Dream Theater: O principal nome do Metal Progressivo mostra seu peso

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Dia 16 de março de 2010 vai ficar marcado na memória do público Porto-alegrense que gosta de som pesado. Em um lado da cidade acontecia o show do Guns n’ Roses, maior ícone do Hard Rock feito no fim dos anos 80 e inicio dos 90. Acontecia é modo de falar, pois eu já estava dormindo quando o Guns começou a tocar. Mas isso eu deixo pro meu companheiro de site, Marcel Bittencourt, contar melhor. Minha missão era assistir a outro grande do cenário musical: o Dream Theater, que se apresentava pela primeira vez em solo gaúcho, depois de mais de vinte anos de banda e com um imenso público já consolidado.Antes dos monstros do Prog subirem ao palco, o pessoal que ia chegando aos poucos ao Pepsi On Stage, pôde conferir a apresentação de Richard Powell, um guitarrista bem conhecido do público gaúcho, e que conseguiu a proeza de levantar a galera de forma muito espontânea, se apresentando sozinho no palco sendo somente acompanhado por um playback de bateria e baixo que servia de base para seus solos e improvisos.

Após Richard Powell, foi a vez dos Estadunidenses do Bigelf subirem ao palco para apresentar o que eu chamaria de “Neo-Hippie-Progressive-Metal”. Na verdade, sou avesso a definições de estilo musical, mas eles fazem uma mescla tão grande entre a imagem e o som que era feito nos anos setenta, principalmente por bandas como Uriah Heep, passando por sons mais contemporâneos e pesados que remetem a uma temática tipicamente Heavy Metal, que era praticamente impossível não fazer certas analogias.

Mas voltando ao som, não às suas definições, os caras conseguiram manter a atenção do público pelos cerca de trinta minutos que tocaram. E devo dizer que foi legal. A maioria dos presentes entrou no clima do show e não parecia estar com tanta, e aqui reforço o “tanta”, pressa para que o Bigelf saísse do palco. Fizeram uma ótima apresentação de abertura, com direito até a um rápido bis.

Depois de muita espera: cinco, dez ou até vinte anos para alguns, eis que o Dream Theater sobe ao palco e a catarse é geral. Praticamente não se ouviam os primeiros versos cantados por James LaBrie, entre gritos de emoção e fãs cantando todas as frases junto com o vocalista, ficava difícil ouvir o que a banda tocava em cima do palco, somente o suficiente para descobrir que a a

bertura da apresentação era dada por “A Nightmare to Remember”, música do mais recente álbum da banda, “Black Clouds & Silver Linings”. O show continuou em alto ritmo com a música “A Rite of Passage”, do mesmo álbum.

Depois de quase meia hora de show, e apenas duas músicas tocadas, foi a vez de um dos pontos altos da apresentação “Hollow Years” praticamente tirou lágrimas dos olhos de alguns fãs mais fervorosos. Era nítido o poder que certas músicas desta banda, principalmente as antigas, tem no público que os acompanha há bastante tempo. Depois da execução da faixa mais “Metallica” que o Dream Theater já compôs, “A Constant Motion”, foi a vez de uma divertida aula de virtuosismo dada pelo tecladista Jordan Rudess. Esbanjando talento em seu teclado, fazia seu solo ao mesmo tempo em que era projetada no telão uma caricatura sua tocando teclado e, posso estar errado, mas fiquei com a impressão de que o boneco de fato reproduzia fielmente as notas que estavam sendo tocadas. Foi uma maneira criativa de tornar os famigerados solos algo mais palatável.

É dispensável a necessidade de comentar os aspectos técnicos da apresentação, é de conhecimento de todos (seja os que estavam ali presentes ou mesmo os que não compareceram, mas estão lendo esta resenha), o alto nível técnico que todos seus integrantes possuem. Digo isso para explicar o que foi essa segunda metade do show: êxtase seria a palavra mais apropriada para explicar a sensação que pareciam sentir os fãs da fase mais antiga da banda. Quando rolaram os primeiros acordes de “Erotomania” a galera gritou alto e mais ainda quando ela foi seguida de “Voices”. A apresentação parecia ter ganhado outra dinâmica, em que nada tinha a ver, ou muito pouco, a virtuose dos músicos. Era muito mais o fato de que as músicas que o Dream Theater compunha no inicio ou meio da sua carreira primavam muito mais pelas emoções que passavam do que pelas centenas de notas proferidas por John Petrucci ou pelas quebradas de ritmo mirabolantes do Portnoy. Isso ficou claro nessa etapa do show, seja no público berrando a letra de “The Spirit Carries On” ou na execução da monumental “As I Am” (melhor música do chatíssimo “Train of Thought”) até o momento mais alto do show, quando se ouviram os primeiros acordes de “Pull Me Under”. Poucas vezes eu vi uma platéia tão inflamada em um show de Rock. E ainda por cima terminaram com um medley de “Metropolis”, para deleite dos fãs.

