Metallica se apresenta pela segunda vez em Porto Alegre

Hibria - Iuri Sanson

Que Porto Alegre entrou na rota das turnês internacionais nos últimos anos, não é novidade alguma. No entanto, poucos são os mega-shows que chegam à capital dos gaúchos. Aqueles grandes eventos, a céu aberto, com mais de 20 mil pessoas e enormes estruturas finalmente voltaram a acontecer na última quinta-feira, dia 28, no Parque Condor. O Metallica, a mais bem sucedida banda de metal da história, se apresentou pela segunda vez em Porto Alegre. E a abertura dos trabalhos ficou por conta da mais bem sucedida banda de metal do Rio Grande do Sul: Os porto-alegrenses do Hibria foram convidados para esquentar o público do Metallica.

Em um set longo para uma atração de abertura (pouco mais de 40 minutos) o Hibria apresentou músicas de seus dois álbuns (“Defying The Rules”, de 2004 e “The Skull Collectors”, de 2008), e foi sempre muito bem recebida. Sua técnica e competência se aliaram perfeitamente à experiência de grandes apresentações no Brasil e fora dele, o que só poderia render um resultado muito positivo. Ganharam a maioria do público presente. Destaque para “Tiger Punch”, “Anger Inside” e, obviamente, para seu maior hit “Steel Lord On Wheels”.

Metallica - James Hetfield

Pouco depois das 21h45 as luzes se apagam para o Metallica. Os telões exibem a introdução “Ecstasy Of Gold”, do filme “The Good, The Bad and the Ugly”. Logo no início do show, a primeira surpresa: a banda emenda três músicas do álbum “Ride The Lightning”: “Creeping Death”, “For Whom The Bells Tolls” e a própria “Ride The Lightning”. Os primeiros 17 minutos foram inteiramente dedicados ao segundo álbum da banda, satisfazendo plenamente os fãs do repertório mais antigo.

O vocalista James Hetfield, no entanto, cometeu um pequeno deslize: após a promessa de que aquela seria uma ótima noite, James se disse muito feliz por tocar pela primeira vez em Porto Alegre, esquecendo-se da passagem do Metallica por aqui em 99. Pegou mal, mas a performance da banda era tão impressionante que muitos nem se deram conta da gafe.

Na seqüência, mais uma surpresa: “The Memory Remains”, do álbum “Reload”, canção que ainda não havia sido executada na turnê sul-americana do Metallica. Escolha inteligente de um single que teve seu videoclip fortemente veiculado na época de seu lançamento, “The Memory Remains” ficou ainda melhor com o público cantando a vocalização que em estúdio foi gravada por Marianne Faithfull.

O show do Metallica impressiona do início ao fim. Seja por méritos da banda ou da estrutura que a cerca. O que vimos foi um Metallica mais velho, mais forte e mais feliz do que o de 99. A estrutura de som, luz, palco e efeitos foi, definitivamente, uma das melhores já apresentadas em Porto Alegre. Os dois telões laterais e o imenso telão de LED ao fundo proporcionavam uma visão nítida e detalhada do que estava acontecendo (apesar de o telão da esquerda estar invertido: nele, todos os membros da banda apareciam canhotos).

Metallica - Kirk Hammett

A escolha de repertório foi cheia de surpresas. Além das já citadas, houve espaço para “The Day That Never Comes”, que apesar de ser o single do último álbum, “Death Magnetic”, ainda não havia sido executada nesta tour. No entanto, as músicas que estiverem presentes em todas as apresentações também fizeram parte do setlist de Porto Alegre: “That Was Just Your Life” e “Cyanide”, também do último disco, “Sad But True”, “Master Of Puppets” e “One”, esta ultima com as imagens de telão em preto e branco, lembrando o videoclip, levantaram os mais de 25 mil pagantes.

