O infernal Nando Reis, no melhor sentido da palavra.

Nando Reis

Antes mesmo de desembarcar em Porto Alegre, Nando Reis já tinha noção do que lhe esperava.  A procura por ingressos para o seu show foi tamanha que o cantor paulistano recebeu o convite para fazer uma apresentação extra, na sexta, no mesmo Opinião.

Ele aceitou e, para satisfação do público, foi marcada uma reabertura de temporada em dose dupla. Acredito que faz tempo que isto não ocorria, se é que, um dia, já ocorreu.

Diante desse cenário de expectativa, a quinta-feira se anunciou trazendo a sensação de abafamento, com sol, céu azul, e calor. Um dia típico de verão porto-alegrense.

Durante a noite, nas dependências do renovado bar Opinião, os novos aparelhos de ar-condicionado trabalhavam, literalmente, a todo vapor, tentando amenizar a temperatura que, na rua, registrava 26 graus.

No entanto, com Nando Reis e Os Infernais, o clima, sugestivo, ou recomendável, era quente mesmo.

Porém, antes de falar do show, cabe mencionar algumas mudanças no bar.

Além do novo sistema de ventilação, vale ressaltar o uso da tecnologia na decoração.  Pôsteres de bandas como Rolling Stones e do cantor Johnny Cash interagem, e dialogam, com as luzes da tecnologia.

Há, também, um quadro-telão, com imagens em movimento, localizado na parede da escada que dá acesso à chapelaria e aos banheiros. Pequenas mudanças que fizeram grande diferença nas instalações do bar. Parabéns aos envolvidos.

Para selar a festa, perante um novo sistema de luz, e imagem, só faltava o encontro do público com o cantor. E, bem antes das 23h, isso já se anunciava.

Aproximadamente 1.500 pessoas fizeram-se presentes na reabertura do bar Opinião. Um público jovem, universitário, e com predomínio feminino.

Em meio ao público, procurando uma brecha para avistar o palco, elas transitavam com seus vestidos floridos, coloridos, estampados. Conseqüentemente, proporcionavam um visual magistral em uma noite de calor tradicional.

O relógio recém marcava 23h15min e o pessoal já chamava pelo cantor com o coro de: “Nando, Nando”..

Enfim, depois de um pouco de espera, às 23h45min, ovacionado, com um barulho ensurdecedor do público, o cantor apareceu no palco do Opinião.

Ele estava usando chapéu escuro, camisa preta, sem mangas, e vestia calça jeans. Nos braços carregava o seu velho violão de guerra.

No fundo do palco, um telão grandioso demonstrava mais uma novidade, do bar Opinião, para a temporada 2010. Nas laterais, entrelaçados, complementando a cenografia, retalhos de tecidos delineavam um mosaico abstrato. Coisa doida.

Além dos quatro parceiros tradicionais, da sua banda de apoio, Os Infernais, (guitarra, baixo, teclado e bateria) duas backing vocais integravam o septeto musical paulistano.

Sem muitas palavras, Nando Reis iniciou a apresentação com músicas do mais recente álbum, Drês, como “Hi, Dri”.

Na platéia, mulheres eram erguidas pelos namorados a fim de uma melhor visualização do palco. Paralelamente, no mezanino, o balcão do bar permanecia cheio de gente.

Ali ficaram aqueles que, logo cedo, desistiram de encontrar um espaço na multidão para enxergar o cantor. E, neste caso, para vê-lo, só restava a TV fixada na parede, perto do caixa.

O show iniciou e o público, com as palmas, correspondia a qualquer pedido ou manifestação do cantor.

Quando terminou a terceira música, “sou dela”, Nando Reis falou com os gaúchos pela primeira vez.  Agradeceu a presença de todos e o convite para o show de reabertura do bar.

Também mencionou o cd/dvd MTV ao vivo, gravado no Opinião, e lançado em 2004. Fez uma relação entre os anos e disse que se tratava de uma noite muito especial para ele.

Concomitantemente, agradeceu a receptividade dos porto-alegrenses.

Logo quando terminou a fala, diante de gritos e aplausos, cantou “livre como um Deus”, do cd Drês. Na música, Carlos Pontual dedilhava sua guitarra nervosa, extraindo melodias no canto do palco, à direita de Nando.

Entre uma música e outra, Nando Reis fazia uma pausa para beber água. Usava uma toalha branca para enxugar o suor.

