No Fun At All na Tour “Low Rider”

No Fun At All

Nem só do som do verão vivem os porto-alegrenses no mês de Janeiro. Os fãs gaúchos de hardcore tiveram, na última quarta-feira, dia 27, a oportunidade de conferir o show da banda sueca No Fun At All, no Teatro do Bourbon Country.

Como é de praxe em shows internacionais, houve banda local como atração de abertura. Desta vez foi escolhida a Atrack, banda porto-alegrense de hardcore com mais de doze anos de estrada e um dos principais nomes da cena HC gaúcha. Começou tocando para um público pequeno, exatamente 17 testemunhas e, infelizmente, encerrou a apresentação apresentando-se para apenas 50. A banda, apesar da performance forte e coesa instrumentalmente, cometeu alguns deslizes. A forma de encarar o público, falando diretamente com alguns conhecidos e fazendo algumas piadas de gosto discutível, passaram a impressão de que a banda encarava aquela abertura como um grande ensaio ao vivo. A proposta musical da Atrack também se mostrou confusa. A alternância entre o hardcore mais pesado que os tornou conhecidos na cena e a proposta mais moderna e melódica, que justifica a admissão de uma vocalista, acabou por não deixar clara a identidade da banda.Pouco depois, cerca de 20 minutos, Christer Johansson e Mikael Danielsson (guitarras), Kjell Ramstedt (bateria), Stefan Neuman (baixo) e Ingemar Jansson (vocais) sobem ao palco para a excelente “My Mind Mine”, faixa que abre o último disco “Low Rider”. Em seguida, sem intervalos, mandam as clássicas “Believers” e “Suicide Machine”, abrindo as primeiras rodas entre o pequeno público presente.

“É muito bom estar de volta ao Brasil e a Porto Alegre”, disse Jansson, saudando o público pequeno, porém fiel que compareceu para prestigiá-los.

Donos de uma energia impressionante e de um entrosamento fora do comum, o No Fun At All é uma banda que se diferencia no estilo, seja por suas composições de qualidade ou por ser criativo em seus arranjos mesmo em um estilo tão simples. As variações de andamento e as paradas com timing perfeito são executadas como em estúdio, porém com energia muito No Fun At Allmaior. Os pequenos problemas técnicos (como a voz baixa nas primeiras músicas ou a falha no som do baixo (rapidamente consertada) passaram quase despercebidos.

A escolha de repertório também não deixou nada a desejar: “Estivemos tocando muito na Europa no último ano…Mas agora viemos ao Brasil e resolvemos alterar algumas coisas no setlist. Vamos tocar algumas coisas muito antigas, que não tocamos há muito, muito tempo…” sentenciou o vocalista Ingemar Jansson. Por conta desta decisão, os fãs gaúchos foram presenteados com um set recheado de clássicos e com apenas quatro músicas de seu álbum mais recente, Low Rider, de 2008.

O clima de diversão e de proximidade entre banda e público proporcionou algumas cenas inusitadas. Primeiro o vocalista Ingemar Jansson provoca “vejo muitas camisetas do Millencolin hoje… Depois do show vocês podem ir ali comprar camisetas do No Fun At All”, arrancando risos. Logo depois, Ingemar convida todos a formarem a maior roda da noite, e inclusive escolhe um fã e determina “você organiza, eu estou muito velho pra isso”. Mais adiante, já no bis, Jansson tenta cantar o que seria “Garota de Ipanema”, enquanto o pedal da bateria é trocado. Mais risos.

O bis, aliás, foi a cereja do bolo: “Invitation” (que precisou ser reiniciada em função do problema supracitado com o pedal da bateria), “Out Of Bounds”, “Don’t Be a Pansy” e “Master Celebrator” deixaram os fãs de alma lavada.

Quando uma banda tem experiência, competência e, ainda por cima, gosta do que faz, o resultado não pode ser negativo. O No Fun At All provou isso na noite de quarta. Comprar um ingresso para um show do No Fun At All é satisfação e diversão garantidas.

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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