O Rappa volta ao Opinião

Falcão

Quinta-feira 17 de dezembro, noite quente que marcou aquele que pode ser o último show da banda carioca O Rappa em Porto Alegre. A banda, que vem sendo assunto de comentários nada animadores quanto ao prosseguimento de seus trabalhos, deve mesmo anunciar seu fim, ou pelo menos o famoso “recesso por tempo indeterminado”.

A noite começou cedo, com a abertura da casa às 22h. A partir de então, o público não parava de chegar, lotando a casa. O show, anunciado para as 23h, atrasou. Eram quase 1h da manhã quando a banda subiu ao palco do Opinião com “Meu Mundo é o Barro”.

Desde o início, a melhor performance da noite foi do público, sempre fiel e emocionado com as canções da banda. Já o Rappa, fez aquela que pode ser considerada, por alguns, uma apresentação morna.

Os grandes sucessos da banda se misturaram às músicas do último CD, “7 Vezes”. “Me Deixa”, “Lado B, Lado A” e “Reza Vela” foram algumas das músicas mais cantadas da noite. O ponto alto da apresentação foi “Minha Alma”, o maior sucesso do Rappa, cantada por todos de forma emocionante e ensurdecedora.

FalcãoUma versão bacana de “Maneiras”, de Zeca Pagodinho gerou expectativas especiais: corria o boato de uma participação especial do próprio Zeca, que se apresentou em Porto Alegre na mesma noite, na festa do centenário do Sport Club Internacional. No entanto, não passou de um boato.

Durante  “O Pescador de Ilusões”, Falcão agradeceu ao Grêmio pelo título brasileiro do Flamengo, arrancando aplausos e vaias. Para encerrar, com pouco mais de 1h40min de show, “Súplica Cearense”, última música de trabalho do álbum mais recente. A banda se retira em uma despedida rápida e fria. Não houve bis.

Esta é, ao contrário do que se lê habitualmente neste veículo, uma resenha curta e simplista. Não é para menos. Poderia ser ainda mais curta. A banda subiu ao palco, tocou bem (tecnicamente). No entanto, não foi um típico show do Rappa. Algo parecia fazer muita falta ali.

Procurando por alguns vídeos do show no YouTube, me deparei com um que pode refletir o pensamento e o sentimento de muitos presentes naquela noite, ou talvez, daqueles que analisaram os fatos de forma mais atenta e menos apaixonada. Segue o texto:

“O pior show que já fui. Falta de respeito com os fãs. Duas horas de atraso. Show inicia sem a banda no palco. Ficamos duas horas ouvindo DJ e o show inicia somente com o DJ no palco. Todos fomos lá para ver “O RAPPA” e vimos uma banda sem profissionalismo, se arrastando, com o auxílio de um DJ para tapar os furos. Falcão sem vontade, se retirava do palco com freqüência. Não valeu 50% do valor do ingresso.”

Todos concordamos que um show do Rappa sempre vai estar longe de ser o pior show ao qual já comparecemos, mas chama a atenção a veemência das palavras da usuária para a energia da banda no palco. E, de fato, foi o que a banda demonstrou. Um show burocrático, uma apresentação que só aconteceu por respeito aos fãs. De fato Falcão se ausentou diversas vezes. De fato o DJ teve mais participações do que no último show da banda em Porto Alegre. E, de fato, a banda pareceu cansada. Não há mais magia. Não há mais energia e parece não haver mais vontade de continuar. Talvez o recesso supracitado seja a melhor decisão, até que as coisas voltem a ser como antes. Se voltarem.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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