Assim, feito o ritual hidratante, começaram os antigos sucessos. A primeira foi “no recreio”, cantada por Cássia Eller, e prosseguiu com “Drês”, “O mundo é bão, Sebastião” e “Sophia”, canção dedicada à filha.

Antes de “Sophia”, falou mais uma vez com o público, explicando os seus motivos para fazer essa música. O cantor parecia à vontade, em casa.

Nessa altura do show, os presentes se portavam como se tivessem diante do messias, o divino mestre. Era exaltação e devoção. As vozes femininas sobressaiam-se.

Então, no embalo, foi um sucesso atrás do outro. O ápice veio com “all star”, onde o público cantou do início ao fim, quase não se escutando a voz do próprio autor.

Após atingir o primeiro êxtase dos presentes, emendou com “Pra você guardei o amor”, “Relicário” e “A letra A”, música que tem uma perfeita definição: “Quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor”.

Como não poderia deixar de ser diferente, a euforia brotava em todos os cantos do bar. Tinha gente tirando foto, registrando o momento, e casais se abraçando, trocando carícias. Havia uma sincronia sentimental, emotiva, alegria pura.

Nem aqueles que continuavam bebendo no balcão, só ouvindo sua voz, sem vê-lo, demonstravam insatisfação. Mesmo que o som, no mezanino, perto do bar, não chegasse com a mesma nitidez.

Bastava começar a música que os presentes cantavam o resto. Era o momento de extravasar a garganta. Todavia, se tratando “do cara”, faltavam muitos sucessos.

Assim, “não vou me adaptar” levou muitos fãs à rouquidão. Foi outro ponto alto de um show repleto de momentos únicos.

“Não vou me adaptar” contou ainda com um solo de teclado de Alex Veley e seu chapéu de caubói.

Na seqüência, Nando falou sobre a música “conta” do álbum Drês. Mais uma criação dedicada à família. Uma letra que aborda a perda e as angústias de uma dor sem remédio.

Nos versos, “Desde o dia em que perdi minha mãe/ Eu me perdi de mim também”.. Quando terminou, emocionado, concluiu a música pronunciando um “que pena” no microfone.

Depois de mais uma breve pausa para beber água, e enxugar o rosto, o compositor entrou na parte final do show da primeira noite em Porto Alegre.

Cantou “Por onde andei”, “Dessa vez” e “luz dos olhos”, músicas em que diversos casais se beijaram, trocando juras e fidelidades, aos versos de “Os meus olhos vidram ao te ver/
São dois fãs, um par”..

Na música, o tecladista Alex Veley retirou o teclado dos “cavaletes” e o empunhou diante do público que, durante quase duas horas, se aglomerou na frente do palco em busca de uma melhor visualização de seu ídolo.

E ainda teve o bis.

O certo é que a banda faz jus ao nome, ou seja, “infernalmente” afiada, tarimbada e endiabrada, com a graça de Deus.

E é consenso que o posto de “hit man”, que foi de Lulu Santos, nos anos 80, e início dos 90, atualmente, sem dúvida, é de Nando Reis. Na verdade, ele já ocupa o cargo faz mais de uma década.

Trata-se de um artista completo, compositor de mão cheia. O cara que possui o dom da música, a essência nata.

Um especialista que tem o poder de simplificar o complicado e, também, de compor sucessos como quem escova os dentes.

Não é “de graça” que ele possui uma carreira sólida, consistente, com músicas consagradas, e parcerias com Jota Quest, Skank, Cássia Eller, Cidade Negra, Marisa Monte, e por aí vai.. Sem falar dos Titãs e, claro, sua caminhada solo.

Existem aqueles que, por predileção, podem até não gostar do seu estilo musical, porém, se conhecem um pouco de música, são obrigados a reconhecer o talento do paulistano, da capital. Sucesso é com ele.

Além disso, com o nascimento de sua neta, mês passado, como ele relatou em entrevista à rádio Pop Rock FM, também se faz necessário respeitar um “hit avô” brasileiro.

Portanto, caso tenha perdido, nesta sexta, no Opinião, tem mais Infernais e celebração de Reis. O show, extra, está marcado para iniciar às 21h.

A reabertura do bar teve promoção da rádio Pop Rock FM, apoio Lojas Trópico e realização Opinião Produtora.

Por: Silva Júnior

Fotos: Paulo Capiotti

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