Aerosmith faz história em Porto Alegre

     

      Que Porto Alegre já faz parte da rota dos grandes shows internacionais não é novidade. Os últimos dois anos comprovam essa realidade. Mas foi em 2010 que Porto Alegre marcou presença no itinerário dos Mega Shows, produções enormes sempre para mais de 10 mil pessoas. Depois de Metallica e Guns ‘n’ Roses, ontem, 27 de Maio, a capital dos gaúchos recebeu o Aerosmith, no show mais longo de sua Tour “Cocked, Locked and Ready to Rock!” na América do Sul.

      A abertura ficou a cargo da banda catarinense Santo Graau, que fez um show frio. Ainda que recebida com vaias e arrancando pouquíssimos aplausos, a banda não se intimidou e mandou seu som. Destaque para a versão de “Não Sei”, do TNT, onde receberam Alemão Ronaldo (ex-Bandaliera) como convidado especial. Não houve banda local como banda de abertura.
 
      No horário marcado, às 22h sobe uma gigantesca bandeira com o logo do Aerosmith. Cai minutos depois para o início de “Love in an Elevator”, que levanta os milhares de fãs que compareceram ao Estacionamento da Fiergs. A versão precisou ser estendida: em meio à canção, Steven Tyler deixa o palco. A banda, experiente, continua um longo trecho instrumental até o retorno do vocalista para então levar a música até o fim. Na seqüência, uma grande surpresa: “Mama Kim”, que ainda não havia sido executada na tour sul-americana. Extremamente bem recebida, “Mama Kim” arrasou.
 
      Desde o início a banda tem de superar pequenas dificuldades técnicas, mas o fazem com muita facilidade (Tyler chegou a se desculpar por elas em determinado momento). A performance de palco da banda também se mostra impressionante, especialmente as de Tyler e Perry, os integrantes que mais se aproximam do público e mais fazem uso da passarela em frente ao palco.
 
      A dobradinha do disco “Nine Lives”, “Falling in Love (Is Hard On The Knees)” e “Pink” agradou em cheio os fãs dos trabalhos mais populares da banda. “Dream On” e “Living On The Edge” também empolgaram.
 
      Os fãs dividiam-se em duas categorias bastante distintas: uma minoria que conhece o trabalho do Aerosmith de longa data (e aqui falo de décadas), que esperava ver grandes clássicos da fase setentista e aqueles que conhecem a banda através de seus grandes sucessos nas rádios e na MTV. Estes, maioria, vibraram com a trinca “Jaded”, “Crazy” e “Cryin’” (executadas na seqüência) e também com “I Don’t Wanna Miss a Thing”, da trilha do filme “Armageddon”. Estas foram, de longe, as músicas mais bem recebidas, mais cantadas, e que mais emocionaram.
 
      Os solos de bateria e guitarra também aconteceram em Porto Alegre. O de Joey Kraemer contou com a participação de Steven Tyler, respondendo por um momento bastante charmoso da apresentação. Já o de Joe Perry foi enriquecido pelo uso de um Theremin que complementou a performance do guitarrista. O que ninguém esperava era um solo de muito bom gosto proporcionado pelo baixista Tom Hamilton, antes de “Sweet Emotion”.
 
        Após os covers “Stop Messing Around” (do Fleetwood Mac, cantado pelo guitarrista Joe Perry), e “Baby Please Don’t Go” (de Big Joe Williams) a ótima “Draw the Line” fechou a primeira parte do set. Com 1h45 de show a banda se despede pela primeira vez.
Apenas um minuto e o Aerosmith retorna para mais dois clássicos: “Walk This Way”, canção em parceria com o Run DMC que trouxe a banda de volta ao topo e a versão de “Train Kept A-Rollin’”, que vem fazendo parte de todas as apresentações da banda na América do Sul.
 
       Foram duas horas de ótimo Rock and Roll e belíssimas baladas, debaixo de uma chuva fina e constante. Duas horas em companhia de uma banda forte, concisa e muito competente. Um grande show, capitaneado por um grande guitarrista e um frontman genial. Todos os músicos estão em excelente fase, mas a voz de Steven ainda se destaca. Soa bem. É agradável e não deixa nada a desejar quanto às gravações em estúdio.
 
       O Aerosmith, em duas horas, fez história no Estacionamento da Fiergs. Guns ‘n’ Roses e Metallica tem companhia na briga pelo título de Show do Ano em Porto Alegre.
 
 
Set List
 
Love in an Elevator
Mama Kin
Falling in love
Pink
Dream On
Livin' on the Edge
Jaded
Crazy
Cryin'
Drum Solo
Lord Of The Thighs
I Don't Want To Miss a Thing
Rag Doll
Guitar Solo
What It Takes
Sweet Emotion
Stop Messin' Around
Baby, Please Don't Go
Draw the Line
Encore:
Walk This Way
Train Kept A-Rollin'
 
Por: Marcel Bittencourt
 

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19 Comentários

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  2. Igor José

    Acho que depois de Cryin Dom Steve perdeu a voz tendo que recorrer ao talento “segura a onda” do companheiro da banda. Assim também fez o AXL algumas VARIAS vezes. Em ambos shows o som começou alto e com peso digno do hard rock das bandas mas por esse “detalhe” foi reduzido considerávelmente. Me perdoem os fãs mais exaltados pois é a minha opinião levando em conta o $$$ cobrado, eu esperava mais. Melhores shows de 2010 ate agora – ZZ Top e Joe Lynn Turner. Metallica não conta.

