Mart’nalia:Boa filha à casa torna…

mart_fot

Na última quinta, 8 de abril, o bar Opinião abriu novamente as portas para o samba. Neste caso, a carioca Mart’nalia aterrissou na capital dos gaúchos para mais uma exposição do tradicional ritmo carioca. Um arrasta-pé da melhor qualidade.

No entanto, antes disso, por volta das 22h40, o público dirigia-se calmamente às dependências do bar. Na Rua José do Patrocínio o movimento acentuado estava localizado em outro bar, de esquina, que transmitia a semifinal do campeonato gaúcho entre Grêmio e Pelotas.

Na frente do Opinião uma pequena fila formava-se na bilheteria para comprar ingresso. A faixa etária do público era predominantemente adulta, na casa dos 30, 40 anos, embora houvesse muitos jovens, de 20 e poucos anos, transitando pelos corredores que davam acesso ao bar.

O ambiente na rua era característico do outono gaúcho. O céu limpo, estrelado, trazia consigo um vento frio que, tímido, soprava vagarosamente. O termômetro localizado na Av. Venâncio Aires registrava 18 graus às 22h50min.

Enquanto, na rua, as atenções estavam no jogo do Grêmio, dentro do bar o clima era de expectativa. Perto das 23h15min, cerca de 1.200 pessoas preenchiam os espaços vazios e, também, já ensaiavam alguns passos de samba, na ginga gaúcha.

Os aparelhos de ar-condicionado funcionavam com extrema potência, trazendo, inclusive, uma sensação de frio ao, quase sempre efervescente, Opinião.

Nos telões da casa, os dvds de Maria Rita e, na seqüência, Diogo Nogueira serviam de prenúncio para o que viria adiante. Uma noite de samba, a demonstração da malícia carioca, no melhor sentido da palavra, com a exposição de todo telecoteco e balacubaco da Guanabara.

A sagacidade da filha de Martinho e o molejo de Vila Isabel, morada eterna de Noel Rosa.

Desse modo, às 23h45min, para vibração dos presentes, Mart’nalia subiu ao palco do Opinião. Vestindo camiseta, calça e sandália preta, ela apareceu refletindo toda sua habitual simpatia.

Junto com a sambista, nove músicos dividiam-se entre percussão, contrabaixo, guitarra, violão e backing vocais.

A primeira música do show foi “Don’t worry, Be happy”, sucesso do álbum Madrugada. Logo nos primeiros versos, o público, cantando, demonstrava sua adoração pela carioca.

Sem muito papo, seguiu com “Pra Mart’nalia”, do álbum Mart’nalia ao vivo, aonde, no final da música, o som vindo da cuíca, aliado com um batuque nervoso, da percussão, fez a platéia sentir-se em uma verdadeira quadra de escola samba.

E, neste caso, como não poderia deixar de ser diferente, seria a quadra da gloriosa Unidos de Vila Isabel.

Mart’nalia continuou a apresentação com “ex-amor” e “disritmia”, clássico do pai, Martinho da Vila. Na canção, os gaúchos, em coro, faziam o papel dos vocais.

Nessa altura, a sambista manuseava com agitação seu xequerê. Ao lado do microfone ficava sua percussão particular. Assim, entre uma música e outra, ela empunhava uma de suas inúmeras baquetas e entrava no ritmo do ziriguidum carioca.

No final da canção os aplausos e gritos, de reconhecimento, tomaram conta do bar. Sempre sorridente, alto astral, de bem com a vida, Mart’nalia comandava o público, majoritariamente feminino. Tinha-os em suas mãos.

Na seqüência teve “cabide”, composição de Ana Carolina, também cantada em coro.

Contudo, na canção, a sambista sumiu do palco por alguns minutos. Aparentemente, atrás das cortinas, ela tentava solucionar o problema técnico vindo do contrabaixo que, por vezes, ecoava de forma estranha, estridente.

Depois dos ajustes técnicos, e algumas microfonias, retornou ao palco com “pretinhosidade” e “fato consumado”, sucesso de Djavan. Na canção, as vozes femininas predominavam no coro: “Eu quero é viver em paz/Por favor me beija a boca/Que louca/que louca!”..

A atmosfera no local era de alegria, encantamento. Um clima intimista, de exaltação ao maior de todos os ritmos brasileiros.

O show ainda teve “condição”, de Lulu Santos, “ela é minha cara”, e “garota porogondon” de Vinicius de Moraes.  Na canção, assim como ocorreu ano passado, uma das backing vocais incorporou uma passista de escola de samba e desfilou seu veneno, no palco, com passos envolventes, cheio de magia, malemolência e sedução..

Na parte final da apresentação, Mart’nalia ainda cantou “Pé do meu samba”, composição de Caetano Veloso, gravada no álbum ao vivo em Berlin, “mulheres”, outra canção de seu pai, “boto meu povo na rua” e “chega”, as duas últimas também do álbum ao vivo em Berlin.

Com aproximadamente 1h45min de show, incluindo o bis, a carioca deixou Porto Alegre e a certeza que será, sempre, bem-vinda pelos gaúchos e gaúchas, de todas as querências..

Mart’nalia levou consigo as boas energias do povo gaúcho.

Embora o Rio de Janeiro esteja passando por um momento difícil, de caos urbano, provocado pelas fortes chuvas, o povo carioca não é de abaixar a guarda.

E já diria a música “don’t worry, Be Happy”: “Stress faz adoecer/Amor rejuvenescer/Sorria mais/E leve a vida simplesmente..”.

Apesar dos pesares, das dificuldades, a virtude está na superação, na alegria de viver, e na capacidade de vencer as adversidades.

Portanto, sem dúvidas, o povo carioca sairá mais fortalecido dessa.

Afinal, o Rio de Janeiro sempre continuará lindo e, como diria Mart’nalia, em “condição”: “Qualquer um que ouve entende/Não precisa explicação/E se for pensar um pouco/Vai me dar toda razão..”.

O show teve promoção da rádio Itapema FM, apoio Lojas Trópico e realização Opinião Produtora.

Por: Silva Júnior

Related posts

2 Comments

  1. Pingback: Tweets that mention Boa filha à casa torna... | POA SHOW -- Topsy.com

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *