Joe Lynn Turner: Lenda viva que tivemos a oportunidade de ver

 
Casa "nem tão cheia assim", para receber Joe Lynn Turner na última quarta feira 26, em Porto Alegre. Um público de no máximo 400 pessoas foi ao Bar Opinião para conferir o show do vocalista. Uma pena, visto que o que estava por vir com certeza seria um grande espetáculo.
 
A banda gaúcha de rock progressivo "Apocalypse" foi responsável pela abertura. No pré-lançamento de um kit comemorativo aos 25 anos de banda, que contém livro, DVD e dois CDs (um deles o novo álbum da banda), apresentou um show muito bom, mostrando por que se mantém na estrada já há tanto tempo. Uma boa escolha para aquecer o público.
 
Perto das 23:30h a expectativa era grande para ver o astro "multibanda" Joe Lynn Turer no palco. A voz que passou por algumas das maiores bandas de todos os tempos, como Rainbow, Deep Purple e a banda de Yngwie Malmsteen (além da extensa carreira solo), volta a Porto Alegre depois de sete meses para a turnê "Blood Red Sky", ao lado do baixista Andy Robbins (Holy Soldier, JLT, Doogie White, Sircle of Silence), o baterista Garry King (Jeff Beck, JLT, Alice Cooper, Psychedelic Furs), o guitarrista Betovani (JLT) e o tecladista Bruno Sa (John Lawton, JLT, Ted Poley).
 
Ver Turner no palco é como ver, por exemplo, Steven Tyler, Ian Gillan ou David Coverdale. Você ouve falar no cara há muitos anos, é fã do cara há muitos anos, sabe que é uma lenda do rock há muitos anos, e mesmo assim, quando finalmente está cara a cara com ele, fica com aquela pergunta martelando na cabeça: "uau! Esse cara é mesmo de verdade?".
"Death Alley Driver" abre o show em grande estilo. Podemos chamar essa música, do disco "Straight Between the Eyes", de "A Highway Star do Rainbow" (não querendo jamais comparar as bandas e muito menos as músicas, mas o clima, principalmente da introdução, que nos remete ao clássico do Deep Purple em alguns momentos). Impossível não notar a preocupação que Turner mantém até hoje com o visual e sua grande performance de palco. Com roupas bastante justas e as clássicas luvas de couro, além de uma simpatia e um carisma empolgantes, Joe agitou o tempo todo e interagiu freqüentemente com o público. Público este um tanto quanto apático em alguns momentos.
O Set List continua com uma grande escolha: “Perfect Strangers”, clássico do Deep Purple interpretado com maestria pelo vocalista. O show segue com três músicas do Rainbow em seqüência: "I Surrender", "Street of Dreams" e "Man On The Silver Mountain" (primeira música do primeiro disco da banda e um clássico de resultado instantâneo).
 
Começa então uma série de músicas gravadas pelo próprio Joe: "King of Dreams" marca presença como a única música do set de sua rápida passagem de apenas um disco pelo Deep Purple. "Endlessly" e "Blood Red Sky" (música que dá nome a turnê) garantem a participação de músicas de sua carreira solo. Tocou ainda "Jealous Lover", "Can't Let You Go" e "Can't Happen Here", estas de sua passagem pelo Rainbow.
 
Para o bis, o primeiro bloco de clássicos absolutos inicia com "Stargazer". Segue com "Stone Cold", grande hit que invadiu as FMs nos anos 80 (música do Rainbow, também gravada por JTL). "Highway Star" arranca do público gritos e aplausos de emoção que continuaram durante a execução de um Medley com "Long Live Rock and Roll", música eternizada por Dio, e "Black Night" do Deep Purple.
 
Os músicos saem do palco e noto que algumas pessoas começam a se retirar do local. Para surpresa de todos, o show segue com um segundo e inesperado bis. Após um rápido solo/duelo de teclado e bateria, a banda inteira retorna para tocar "Gates Of Babylon" e "Spotlight Kid". Encerram bem o show com duas músicas atemporais, hinos que dispensam comentários independentemente de que banda tenha gravado o que ou com quem: “Burn” e “Smoke on the Water”.

Um show com mais músicas do Rainbow do que de qualquer outra banda que o vocalista já tenha passado, ou de qualquer outra fase de sua carreira. Mais músicas do Rainbow com Dio nos vocais do que músicas que ele mesmo tenha gravado. Isso poderia ser um problema. Poderia ser extremamente criticado e chamado de oportunismo. Mas não para Joe Lynn Turner. Um respeitável senhor, com seus 60 anos, cantando bem como cantou quarta-feira músicas que já cantava ao longo de toda a carreira, só é digno de elogios. Todas as músicas apresentadas tiveram performance e interpretação incríveis. Turner, para quem estava lá, é com certeza mais um nome que podemos incluir na lista de "lendas que tivemos a oportunidade de ver ao vivo".

Por: Rodrigo Trapp
 

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