Para encerrar a primeira parte do show, duas canções do Black Album: Primeiro a belíssima execução de “Nothing Else Matters” iniciou-se com uma execução um pouco imprecisa da intro pelo guitarrista Kirk Hammet, que em seguida deixa o palco para que James Hetfield execute a primeira parte da canção, acompanhado apenas do público. Com a volta da banda após o primeiro refrão, a música ganha peso e consistência, emocionando ainda mais os fãs. Já em “Enter Sandman”, o Metallica recebeu a melhor resposta do público, que cantou seu refrão a plenos pulmões.

Após menos de um minuto (ausência tão rápida que alguns nem chegaram a perceber), a banda retorna ao palco para o bis. Assim como nos shows anteriores no continente, abriram com um cover. Desta vez a escolhida foi “Die, Die, My Darling”, dos Misfits, algo que ainda não tinha sido feito nesta tour. “Phantom Lord”, do “Kill’em All” também surpreendeu. Durante o bis, James aproveitou para repetir a façanha de citar a apresentação como a primeira em Porto Alegre, mas foi ironicamente corrigido por Kirk Hammet, que com um sorriso irônico sinalizou com os dedos que se tratava do segundo show na cidade. O encerramento foi, este sim, previsível: “Seek And Destroy” fechou com chave de ouro aquela que talvez tenha sido a melhor apresentação do Metallica na América do Sul até agora.

Espetáculo é pouco, perto do que o Metallica apresentou. Grandes telões, fogos de artifício, chamas gigantescas, ótimo repertório e uma banda justificando seu lugar de destaque não apenas no heavy metal, mas na história da música. Não seria uma insanidade apostar neste como o melhor show de 2010. E ainda estamos em Janeiro.

Parque Condor

Muito se falou sobre a alteração do local do Estádio do Zequinha para o Parque Condor. No entanto, nada passava de mera especulação. Somente agora, após o evento é que podem se tiradas conclusões sérias sobre o Parque.

O Parque Condor é um local amplo, open-air, de boa localização e com fácil acesso através de transporte coletivo. Estes são pontos extremamente positivos. No entanto é um local onde o tráfego se torna lento demais quando exposto a grandes concentrações de pessoas, não há estrutura básica de estacionamento e a compactação do solo está longe de ser perfeita. Houve muita lama no local e no estacionamento oficial. Um bom local para shows, que com um pouco mais de cuidado e uma boa parceria com a EPTC pode se tornar referência em grandes eventos. A produção foi competente e se saiu muito bem diante da adversidade da alteração do local original para um local totalmente novo. Que venha o próximo.

Set List:

Creeping Death

For Whom The Bells Tolls

Ride The Lightning

The Memory Remains

Fade to Black

That Was Just Your Life

The End of The Line

The Day That Never Comes

Sad But True

Cyanide

One

Master Of Puppets

Battery

Nothing Else Matters

Enter Sandman

(bis)

Die, Die My Darling (Misfits Cover)

Phantom Lord

Seek And Destroy

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

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8 Comments

  1. Lucas

    Excelente show.
    Uma crítica à organição: a saída a pé foi muito lenta e tumultuada.
    Se houvesse qualquer problema (era só alguem gritar “bomba!!”) certamente haveria pisoteamento que quem caísse no chão.
    Os portões de saída deveria ser mais amplos.

    [Responder]

  2. Eduardo

    Olha a gafe.
    ” houve espaço para “The Day That Never Comes”, que apesar de ser o single do último álbum, “Death Magnetic”, ainda não havia sido executada nesta tour. ”

    A The Day That Never Comes só não foi tocada em 5 shows. Primeira vez é difícil hein. Tá que nem o James que disse ser a 1º vez do Metallica em POA.

    Arruma ai.

    [Responder]

    poashow Responde:

    Caro Eduardo
    A tour em questão é a sul-americana, onde “The Day That Never Comes” ainda não havia sido executada.
    A informação está correta.
    Abraço!
    Marcel Bittencourt

    [Responder]

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