Essa para mim é a diferença fundamental do Dream Theater de vinte ou até dez anos atrás. Suas composições não eram um amontoado de colagens super técnicas em um desfile de virtuosismos, mas um muito bem estruturado e complexo, é claro, jogo de ritmos e melodias que prendiam a atenção daquele ouvinte que não sabe o que está sendo tocado, mas que sente PRAZER naquela música.

Pessoalmente, penso que o show poderia ter acabado aqui, mas ainda tivemos tempo para a execução da imensa de “The Count od Tuscany”. Que ficou para o bis e por mais que tenha agradado ao público, poderia ter sido facilmente substituída por algum clássico qualquer dentre os vários que ficaram faltando nesta noite, como “6:00”, “The Mirror”, “Take the Time” ou “Strange Deja-vu”, só para citar alguns.

No final todos saíram satisfeitos com a apresentação e com sua lista pessoal de músicas que faltaram, tal como eu. O Dream Theater mostrou o quão grande é e o respeito que conquistou com o seu público ao longo dessas duas décadas de carreira. Mantém-se extremamente popular dentro do cenário Heavy Metal e, paradoxalmente, fazendo um som mais complicado do que fazia quando se consagrou. As opiniões se divergem quanto escolha de repertório e excessos, ou não, de virtuosismos, mas uma coisa é unânime entre os que estiveram presentes a este show: Se eles voltarem ano que vem, não vão precisar de outra propaganda a não ser a do boca-à-boca dos fãs que presenciaram esta ótima apresentação.

Por: Angelo Borba

Fotos: Fabiana Menine

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10 Comentários

  1. Cristiano Teixeira

    Oi. Sobre a animação: tem um cara que faz essas animações pro Dream Theater e outras bandas… Mika Tyyska. E você não está errado. O boneco “toca” o que se ouve.

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  2. L E O

    Só não concordo com o “poderia ter sido facilmente substituída”. The Count of Tuscany foi demais; 20 minutos de êxtase pra encerrar um show perfeito e inesquecível.

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  3. EAMF

    Sinto muito, meu amigo, “Train of Thought” é bom demais… Poderia ter sido “In the name of God” em vez de “As I am”. Aí eu concordo…

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  4. DT :D

    Discordo também sobre a The Count of Tuscany que é muito boa. Falto classicos, certos, mas o tamanho das musicas dificulta e não tem jeito.
    Eu acho o Train of Thought SENSACIONAL, talvez junto com o Scenes From a Memory, é meu preferido.

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  5. Helô

    Concordo plenamente! In the name of God poderia ter rolado no lugar de As I am. Mas o TroTh é fantástico! Olha só o que é a Stream of Consciousness! E The Count of Tuscany pra mim foi o êxtase. Não poderia ter ido embora sem tê-los visto executar esta. É a turnê do BC&SL, nada mais cabível! Não fiz questão de parar pra filmar ou tirar fotos na The Count, aquele momento era pra ser sentido… Simplesmente arrebatou este belíssimo espetáculo com chave de ouro!

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  6. Josiane

    Estava seguindo o set dos últimos shows,e esperava com mta anciedade
    a The Count of the Tuscany,q pra mim é a melhor do Black Clouds & Silver Linings,fiquei emocionada!!!
    O show estava perfeito,acredito q agradou a todos q estavam lá,e com certeza se eles viessem novamente,eu e meu marido não mediriamos esforços para ir novamente!
    Simplesmente perfeito!

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  7. Fábio

    Putz, chamar o Train of Thought de “chatíssimo” é, no mínimo, dizer que não conhece Dream Theater… Está, sem dúvida, entre os melhores álbuns da banda, e qualquer música q escolherem dele será sempre bem vinda nos shows.

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  8. Carlos

    Uma coisa que gosto muito em Dream Theater é sua evoluçao desde o começo da carreira… diferentemente de outras bandas que decaem com o passar do tempo, Dream Theater só vem ganhando qualidade e novas tecnicas a cada album, é como se a banda estourasse novamente a cada cd lançado, com melodias e notas de tirar o folego e deixar qualquer um que realmente saiba apreciar um bom metal praticamente ipnotizado pelo que esta ouvindo.

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  9. Rafael Jeffman

    Infelizemente, o Dream Theater acabou em Scenes From a Memory. Depois disso veio outra banda com o mesmo nome e os mesmos integrantes, mas virou uma “banda de metaaaal”.

    “Hollow Years” é legal, mas podia ter sido “Lines in the Sand”. “Spirit Carries On” é a mais “separável” do SFAM, a escolha foi acertada. Erotomania e Voices foi de chorar de emoção. Mas pra mim, “Pull Me Under” é dispensável, e fora “Lie”, qualquer outra do “Images & Words” era melhor. “Metropolis” é obrigatória.

    O som do Pepsi On Stage é que é um problema. É muito ruim. O lugar é excelente, mas a acústica é de matar…

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