Matanza volta a Porto Alegre

Matanza

Existem bandas que não dependem da mídia para manter uma carreira de sucesso. São poucas, mas elas estão aí trabalhando firmes e fortes. No último domingo, uma delas veio mais uma vez a Porto Alegre. Os cariocas do Matanza lotaram, novamente, o Bar Opinião no show de encerramento da Tour “Ao Vivo MTV Apresenta – Matanza”.

O aquecimento das turbinas ficou a cargo da Iron Fist, cover gaúcho do Motörhead. Formada por figuras conhecidas da cena metal gaúcha (Flávio Soares da Leviaethan, Marcio Jameson, ex-Bestial, e Paulo “Necrovitus” da Pilatus), a Iron Fist levantou o público já numeroso que compareceu até ali. Destaque para o final destruidor com “Overkill”, “Iron Fist” e “Ace of Spades”.

Pouco depois das 21h30min o Matanza sobe ao palco. Sem dar tempo para respirar, emendam não duas ou três, mas sete músicas onde a banda se mostrou ainda mais forte e entrosada do que no show do ano passado. Foram elas: “Meio Psicopata”, “Sabendo Que Eu Posso Morrer”, “O Chamado do Bar”, “Matarei”, “Maldito Hippie Sujo”, “Tempo Ruim” e “Eu Não Gosto de Ninguém”.

“Agora sim eu posso dizer boa noite”, falou o vocalista Jimmy London. “… ou seria melhor dizer… PUTAQUEPARIU PORTOALEGREEEEEEEEEEE!!!!!”. Com seu clássico bordão o vocalista do Matanza saudou o público gaúcho, já com 20 minutos de show.

Quanto à performance da banda, não há muito o que dizer. O Matanza empilha uma porrada atrás da outra. Não há uma maneira mais formal ou jornalística de definir o que Jimmy, China, Maurício e Jonas são juntos no palco.

“Eu estou achando esse lugar mais quente do que eu lembrava… bem que poderia ter uma piscina aqui… É… Uma piscina ia bem… Um gramado… Uma sala de jogos…Tá parecendo até um clube… Que clube é esse???? (olha para o baixista China) Clube dos maconheiros? O China é o carteirinha 001 desse clube… QUAL O NOME DO CLUBE DO MATANZA????”. E é com a pronta resposta que a banda começa “Clube dos Canalhas”.

Faz parte do show do Matanza as falas ensaiadas de Jimmy. Mas, às vezes, é preciso uma pequena ajuda: “Quem estava aqui no show do ano passado? Eu preciso saber, sério, porque eu não quero me repetir… Eu perguntei pro China o que era bom pra ele?” Após um sonoro sim, continua: “E o China respondeu o que?” Após ouvir a resposta do pessoal mais próximo, Jimmy se dirige ao baixista: “O que? Você disse ‘cu’, China? Não acredito! Ta bem, eu sei que o China tem três anos de idade, mas ele não diria ‘cu’… Disse né? Putaqueopariu…”. “E você Maurício “Nojeira”? O que é bom pra você?”. Maurício então inicia “Paranoid”, clássico do Black Sabbath, logo acompanhado por China e Jonas. Vão até o refrão, mas sem vocal. “O Maurício acaba de provar que se amarra mesmo é num velhinho de óculos… Mas bom mesmo… Bom mesmo… Bom é quando faz mal!”.

“Bom é quando faz Mal”, um dos maiores clássicos da banda, foi cantada por todos os presentes até o final do primeiro refrão. Jimmy não usou o microfone, e nem precisava. O público fiel da banda fez retumbar a letra por todo o Bar Opinião. Este foi o segundo show na capital gaúcha sem o guitarrista titular, Donida, que optou por não se apresentar mais ao vivo com o Matanza (mas mantém suas funções de guitarrista de estúdio e compositor). Seu substituto, Maurício Nogueira, não deixou a desejar e, apesar da ingrata tarefa de substituir o guitarrista original nos palcos, mostrou a que veio. No entanto, é nítida sua pegada ainda mais Metal do que a de Donida, o que descaracterizou, no detalhe, algumas passagens como, por exemplo, o solo de “Bom é Quando Faz Mal”.

O repertório do show contou com músicas dos quatro álbuns da banda. As escolhidas de “To Hell With Johnny Cash”, desta vez, foram “Leave That Junk Alone” e “Big River”. Quanto aos álbuns autorais, foram, os três, muito bem representados com “Imbecil”, “Mesa de Saloon”, “Todo o Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head”, “Bebe, Arrota e Peida”, “Ressaca Sem Fim”, “A Arte do Insulto”, e várias outras, além da tradicional saideira “Estamos Todos Bêbados”.

Ao final de uma hora e vinte de show (o que é demais para o Matanza) o público não deu sinais de que iria embora e continuou a chamar pela banda. Apesar de o Matanza tradicionalmente não fazer bis, repetiram a surpresa do ano passado e voltaram para mandar ainda “Tombstone City” e encerrar, definitivamente, esta grande noite.

Destruidor.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

Confira a entrevista com o Jimmy

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