Marduk: Um dos maiores ícones do Black metal da atualidade no Opinião

Vamos começar pelo começo.

E o começo foi lá pelas 21h e alguns minutos. Esperava um Opinião com mais gente, afinal de contas, tratava-se do Marduk, um dos maiores ícones do Black metal da atualidade. Mas antes do Marduk, subiu ao palco a banda que acompanha os suecos nessa turnê pela América Latina, a polêmica banda francesa Ad Hominem.

Polêmica porque a banda é aparentemente antissemita e – se quisermos avançar na denúncia – neonazista. Se não o é nas letras – não as conheço – certamente o é na indumentária, no emblema no braço de cada um dos membros da banda – que lembra muito a suástica nazista – além de seu pano de fundo, cujo layout é similar à simbologia usada pelo nacional-socialismo. Mas vamos ao som dos caras. Riffs rápidos com batidas rápidas e algum Blast beat, tudo muito bem articulado com bases pesadas, quase beirando o mais clássico heavy metal. E nisso, a banda é realmente boa. Muito equilíbrio entre as partes rápidas e os momentos de som mais arrastado, com bases cativantes que faziam balançar as cabeças mesmo daqueles caras que – como era o meu caso – não conheciam o som deles. Admito que somente fiquei parado de braços cruzados porque não me identifiquei ideologicamente com a banda – ou com o seu visual.

Marduk: antes dos caras começarem, fiquei pensando como seria o show de lançamento de Wormwood, o último álbum da banda. Fiquei com essa dúvida porque Wormwood é disparadamente o trabalho mais “industrial” do Marduk – se é que havia algo “industrial” do Marduk antes desse cd. Aquele Black metal arrastado já aparece em Rom 5:12, mas não com as firulas de estúdio que Wormwood traz à tona (tomemos Funeral Dawn como exemplo). De qualquer modo, trata-se de um trabalho que não agradou muito a alguns fãs da banda, uma vez que ele não reproduz a agressividade e a velocidade de álbuns como Panzer Division Marduk World Funeral, Plague Angel, entre outros. E foi exatamente – para minha surpresa – pelo World Funeral que o show começou. A primeira música do repertório escolhida para Porto Alegre foi With Satan and Victorious Weapons, um petardo que abre o disco de 2003. O show durou um pouco mais de uma hora e, além de músicas do novo álbum, a banda passou por vários sons dos seus últimos discos, com destaque para a arrastada, mas brutalmente agressiva The Levelling Dust. Lamento que a melhor música de Wormwood – na minha opinião – Nowhere, no-one, nothing não tenha sido tocada. Ainda uma observação: foi a segunda vez que vi o Marduk com essa formação e confesso que Mortuus não deixou saudade alguma do ex-vocal Legion. O cara não somente cumpre muito bem o papel nos vocais como em palco simplesmente mata a pau na sua performance e em seu contato com o público. Ao final do show, Mortuus deixou a promessa de um retorno. Espero que esse retorno efetivamente aconteça e que eu não fique tão decepcionado com a fraca densidade de público que vi no Opinião.

Será que a cena Black metal está morrendo em Porto Alegre?

Por: Carlos Armani


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2 Comentários

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  2. Thiago Piva

    Show realmente muito foda! o Mortuus ao vivo é o cara.
    Mais tbm acho q o set list podia ter sido melhor, queria ter visto ao vivo musicas como, bleached bones, the black, jesus christ…sodomize e etc.

    Tbm fiquei decepcionado com o numero de pessoas no opiniao, mais acho que se o show fosse no sabado teria mais publico.

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