Chuck Berry: O pai do Rock and Roll volta a Porto Alegre

Esqueça tudo que você já ouviu ou leu sobre um show intimista. Esqueça as idéias pré-concebidas sobre contato de um artista com seu público. Chuck Berry, o pai do Rock and Roll, proporcionou, na ultima sexta-feira, dia 14, um espetáculo de simpatia, gentileza e carinho recíprocos entre um artista e o público porto-alegrense.

As informações técnicas sobre a duração do show eram claras: uma hora. A duração que serviria para deixar profundamente insatisfeito qualquer fã que comprasse um ingresso, não fez diferença aqui. Todos estavam cientes de que trata-se de uma lenda que permanece nos palcos e na estrada aos 83 anos. Trata-se da mais velha lenda vida do Rock and Roll. E ele veio a Porto Alegre.

O show começou pontualmente as 21h com “Roll Over Beethoven”, em um andamento um pouco reduzido, bem blueseiro, que facilitou a performance de Chuck Berry na guitarra. Um pequeno grupo mais exaltado acompanhou a música de pé, cantando junto. Chuck gentilmente pediu: “Por favor, sentem-se. Vou entretê-los essa noite!”. Na seqüência, “School Days”, arrancou aplausos. Aqui o primeiro sinal mais claro das conseqüências da idade: Chuck esquece a letra. Ninguém se importa. O carinho, a admiração e o respeito mútuos que reinavam no Teatro do Bourbon Country fizeram com que isso não tivesse relevância alguma. “Sweet Little Sixteen” levantou o público do Teatro, removendo as pessoas dos assentos.

Já  em “Oh Carol”, outra discrepância, porém esta muito mais charmosa: Chuck caminha até o público à direita do palco, retorna ao microfone e continua com a letra de “Sweet Little Sixteen”, para desespero dos músicos, especialmente de seu filho Berry Jr. Ganhou aplausos sinceros.

Ao perceber um fã fervoroso na primeira fila, Chuck Berry exclama: “Temos um verdadeiro fã aqui… Qual seu nome, a propósito?” – “Tony!”, responde o fã. “Oh, Teddy” – “Tony”, publico e banda o corrigem. – “Oh, yeah Tony!”. Chuck surpreende a todos ao apertar a mão de Tony a beira do palco. Rapidamente outros chegam e conseguem, também, apertar a mão do ídolo.

Durante “You Never Can Tell” Chuck sente um problema com a afinação de sua guitarra Gibson. Tenta consertar durante a canção, sem sucesso. Antes de “My-Ding-A-Ling”, demora algum tempo para afinar, mas desiste: “Eu estou velho, não consigo ouvir tão bem…”. E, por fim, completa “Eu tenho 83 anos! Estou velho, velho, velho, velho!!!!” gritando aos risos e contagiando a platéia com seu carisma e bom humor. Seu filho, o guitarrista Chuck Berry Jr., busca então um afinador eletrônico e troca de guitarra com o pai. Foi possível presenciar uma cena rara: Chuck Berry empunhando uma Fender Stratocaster. Segundos depois, outro fato raro: um hilário tombo de Berry Jr, que arrancou gargalhadas e aplausos. Guitarrista e guitarra, felizmente, nada sofreram.

Durante o show Berry conversou muito, fez piadas e se mostrou muito a vontade. O repertório, recheado de clássicos, contou com “Around and Round”, “Let It Rock” e “Memphis, Tenessee”, entre outras, além das já citadas.

Antes de sua canção mais emblemática, Chuck certifica-se: “Eu já toquei Johnny B. Goode?”. Após sonoro “não”, a banda manda o maior clássico da carreira de Mr. Berry. Era o que faltava para que ninguém permanecesse sentado. Todos se aproximaram do palco para ver, mais de perto, o lendário guitarrista. Ainda em Johnny B. Goode, Chuck se dirige novamente a Tony, chamando-o para o palco.

Barrado pela segurança, Tony tem seu acesso autorizado por quem o convidou. Respeitoso, Tony deixa o microfone para Berry, porém o guitarrista insiste para que Tony cante o clássico refrão. Momento inesquecível para o fã de apenas 18 anos.

O encerramento, com exatos 60 minutos, não fugiu a tradição: “Reeling and Rocking” com várias garotas dançando no palco fechou a noite de celebração proporcionada pelo pai do Rock and Roll. A exemplo do show do ano passado, não houve bis.

Conversamos brevemente com o felizardo Tony Velho após o show. Como não poderia deixar de ser, Tony era só alegria: “Melhor momento da minha vida. Minha banda preferida é o AC/DC. Mas um  show do AC/DC não pode ser comparado com isso aqui porque aqui Chuck Berry traz todo o feeling como se estivesse em um bar de Blues nos anos 50. Ele improvisa. E hoje eu subi no palco com o homem.”, conclui o fã mais invejado da noite.

É inevitável a comparação entre os shows do guitarrista em Porto Alegre (foram três, 2008, 2009 e 2010). Neste, Chuck, foi um guitarrista de mão cheia, com todo o feeling característico da música negra americana, especialmente do Blues. Além disso, parecia muito mais feliz e satisfeito em estar no palco. Berry levou o conceito de show intimista ao extremo, conversando com os fãs e se mostrando próximo como poucos artistas se mostram.

Mestre Chuck Berry proporcionou uma noite memorável para os amantes de seu filho mais ilustre: o bom e velho Rock and Roll.

Set List

Roll Over Beethoven

School Days

The Wee Wee Hours

Sweet Little Sixteen

Oh Carol

Song of My Love

Let It Rock

Around and Round

You Never Can Tell

My Ding-A-Ling

Memphis, Tennesee

Johnny B. Goode

Reeling and Rocking

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine


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