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  3. Patrícia

    Nunca vi uma pista vip (Gold) tão vazia. Não precisava nem “grudar” na grade pra garantir o lugar, porque tinha espaço pra todo mundo – e ainda dava pra sair e voltar pro mesmo lugar. Incrível. Quem estava lá pode ver os caras há uns 2m de distância. Até me arrisco a dizer que hávia menos de 1000 pessoas “golden” de tanto espaço.
    Nem tenho o que comentar do show dos caras. Os tios são uma aula. Mandaram ver, debaixo de chuva mesmo. Aos 62 anos, Steve Tyler é puro carisma e energia e a voz dele está perfeita. Muito cara mais novo, que a gente já viu por aí, já não tem mais o mesmo poder vocal de antes. Imagina, os caras chegaram a cogitar outro vocalista pro Aerosmith(hahaha). A cara do Aerosmith é o Steven Tyler. Os outros não tem carisma e, mesmo sendo excelentes músicos, são coadjuvantes.

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  8. Cris

    Claro, né, Pat´rícia, que a pista vip Golden tava vazia…era 500,00 o ingresso. heheeh
    O show tava ótimo, a chuva não estragou a apresentação, só achei o som um pouco baixo para um show daquele porte. Mas enfim, tava perfeito!!! Valeu muito a pena! E sem atrasos, o que mostra o respeito da banda pelo público.

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  9. Fernando

    O show foi muito bom, mas como a Patricia falou, a pista gold estava muito vazia.
    Pensei que o Tyler ia pedir para o publico da pista normal invadir a gold e ocupar o espaço em branco.

    “Vocês podem sorrir, parece que não f*d3m a um mês”

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  10. Eduardo

    Mais um adepto a opinião da Patrícia com relação à área Gold… Estava muito vazia. Porém, minha maior crítica vai para o público, e não para a banda que foi incrivelmente empolgante e contagiante, sendo que, com certeza, levaram em consideração o fato da chuva e do frio para não atrasar, um verdadeiro exemplo de banda que respeita seus fãs, sem falar no PERFEITO espetáculo que realizaram no palco com um excelente setlist… voltando à crítica negativa então, tenho que lamentar, apenas isso, ao público (que não podemos chamar de fãs) que, na grande e avassaladora maioria, simplesmente cruzaram seus braços e ficaram de pé com cara de quem nem fazia idéia dos incríveis músicos que estavam a poucos metros de distância para divertí-los. Faltou empolgação. Sou gaúcho, tradicionalista, e tenho orgulho disso, mas a postura que a maioria demonstrou na noite de ontem foi de envergonhar. O músico não faz o show sozinho, ele precisa do público. Então fica este recado para os que “aproveitaram” o show dessa forma tão infeliz.
    Gostaria também de fazer uma pequena, porém indispensável, crítica negativa, aos organizadores da aparelhagem de som. Me perdoem se estiver errado, mas até onde sei o retorno não serve apenas para os músicos no palco, mas para o público também. Fica a pergunta: por que, em um show dessa magnitude, não havia retorno para o público? Consequência: nível baixo do som. Porto Alegre, que hoje é uma parada obrigatória para as bandas que fazem turnê pelo Brasil, tem que se dar conta de que precisam apoiar toda e qualquer estrutura particular ou de cunho comercial em pró de um espetáculo que agrade a todos.
    Mais uma vez, um elogio enorme à banda, que deu um exemplo no palco e que “matou a pau” em TODAS as músicas. Como fã, tenho que agradecer à toda a banda Aerosmith pela realização de um sonho: assistí-los ao vivo e de perto.

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  13. Igor

    Apoio a opinião de todos, a pista gold não tava lotada, mas isso ate que não foi tão ruim, é brabo pagar uma grana alta pra ser esmagado la na frente e tbm isso vai fazer com que eles se toquem e cobrem menos na proxima vez, teve uma galera que estava na pista que ganhou ingresso gold da produção só pra fazer mais volume la na frente.
    Outra coisa que fiquei impressionado com o Steven, foi o respeito com que ele teve com a galera, em ter cantado la na chuva junto com os seu fãns, imaginem o que aquele fresco do Axl teria feito, periga ter se negado a subir no palco pra nao se molhar. A qualidade de som da banda (não falando do som baixo, que a organização dos shows em poa sempre deixa a desejar), os caras estao tocando 100% ainda, pra idade deles estao muuuito bons. Pra mim o melhor show do ano.

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  14. joao

    Show bala pra caramba.
    Não sei se no guns foi assim, mas a divisão dos setores daquela forma é mto ruim.
    E aquela torre de controle de som na frente da pista, deveria ficar bem mais atrás.

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  15. Ana

    Sobre a empolgação ou a falta dela pelo público.
    Cara, eu sou totalmente contra a essa divisão das pistas. Tanto no Guns quanto no Aerosmith foi de pista normal (pobre mode on), e fiquei esmagaaaada na grade.
    Tu falta a tarde no trabalho, mente pro chefe…..mas não tem lugar igual!!! É muito boa a energia do povo, agitei muito e não estava sozinha na animação, hehehe
    Fã que é fã, chega cedo pra ver os caras de pertinho, pertinho que o $$ permite. Se não tivessa a merda da divisão, quem ia interagir, empolgar os caras de pertinho, é quem gosta mesmo, que conhece a banda, as músicas, afinal tu não vai ser esmagado sem motivo, hehehe.
    Mas não, agora quem fica perto, numa pista deserta, afinal nem todo mundo tem $$, nem sempre são os fãs de verdade.
    Vi vários vídoes dos dois shows no youtube de quem estava na vip, e a galera desanimada, em músicas que para mim estava demais.

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