Cat Power de volta a Porto Alegre…

     
 
      A noite de quinta feira, vinte de maio de 2010, vai demorar um bom tempo para sair das cabeças daqueles pouco mais de mil afortunados que estiveram no Bar Opinião para assistir a musa da música indie: Cat Power.

      Quando fiquei sabendo que a moça passaria por Porto Alegre tomei um susto, pela positiva é claro, pois cerca de uma semana antes estava fazendo uma lista de artistas que eu considerava quase impossível de vir tocar por essas bandas, tais como Pj Harvey, Bjork, Rufus Wainwright e Cat Power. Depois daquela mítica apresentação no bar Garagem Hermética, em 2001, achava que a estadunidense evitaria, ou no mínimo não teria muita vontade de voltar a Porto Alegre. Mas para minha alegria e de muitos outros que tiveram uma nova chance de conferir a voz desta magnífica cantora, eu estava errado, ela não guardou mágoas.

      Os trabalhos de abertura ficaram a cargo do cantor/compositor Nelo Johann, que faz um trabalho bem puxado para o folk e blues. Totalmente cantado em inglês, o que torna o som por vezes caricato, o artista fez uma apresentação simples, acompanhado de uma boa banda que “segurou a peteca” durante trinta minutos. Uma versão inusitada foi o cover de The number of the beast, do Iron Maiden, que ganharia qualquer prêmio de versão mais singular, caso essa competição existisse.
 

      Quase pontualmente, às 23:15 (e isso para o bar opinião é praticamente pontualidade britânica), Cat Power sobe ao palco e o Opinião quase vem abaixo. O bar estava totalmente lotado, mostrando que a cantora, mesmo desconhecida do grande público, consegue lotar uma casa de shows com pessoas que conhecem bem o seu trabalho.             

Mesclando o set list com muitos covers e menos músicas próprias, a cantora acabou optando por deixar vários clássicos de sua carreira de fora do show. Isso não comprometeu a apresentação, mas confesso que fiquei com uma sensação de que faltaram clássicos demais, visto que ela já conta com 6 discos em sua carreira (sem contar os dois de covers) e isso por si só já garante um ótimo repertório.

      Alguns destaques da apresentação foram, além de Cat Power, que é um show aparte, a execução quase minimalista, se não fossem pelos efeitos do teclado, de Standards do blues e do jazz norte americano, como foi o caso de Don`t explain (Bilie Holiday) e Fortunate son (John Fogerty), sem contar a maior de todas, mas fora do blue/jazz, (I can`t get no) Satisfaction dos Rolling Stones, nessa a tendência de Cat, ao deixar as canções de outos artistas funcionarem como uma base para que ela ponha sua linda voz, ficou mais evidente. Competiria sem problemas com Nelo Johann no quesito versões inusitadas.

      Mas para os fãs que desejavam ouvir canções da cantora, ela guardou algumas coias. The greatest, Lived in bars e a clássica Metal heart saciaram, em parte, a vontade do público de ouvir alguma coisa sua.

      Não sei se foi vontade da banda (acho que sim) deixar o palco extremamente pouco iluminado, praticamente uma penumbra. Mas o fato é que, em determinados momentos, quase não se enxergava o rosto de Chan (como é carinhosamente chamado por seus fãs), a não ser pelos flashes de máquinas fotográficas que volta e meia iluminavam o rosto da cantora. A ideia, creio eu, era dar um clima mais intimista para a apresentação e nisso eles acertaram, visto que ela praticamente não se posicionou no centro do palco durante toda apresentação, em momento algum dava a idéia de que ela era a estrela. Em algumas músicas o spot era ligado direto no seu rosto e o público era presenteado com uma imagem linda, que vai demorar a sair da memória.

      Com cerca de uma hora e meia de show e quase dois terços do repertório baseado no seu último álbum, Jukebox, Cat Power se despediu do público gaúcho com uma música sua: I Don`t blame you, também executada de forma bem diferente da original, criou um clima perfeito para que ela encerrasse essa grande apresentação.

      Se depender da recepção que teve em Porto Alegre desta vez, não vai demorar para que volte a se apresentar por aqui logo, logo. Eu não acredito naquele ditado que diz que a primeira impressão é a que fica, e espero que ela também não. Portanto podemos ter boas esperanças de que Chan Marshal vai ficar com ótimas recordações deste 20 de maio de 2010, e nós também.


Por: Angelo Borba

 

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1 comentário

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