Tremendão” faz questão de frisar que é um compositor, muito mais que intérprete. Mas o humor ácido e sarcástico a cada música (que é devidamente introduzida por uma história), não nega que ele se sente bastante a vontade em cima do palco.

O show segue com “Sentado a Beira do Caminho” e em seguida, um momento de consciência ecológica. Erasmo fala de uma música do final dos anos 70, dizendo que Roberto (Carlos) e ele já levantavam as questões ambientais naquela época e ninguém dava atenção. “Panorama Ecológico” é a música, que tem partes que, pessoalmente, considerei musicalmente “tensas” e interessantes. E então, uma música que há pouco estava nas rádios, nas vozes dos Titãs: “É preciso saber viver”.
Nesse momento, os músicos se retiram, ficando no palco apenas o tecladista e Erasmo num banquinho ao seu lado. Erasmo fala dos seus quase 50 anos de carreira e cita os 50 anos de carreira de Roberto Carlos, seu amigo e parceiro. Ao dizer que foi convidado a participar de várias homenagens, Erasmo diz que agora, quer fazer sua própria homenagem ao Rei Roberto, em forma de Pout Pourri: “Desabafo” / “Olha” / “Proposta” / “Os seus Botões” / “Detalhes” / “Café da Manhã” / “Cavalgada” / “Eu te Amo, te Amo, te Amo”/ “Como é Grande o Meu Amor Por Você”.
Após a homenagem ao Rei, uma música do novo cd: “Olhar de Mangá”. Erasmo adverte aos homens presentes para terem cuidado com as mulheres com o esse olhar de Mangá (em referência aos desenhos Japoneses). No final da música, Erasmo cita o nome de 50 mulheres, entre atrizes, cantoras, nacionais e internacionais.
E então, o show já se encaminha para o seu terço final, considerado por mim o mais animado e “Rock and Roll”. Começa com “A Guitarra é uma Mulher” do novo CD, com acordes pesados e solos bastante interessantes. “Quero que vá tudo pro inferno” também ganha uma  nova roupagem, mais pesada.  O lado bad boy é apresentado em “Lobo Mau” e  “Fama de Mau”. A animação continua e algumas pessoas das galerias se levantam para dançar “Vem quente que eu estou fervendo”. E a última música antes do Bis é “É Proibido Fumar”.
Todos saem do palco, mas voltam sem muita demora. A música agora é “Cover”, em que Erasmo conta o quanto gosta de ser cover de si próprio (reforçando sua condição de compositor). No palco, um cover de Michael Jackson, um de Elvis Presley e, obviamente, um de Roberto Carlos, beijando e distribuindo rosas vermelhas.

Para acabar, não poderia ser diferente: “Festa de Arromba”. E aquela vontade de ir pra casa dançando é instaurada. Definitivamente, Erasmo é um mestre do “Rock and Roll” tradicional, na sua forma mais pura e simples, porém com letras ora fortes, ora divertidas e músicos competentes o acompanhando.  Um show do bom e velho Rock and Roll, para todas as idades.

Por: Karina Kohl

Fotos: Paulo Capiotti

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